Potência corresponde a 55% dos 20,28 GW cadastrados em 64 barramentos; resultado ainda é preliminar e poderá mudar após etapa de desistências
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicou que aproximadamente 11 GW dos 20,28 GW de potência cadastrados na 1ª Temporada de Acesso de 2026 poderão avançar no processo de conexão à Rede Básica. O volume equivale a cerca de 55% da capacidade apresentada pelos agentes em 64 barramentos candidatos.
Os dados estão na Nota Técnica de Quantitativos da Capacidade Remanescente do Sistema Interligado Nacional (SIN), NT-ONS DPL 0083/2026 (NT 02), divulgada em 31 de agosto. Do total sinalizado, 8,06 GW poderão receber atendimento direto, enquanto 2,94 GW serão encaminhados para processo competitivo.
A parcela destinada à concorrência reúne 1,95 GW de unidades consumidoras, distribuídas em 13 pontos de conexão em São Paulo, e 993 MW de geração, concentrados em dois barramentos no Rio Grande do Sul.
PNAST reorganiza disputa por margem
A temporada é a primeira aplicação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), criada para organizar a alocação da capacidade remanescente da Rede Básica entre novos projetos de geração e consumo.
A sistemática permite avaliar de forma conjunta os pedidos apresentados em cada ponto de conexão e identificar quais empreendimentos podem ser atendidos diretamente e quais precisam disputar a capacidade disponível. O objetivo é dar maior previsibilidade ao processo de acesso diante das limitações existentes na infraestrutura de transmissão.
Para o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, o resultado preliminar indica que o novo modelo pode melhorar a utilização da capacidade disponível: “Embora os números ainda sejam preliminares e não contemplem a etapa de desistências, que poderá alterar as indicações atuais, os resultados sinalizam o acerto da implementação da PNAST. A nova sistemática contribui para ampliar a transparência do processo de acesso, ao permitir melhor aproveitamento da capacidade disponível e oferecer maior previsibilidade aos agentes do setor elétrico.”
Já o diretor de TI, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios do ONS, Maurício de Souza, destaca que a nova política também aproxima a análise dos pedidos de conexão do planejamento da expansão do sistema: “A Política veio para modernizar o processo de acesso de geradores e consumidores à Rede Básica e estes resultados preliminares apontam que estamos no caminho certo. Esse novo modelo permitirá uma maior integração entre os interesses do setor e o planejamento da expansão, apoiando na identificação e superação de desafios relacionados à disponibilidade de margem.”
Próxima etapa pode alterar resultado
Os 11 GW não representam capacidade já contratada ou conexão garantida. A indicação divulgada pelo ONS corresponde ao resultado desta etapa de avaliação e ainda será submetida ao período de desistências.
Por isso, os quantitativos finais da temporada poderão ser diferentes dos apresentados na NT 02. Ainda assim, o levantamento oferece a primeira dimensão da capacidade que poderá avançar sob a nova sistemática e aponta os pontos em que a demanda por acesso exigirá competição pela margem de transmissão.



