Com mais de 500 clientes e 3.500 GWh comercializados, empresa mira consumidores do Grupo B, que poderão escolher fornecedor de energia a partir de 2027
A abertura do mercado livre de energia para consumidores de baixa tensão coloca o segmento varejista no centro da estratégia de expansão da Armor Energia. A comercializadora, que completa quatro anos de operação, pretende ampliar a atuação junto ao Grupo B, que reúne cerca de 89,6 milhões de unidades consumidoras, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
O cronograma de abertura estabelece que consumidores comerciais e industriais de baixa tensão poderão escolher o fornecedor de energia a partir de 25 de novembro de 2027. Para os demais consumidores, incluindo os residenciais, a possibilidade está prevista para novembro de 2028. A mudança amplia o universo potencial do Ambiente de Contratação Livre (ACL), mas a adesão efetiva dependerá das condições de contratação e da regulamentação do mercado varejista.
Comercializadora aposta em gestão
A Armor chega a essa nova etapa com mais de 500 clientes e 3.500 GWh transacionados, volume que a companhia estima ser equivalente ao consumo anual de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas. A estratégia para o novo mercado combina comercialização de energia com gestão de riscos, eficiência energética e soluções associadas à transição energética.
O presidente do Conselho da Armor Energia, Marcelo Ávila, afirma que a empresa pretende ampliar o escopo de sua atuação à medida que o perfil dos consumidores do ACL se diversifica: “Nossa atuação vai além da comercialização. Desenvolvemos soluções que combinam previsibilidade, flexibilidade e gestão de riscos para que nossos clientes possam tomar decisões com mais segurança em um ambiente de constante transformação.”
A expansão do mercado de baixa tensão também deverá mudar o modelo de relacionamento entre comercializadoras e consumidores. Com uma base potencial muito mais pulverizada, produtos simplificados, contratação varejista e ferramentas de gestão tendem a ganhar importância para viabilizar a migração de clientes de menor porte.
Para Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, a mudança regulatória amplia o papel do consumidor na definição de sua estratégia de compra: “O consumidor passa a ter mais protagonismo e liberdade para definir sua estratégia de contratação. Estamos preparados para apoiar essa evolução com soluções voltadas especialmente ao segmento varejista e aos consumidores do Grupo B, que terão papel fundamental na próxima etapa de crescimento do mercado.”
Regulamentação será determinante
A expansão do ACL para a baixa tensão ainda depende de regulamentações que definirão a operação desse mercado. Entre os pontos relevantes estão os mecanismos de comercialização varejista, a padronização de produtos e as condições para que consumidores possam comparar ofertas e contratar energia fora do ambiente regulado.
Nesse cenário, a disputa entre comercializadoras tende a incorporar fatores além do preço. Flexibilidade contratual, previsibilidade de custos, gestão da exposição e atributos ambientais podem ganhar espaço na composição dos produtos destinados aos consumidores de menor porte.
A Armor também aposta na comercialização de energia renovável. Segundo a empresa, suas operações contribuíram para evitar mais de 350 mil toneladas de CO₂ por ano, resultado que a companhia compara ao plantio de aproximadamente 16 milhões de árvores. O crescimento da empresa acompanha essa expansão de mercado. Em 2025, a Armor ficou em primeiro lugar entre as companhias de energia com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões no Ranking EXAME Negócios em Expansão, após registrar crescimento de 522% em 2024.
A abertura da baixa tensão, portanto, coloca a comercialização varejista como uma das principais frentes de crescimento do ACL nos próximos anos. Para as empresas do setor, o desafio será transformar a ampliação da liberdade de escolha em produtos capazes de atender consumidores com perfis, volumes de consumo e necessidades de gestão bastante diferentes dos grandes clientes que historicamente formaram a base do mercado livre.
Marcelo Ávila avalia que a mudança exigirá adaptação das empresas que pretendem disputar esse novo mercado: “A abertura do mercado amplia as possibilidades para consumidores e exige empresas preparadas para oferecer inteligência, segurança e soluções que gerem valor no longo prazo. Estamos prontos para apoiar nossos clientes nesse novo momento do setor elétrico.”



