Etanol cai 2,7% em agosto e amplia vantagem sobre gasolina, aponta Veloe/Fipe

Biocombustível encerra o mês a R$ 4,050 por litro e relação com a gasolina recua ao menor nível da série histórica; no ano, etanol acumula queda de 9,5%

O etanol hidratado liderou a queda dos preços dos combustíveis em agosto e encerrou o mês com redução de 2,7%, a R$ 4,050 por litro, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis, elaborado pela Veloe com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O movimento ampliou a vantagem do biocombustível sobre a gasolina comum e levou a relação entre os dois produtos ao menor nível da série histórica iniciada em 2017.

Na média das unidades federativas, o preço do etanol correspondeu a 65,6% do valor da gasolina comum, que fechou agosto a R$ 6,654 por litro. Nas capitais, a proporção chegou a 66,2%, também o menor patamar já registrado pelo levantamento.

O resultado ocorre em um mercado no qual o etanol apresenta trajetória distinta dos demais combustíveis monitorados. Enquanto o biocombustível acumula queda de 9,5% em 2026, a gasolina comum registra alta de 6,0% e o diesel S-10 avança 12,4% no mesmo período.

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Cinco combustíveis tiveram queda

O recuo dos preços não ficou restrito ao etanol. Dos seis combustíveis acompanhados pelo levantamento, cinco ficaram mais baratos em agosto. Além da queda de 2,7% do etanol, o diesel comum recuou 1,1%, para R$ 6,752 por litro. A gasolina comum caiu 0,5%, a R$ 6,654, enquanto a gasolina aditivada teve redução de 0,4%. O diesel S-10 também caiu 0,4%, encerrando o mês a R$ 6,949 por litro. Já o GNV foi a exceção, com alta de 1,3%, para média nacional de R$ 4,900 por metro cúbico.

Apesar das quedas mensais, os combustíveis derivados de petróleo mantêm aumentos relevantes no acumulado do ano. O diesel S-10 apresenta a maior alta, de 12,4%, enquanto o diesel comum subiu 10,3%. Em 12 meses, as variações são de 5,1% de queda para o etanol, 6,0% de alta para a gasolina comum e 10,2% de avanço para o diesel comum.

Etanol é mais competitivo em nove estados

Considerando 70% como parâmetro de referência para a relação entre os preços do etanol e da gasolina, o biocombustível apresentou vantagem em nove unidades da federação.

Mato Grosso registrou a menor relação, de 55,6%, seguido por São Paulo, com 58,1%; Mato Grosso do Sul, com 61,8%; Goiás, com 61,9%; e Paraná, com 63,1%. Também ficaram abaixo do parâmetro Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Amazonas. Em Santa Catarina, a relação ficou exatamente em 70%.

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A diferença de preços também aparece nas médias estaduais. São Paulo apresentou o menor preço médio do etanol em agosto, a R$ 3,735 por litro, seguido por Mato Grosso (R$ 3,772), Mato Grosso do Sul (R$ 4,078), Minas Gerais (R$ 4,099) e Paraná (R$ 4,111).

A distribuição regional, contudo, permanece desigual. O Norte teve o maior preço médio do etanol, de R$ 5,082 por litro, enquanto o Nordeste registrou R$ 4,927. No Sudeste, onde ocorreu a maior queda mensal, de 3,3%, o preço médio ficou em R$ 3,892.

Gasolina mantém forte diferença regional

Na gasolina comum, a distância entre os mercados regionais também permanece elevada. O preço médio foi de R$ 6,467 por litro no Sul e R$ 6,487 no Sudeste, enquanto chegou a R$ 7,130 no Norte e R$ 6,960 no Nordeste.

Entre os estados, o menor preço médio foi registrado no Rio Grande do Sul, a R$ 6,336 por litro. Na sequência apareceram Minas Gerais, com R$ 6,391; São Paulo, com R$ 6,470; Santa Catarina, com R$ 6,477; e Paraíba, com R$ 6,592. No extremo oposto, Roraima apresentou o maior preço médio, de R$ 7,830 por litro. Acre, Rondônia, Amazonas e Sergipe completaram as cinco maiores médias estaduais.

Diesel recua em agosto, mas pressão permanece

O comportamento do diesel mostra uma diferença importante em relação ao resultado mensal do etanol. Embora os dois produtos tenham registrado queda em agosto, o combustível utilizado principalmente no transporte de cargas continua acumulando altas expressivas no ano.

O diesel S-10 terminou agosto a R$ 6,949 por litro, com retração de 0,4% no mês, mas alta de 12,4% desde o fim de 2025. O Norte apresentou a maior média regional, de R$ 7,254, enquanto o Sul registrou R$ 6,647. No diesel comum, a queda mensal foi maior, de 1,1%, mas o preço ainda acumula avanço de 10,3% no ano e de 10,2% em 12 meses.

Custo do abastecimento pesa mais no Norte e Nordeste

O impacto dos preços dos combustíveis sobre o orçamento das famílias também varia significativamente entre as regiões. De acordo com o Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, referente ao segundo trimestre de 2026, o abastecimento de um tanque de 55 litros de gasolina comum correspondia, em média, a 6,1% da renda domiciliar, alta de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

O comprometimento da renda foi maior no Nordeste, com 9,6%, e no Norte, com 8,0%. No Sudeste, o indicador ficou em 5,1%; no Sul, em 5,0%; e no Centro-Oeste, em 4,9%.

A combinação entre preços regionais e renda ajuda a explicar por que a redução do valor na bomba não produz o mesmo efeito sobre o consumidor em todo o país. Enquanto o etanol ganhou competitividade relativa em agosto, as condições de abastecimento permanecem bastante distintas entre os mercados estaduais.

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