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Silveira articula avanço da Política de Minerais Críticos no Senado após aprovação na Câmara

Silveira articula avanço da Política de Minerais Críticos no Senado após aprovação na Câmara

Projeto cria diretrizes para cadeia de minerais estratégicos, amplia foco em industrialização e prevê investimentos obrigatórios em PD&I

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que atuará junto ao Senado Federal para acelerar a tramitação do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (6) e segue agora para análise dos senadores.

O Projeto de Lei 2780/24, de autoria do deputado Zé Silva e outros parlamentares, foi aprovado na forma do substitutivo relatado por Arnaldo Jardim. O texto incorpora medidas defendidas pelo governo federal para ampliar a capacidade nacional de processamento mineral, incentivar inovação tecnológica e fortalecer a inserção do Brasil nas cadeias globais ligadas à transição energética.

A proposta trata de minerais considerados estratégicos para setores como baterias, mobilidade elétrica, armazenamento de energia, indústria de alta tecnologia e equipamentos associados à descarbonização da economia.

“Ao transformar esses recursos em eixo de uma política de Estado, o Brasil, liderado pelo presidente Lula, sinaliza que não pretende ocupar apenas o papel de exportador de matéria-prima bruta, mas também ampliar sua capacidade industrial e tecnológica. O Brasil dá um recado claro: suas riquezas naturais devem servir prioritariamente aos interesses do povo brasileiro, à modernização da economia e à afirmação da soberania nacional em um cenário internacional cada vez mais competitivo. Fizemos um grande trabalho junto ao relator, deputado Arnaldo Jardim, para que a exploração mineral estivesse alinhada aos interesses nacionais e, agora, vamos trabalhar pela aprovação do projeto no Senado Federal preservando essas medidas que trazem avanços fundamentais para o país”, afirmou Silveira.

Projeto amplia foco em inovação e agregação de valor

Um dos principais pontos defendidos pelo Ministério de Minas e Energia durante a tramitação foi a inclusão de investimentos obrigatórios em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) ao longo da cadeia mineral.

A lógica segue modelos já aplicados em segmentos regulados do setor energético. No setor elétrico, concessionárias destinam recursos obrigatórios para programas de eficiência energética e inovação tecnológica. Já na indústria de petróleo e gás, contratos regulados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também preveem aportes compulsórios em PD&I.

O governo avalia que a medida pode estimular a produção de tecnologia nacional, ampliar investimentos industriais e fortalecer a capacidade brasileira de beneficiamento mineral.

“Queremos estimular à agregação de valor dentro do território brasileiro, incentivando à pesquisa tecnológica, a atração de investimentos em processamento industrial e o fortalecimento da capacidade nacional de inovação. Tudo isso vai contribuir para a geração de empregos qualificados, expansão industrial e fortalecimento da posição brasileira nas cadeias estratégicas mundiais”, reforçou o ministro.

Fundo garantidor e incentivos fiscais entram no centro da proposta

O texto aprovado também modifica regras relacionadas ao Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com previsão de contribuições escalonadas e mecanismos voltados à redução de riscos em projetos minerais, especialmente nas fases iniciais de operação.

A avaliação do governo é que o aperfeiçoamento das garantias pode ampliar a atratividade de investimentos de longo prazo em minerais críticos e estratégicos. Outro eixo da proposta envolve incentivos fiscais e tributários destinados ao beneficiamento mineral e à industrialização da cadeia no território nacional.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o objetivo é ampliar a competitividade da indústria mineral brasileira em um momento de aumento global da demanda por minerais ligados à transição energética, eletrificação e armazenamento de energia.

Cadeia mineral ganha peso estratégico na transição energética

O avanço da Política Nacional de Minerais Críticos ocorre em meio à disputa internacional por insumos considerados essenciais para tecnologias de baixo carbono.

Minerais como lítio, níquel, cobre, grafite e terras raras ganharam relevância estratégica nos últimos anos devido ao crescimento dos mercados de baterias, veículos elétricos, geração renovável e infraestrutura digital.

A avaliação do governo é que o Brasil possui potencial para ampliar participação nessas cadeias globais não apenas como fornecedor de minério, mas também como polo de processamento, inovação e desenvolvimento industrial.

A proposta aprovada pela Câmara também prevê estímulos à formação de mão de obra especializada, fortalecimento de centros de pesquisa e ampliação da articulação entre universidades e empresas do setor mineral.