Empresa prevê chegar a 50 MW de capacidade instalada e atender 50 mil consumidores até 2027; expansão inclui unidade de Lavras (MG), com entrada em operação prevista para setembro
A Orbis Energia encerrou 2025 com faturamento de R$ 50 milhões, o dobro dos R$ 25 milhões registrados em 2023, e prepara uma nova etapa de expansão no mercado de geração distribuída solar. A empresa prevê desenvolver, construir e operar sete novas usinas solares até 2030, com a meta de alcançar 50 MW de capacidade instalada.
A primeira unidade desse novo ciclo está em construção em Lavras (MG) e tem entrada em operação prevista para setembro. A expansão integra o plano da companhia para ampliar sua base de consumidores, atualmente concentrada em mais de 45 municípios de Minas Gerais e São Paulo, e chegar a 50 mil clientes até o fim de 2027.
Nos últimos 12 meses, a Orbis registrou crescimento de 30% no volume de energia distribuída, em meio aos investimentos realizados na ampliação da infraestrutura de geração e gestão dos empreendimentos.
O fundador e CEO da companhia, Hugo Andrade, afirma que o avanço financeiro acompanha uma estratégia de aumento de escala operacional: “Estamos estruturando a Orbis Energia para uma nova etapa de escala. O crescimento do faturamento, a ampliação da capacidade de geração e a construção das novas usinas demonstram a consistência do nosso modelo de negócios e o potencial do mercado de geração distribuída no Brasil.”
Consumidor residencial concentra carteira
A expansão planejada pela Orbis também mira o mercado de pequenos consumidores. Clientes residenciais representam 60% da carteira, enquanto empresas respondem pelos 40% restantes.
O modelo de negócio permite que consumidores tenham acesso à energia gerada por usinas solares sem necessariamente realizar o investimento na instalação de um sistema fotovoltaico próprio. A estratégia posiciona a companhia no segmento de geração distribuída voltado à oferta de energia renovável para diferentes perfis de usuários.
A empresa pretende ampliar esse mercado à medida que aumenta a capacidade de geração e a cobertura geográfica de sua operação. Andrade destaca que a expansão da geração distribuída pode ampliar o acesso de consumidores de menor porte à energia solar.
“Queremos democratizar o acesso à energia limpa, especialmente para consumidores que não podem ou não desejam investir na instalação de um sistema solar próprio. A geração distribuída permite ampliar esse acesso e, ao mesmo tempo, apoiar a transição para uma matriz energética mais sustentável”, explica Andrade.
Operação combina usinas próprias e de terceiros
Fundada em 2018, a Orbis atua em diferentes etapas da cadeia de geração distribuída, incluindo desenvolvimento, construção, operação, gestão e comercialização de usinas próprias e de terceiros.
A companhia gera aproximadamente 2 GWh por mês. Metade desse volume é destinada à própria base de consumidores, enquanto a outra parcela corresponde à geração de empreendimentos de terceiros administrados pela empresa. A atuação em gestão de ativos de terceiros amplia o escopo da companhia para além da implantação de novos projetos e diversifica suas fontes de receita.
Estratégia operacional busca elevar disponibilidade
O plano de expansão é acompanhado por investimentos em infraestrutura e em um modelo próprio de operação e manutenção das usinas. Entre os recursos adotados pela companhia está o uso de overload de 100% em estruturas fixas, além de equipes próprias de O&M em período integral.
As unidades contam ainda com estruturas de apoio para as atividades operacionais, como sala de segurança, escritório, refeitório, vestiário e estoque de peças e materiais. A estratégia busca reduzir o tempo necessário para intervenções e minimizar períodos de indisponibilidade dos ativos.
O portfólio inclui projetos de diferentes portes. As primeiras usinas da companhia, instaladas em Itabira (MG), tinham 500 kWp. Atualmente, a empresa também opera projetos de 5 MWp em São Joaquim da Barra e Igarapava, no interior paulista, e em Monte Sião, em Minas Gerais.
Projetos incorporam características locais
A expansão da Orbis também contempla iniciativas voltadas à integração dos empreendimentos com as comunidades onde as usinas são instaladas.
Em São Joaquim da Barra (SP), a usina SJB conta com um mural da artista Mag Magrela. Em Monte Sião (MG), o projeto foi desenvolvido considerando elementos ligados à identidade turística e cultural do município, conhecido pela produção de malhas e pelas tradicionais louças azuis. A estratégia busca aproximar os empreendimentos das características econômicas e culturais dos municípios que recebem as usinas.
“Uma usina não deve ser percebida apenas como uma estrutura de geração de energia. Buscamos criar projetos que estabeleçam uma relação positiva com os municípios, respeitem suas identidades e contribuam para o desenvolvimento das regiões”, acrescenta o CEO.
Expansão ocorre em cenário de crédito mais restrito
O plano de crescimento da empresa avança em um ambiente de restrição de crédito e aumento da inadimplência no setor de geração distribuída. Mesmo diante dessas condições, a Orbis aposta na expansão da demanda por energia renovável e na procura de consumidores por alternativas ao investimento direto em sistemas próprios.
A estratégia combina crescimento da capacidade instalada, ampliação da carteira e prestação de serviços para proprietários de usinas de terceiros. Com sete novos empreendimentos planejados até 2030, a companhia busca elevar sua escala no mercado de energia solar enquanto amplia sua presença em Minas Gerais e São Paulo.



