Governo de MG decide trocar comando da Cemig três meses após posse de CEO

Mateus Simões inicia transição na estatal; Marcio Nunes e Fernando Fagundes passam por análise de compliance para vaga de Alexandre Ramos.

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) passará por uma nova mudança no topo do seu comando executivo, apenas três meses após a posse do atual CEO, Alexandre Ramos. A decisão de indicar um novo nome para a presidência da estatal foi tomada pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões, motivada por alinhamentos políticos e reorganização de forças partidárias no estado.

A troca prematura na liderança ocorre em um momento de afunilamento do calendário eleitoral mineiro. Na estratégia desenhada pelo Palácio Tiradentes, a reconfiguração da diretoria busca estreitar o diálogo com legendas aliadas e acomodar grupos políticos na estrutura da maior concessionária de energia da região, inserindo um componente de instabilidade institucional na gestão da elétrica.

Nomes indicados passam por comitês de compliance

Para dar andamento ao processo de sucessão, dois nomes foram submetidos à avaliação formal dos comitês de governança e integridade da Cemig. O ex-presidente da Copasa e da Gasmig, Marcio Nunes, desponta como o favorito para ocupar o cargo executivo principal, respaldado por articulação ligada ao União Brasil e acumulando uma trajetória de 28 anos no grupo Eletrobras e na diretoria financeira de Furnas.

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A segunda opção avaliada pelo conselho é o executivo Fernando Fagundes, ex-diretor jurídico da Light e ex-procurador do Ministério Público de Minas Gerais. Ambos os perfis estão sob análise das instâncias internas de elegibilidade para atestar a conformidade com as regras de compliance da companhia aberta.

Com o rito de substituição em curso, o atual presidente, Alexandre Ramos, que acumulou a função executiva com a presidência do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), deixará o cargo. Sua permanência está prevista no Conselho de Administração da Cemig, mantendo uma ponte técnica e regulatória com a alta administração.

Efeitos na diretoria e reação do mercado elétrico

A alternância na presidência deve gerar desdobramentos operacionais e políticos em outras vice-presidências e diretorias da estatal, que devem entrar no processo de repactuação com a base aliada do governo estadual.

A elevada rotatividade no comando de uma das principais companhias do setor elétrico nacional liga o sinal de alerta entre investidores e analistas do mercado financeiro. A principal preocupação recai sobre o risco de descontinuidade no cronograma de investimentos em distribuição e geração, eventuais revisões em diretrizes operacionais e oscilações na política de distribuição de proventos aos acionistas no curto e médio prazo.

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