No International Forum on Pumped Storage Hydropower, a estatal apresentou os progressos no planejamento energético e reforçou a importância da tecnologia para a segurança e flexibilidade do sistema elétrico
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) representou o Brasil na reunião da Aliança Global pelo Armazenamento por Bombeamento (GAPS, na sigla em inglês), realizada na segunda-feira (8) em Paris, durante o International Forum on Pumped Storage Hydropower. O encontro reuniu representantes de diversos países para debater os caminhos e desafios dessa tecnologia, considerada essencial para garantir confiabilidade, flexibilidade e sustentabilidade na transição energética global.
A GAPS foi criada durante a 29ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), em Baku, no Azerbaijão, com o propósito de articular iniciativas que fortaleçam o papel do armazenamento de energia por bombeamento hidráulico no processo de descarbonização mundial.
Planejamento e avanços brasileiros
Durante a reunião, o presidente da EPE, Thiago Prado, apresentou aos países-membros da Aliança os avanços recentes do Brasil no tema, destacando a necessidade de evolução contínua das ferramentas e modelos utilizados no planejamento energético. Segundo ele, o objetivo é capturar de forma mais precisa os benefícios do armazenamento para a expansão e a operação do sistema elétrico nacional.
Os progressos estarão refletidos nas próximas edições do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e do Plano Nacional de Energia (PNE), instrumentos centrais para orientar a política energética do país.
Prado também ressaltou o papel regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que vem desenvolvendo estudos e normas voltadas ao tema, e destacou os eventos promovidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que têm buscado mobilizar investidores, desenvolvedores e a indústria em torno da agenda de armazenamento.
Roadmap de usinas reversíveis
Em janeiro de 2025, a EPE lançou o documento “Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHR) – Perspectivas e caminhos para a inserção das usinas reversíveis no Brasil”. Apresentado em formato de webinário, o roadmap defende o armazenamento por bombeamento como tecnologia crucial para a segurança energética, a sustentabilidade e a resiliência do sistema.
Na reunião da GAPS, o superintendente adjunto de Geração de Energia da EPE, Caio Leocádio, detalhou que o roadmap estabelece como prioridades a sustentabilidade na localização dos projetos, a adaptação regulatória, o licenciamento ambiental, a reavaliação do desenho de mercado e o desenvolvimento de um projeto piloto.
Segundo ele, a meta é “aproveitar por completo o potencial do armazenamento de longa duração e possibilitar que o armazenamento por bombeamento exerça seu papel na entrega da capacidade total e da flexibilidade e confiabilidade do sistema no apoio à integração das renováveis e a uma transição energética confiável e acessível”.
Princípios da GAPS
Os países reunidos reafirmaram os compromissos centrais da Aliança Global pelo Armazenamento por Bombeamento, entre eles:
- Reafirmar o armazenamento como essencial para uma energia limpa, segura e confiável;
- Destacar seu papel no fortalecimento da flexibilidade e da resiliência da rede elétrica;
- Reconhecer o armazenamento por bombeamento como crucial para uma energia limpa e acessível;
- Enfatizar sua contribuição tanto para mitigação quanto para adaptação climática;
- Apoiar investimentos como vetores de crescimento econômico e geração de empregos;
- Promover a GAPS como plataforma de boas práticas, inovação e liderança;
- Defender metas de armazenamento de energia de longa duração;
- Estimular apoio governamental e parcerias público-privadas;
- Valorizar a capacitação da força de trabalho e a transferência de habilidades;
- Comprometer-se com a sustentabilidade, alinhando projetos às melhores práticas internacionais.
Brasil na vanguarda da transição energética
Com sua matriz elétrica já fortemente renovável e foco em ampliar fontes sustentáveis, o Brasil busca consolidar o armazenamento por bombeamento como elemento-chave para integrar a geração solar e eólica, cada vez mais representativas. A participação ativa da EPE na GAPS reforça o posicionamento do país como protagonista em debates globais sobre transição energética.
A expectativa é que, com a combinação de avanços regulatórios, inovação tecnológica e novos investimentos, o armazenamento por bombeamento hidrelétrico ganhe espaço no planejamento nacional, contribuindo para a segurança de suprimento e para a redução da dependência de usinas térmicas em momentos de maior demanda.



