Extração de petróleo avança 13,6% em um ano, enquanto a produção de gás cresce 12,6%; queima recua 29,5% na comparação mensal
A produção brasileira de petróleo e gás natural alcançou 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em julho de 2026, impulsionada pela expansão dos ativos do Pré-Sal. Os dados constam do Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás Natural da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A produção de petróleo atingiu 4,498 milhões de barris por dia (bbl/d), alta de 0,5% em relação a junho e de 13,6% na comparação com julho de 2025. Já a produção de gás natural somou 214,97 milhões de m³/d, queda mensal de 1,1%, mas crescimento de 12,6% em 12 meses.
O desempenho mantém a produção offshore como principal vetor da oferta nacional e reforça a concentração da atividade nas áreas do Pré-Sal, que responderam por mais de quatro quintos de todo o petróleo e gás produzido no país no mês.
Pré-Sal responde por 82,4% da produção nacional
A produção de petróleo e gás natural no Pré-Sal chegou a 4,821 milhões de boe/d em julho, equivalente a 82,4% da produção brasileira. O volume cresceu 0,3% ante junho e 18,2% em relação ao mesmo mês de 2025. A região produziu, em média, 3,728 milhões de bbl/d de petróleo e 173,72 milhões de m³/d de gás natural, a partir de 203 poços produtores.
A participação crescente do Pré-Sal altera de forma significativa o perfil da produção brasileira, tanto pelo peso dos campos marítimos quanto pela escala dos sistemas de produção instalados nas bacias de Santos e de Campos. A Bacia de Santos concentra parte relevante dos principais projetos atualmente em operação.
Queima de gás recua quase 30% no mês
Outro destaque dos dados de julho foi a redução da queima de gás natural. O volume queimado caiu para 4,67 milhões de m³/d, retração de 29,5% em relação a junho e de 14,8% na comparação com julho de 2025. Com isso, o índice de aproveitamento do gás produzido chegou a 97,8%. Do volume extraído, aproximadamente 66,12 milhões de m³/d foram disponibilizados ao mercado.
A redução da queima melhora o aproveitamento econômico do gás produzido e também reduz a parcela do combustível que deixa de chegar ao mercado. O indicador ganha relevância diante da discussão sobre aumento da oferta doméstica de gás natural e aproveitamento da produção associada ao petróleo do Pré-Sal.
O resultado também sinaliza uma melhora operacional nos sistemas de produção, embora a dinâmica da queima possa variar conforme as características dos campos, a infraestrutura disponível para escoamento e processamento e as condições operacionais das plataformas.
Produção offshore domina oferta brasileira
As unidades marítimas responderam por 98,1% da produção nacional de petróleo e por 88,7% da produção de gás natural em julho. No conjunto dos ativos brasileiros, foram contabilizados 6.724 poços produtores, sendo 613 marítimos e 6.111 terrestres. Os campos operados pela Petrobras, individualmente ou em parceria com outras empresas, responderam por 87,27% da produção total.
A elevada participação dos ativos offshore evidencia a importância da infraestrutura marítima para a expansão da oferta brasileira. O desempenho também mantém a Petrobras e seus parceiros como protagonistas na produção das principais áreas produtoras do país.
Búzios lidera petróleo e Mero se destaca no gás
Entre os campos produtores, Búzios, no Pré-Sal da Bacia de Santos, manteve a liderança na produção de petróleo, com média de 1,113 milhão de bbl/d em julho. No gás natural, o destaque foi o campo de Mero, também localizado no Pré-Sal da Bacia de Santos, com produção de 49,14 milhões de m³/d.
A escala desses dois campos reflete a expansão dos grandes sistemas de produção instalados no Pré-Sal e a entrada em operação de novas unidades capazes de elevar progressivamente a capacidade produtiva dos ativos. Entre os FPSOs em operação, o Almirante Tamandaré, em Búzios, registrou a maior produção individual de petróleo, com 263.178 bbl/d.
Já o FPSO Marechal Duque de Caxias, instalado no campo de Mero, apresentou a maior produção individual de gás natural entre as unidades destacadas pela ANP, com 13,60 milhões de m³/d.
Gás ganha relevância na expansão da oferta energética
O crescimento anual de 12,6% na produção de gás natural ocorre em um cenário no qual o aproveitamento da oferta doméstica permanece como um dos principais desafios para o desenvolvimento do mercado brasileiro.
Embora o país tenha registrado produção recorde de gás nos últimos anos, uma parcela relevante do volume produzido permanece associada às operações de reinjeção, enquanto limitações de escoamento, processamento e transporte condicionam a chegada do combustível ao mercado.
A queda da queima registrada em julho representa, nesse contexto, um avanço no aproveitamento da produção. O aumento da disponibilidade efetiva, porém, depende também da expansão da infraestrutura necessária para conectar os campos produtores aos centros de consumo.
Para o setor elétrico, a evolução da oferta de gás natural é particularmente relevante diante do papel das termelétricas na segurança energética e da necessidade de complementar a geração de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar.
Produção mantém trajetória de expansão
Os números de julho mostram que o crescimento da produção brasileira continua concentrado nos grandes ativos offshore, especialmente no Pré-Sal. O avanço anual da extração de petróleo e gás ocorre simultaneamente à redução da queima, elevando o aproveitamento dos recursos produzidos.
O resultado reforça a posição do Brasil entre os grandes produtores mundiais de petróleo e mantém o Pré-Sal como principal fronteira de expansão da oferta nacional. Ao mesmo tempo, amplia a importância de investimentos em escoamento, processamento e transporte para transformar o crescimento da produção de gás em maior disponibilidade para o mercado interno.


