Refino de combustíveis: nova tecnologia promete reduzir o “quality giveaway” e otimizar margens no Brasil

Solução apresentada pela Pensalab foca na precisão analítica do QAV e SAF para eliminar custos excedentes gerados por incertezas laboratoriais em métodos manuais.

No complexo setor de refino de petróleo, a conformidade com os padrões de qualidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é um requisito mandatório que não admite margens para erro. Entretanto, a incerteza inerente aos métodos de análise laboratoriais tradicionais tem alimentado um fenômeno econômico oneroso: o quality giveaway, ou desperdício de qualidade.

Para enfrentar esse gargalo operacional, a Pensalab introduz no mercado brasileiro o analisador 70Xe, desenvolvido pela norte-americana PAC. O equipamento é projetado para elevar a estabilidade e a precisão das medições de querosene de aviação (QAV), Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel, permitindo que as refinarias operem em níveis de eficiência mais próximos dos limites normativos.

O custo invisível da incerteza analítica

O conceito de quality giveaway manifesta-se quando uma refinaria, para mitigar o risco de rejeição de um lote, produz um combustível com qualidade superior à exigida pela norma. Essa “margem de segurança” excessiva é adotada para compensar possíveis erros de medição de instrumentos manuais.

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Em uma escala hipotética, se o parâmetro de aceitação é de 50%, o produtor pode mirar em 55% para garantir a conformidade. Embora 5% pareça uma variação pequena isoladamente, o impacto financeiro ganha proporções gigantescas quando aplicado à escala nacional. Com a projeção de que o Brasil consuma mais de 7,5 bilhões de litros de querosene de aviação em 2026, qualquer redução no custo excedente de produção gera um alívio significativo em toda a cadeia logística.

Giuliano Piagentini, especialista de produto da Pensalab, enfatiza que a tecnologia do 70Xe permite que os clientes trabalhem com uma margem muito mais próxima do ideal normativo, o que preserva a integridade da produção e gera uma economia real de custo no produto final.

Automação contra variáveis ambientais

A superação do desperdício exige técnicas de medição mais estáveis do que as convencionais. Nos métodos manuais de ensaio de viscosidade, fatores externos como a umidade do ar e a formação de cristais de gelo em temperaturas negativas (entre -20°C e -40°C) podem turvar banhos e embaçar tubos de vidro, comprometendo a precisão dos resultados.

Ao detalhar o funcionamento da nova ferramenta, Piagentini explica que o analisador 70Xe elimina essas variáveis ao utilizar um sistema automatizado e compacto, sem a necessidade de banhos líquidos externos. O especialista aponta que, ao resfriar a câmara de amostra internamente e medir o escoamento de forma eletrônica, o equipamento mitiga os erros operacionais suscetíveis ao ambiente ou ao operador, garantindo que o resultado reportado seja o mais fiel possível à realidade da amostra.

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Integração de dados e segurança operacional

A eficiência da série 70Xe estende-se além da viscosidade. O sistema realiza, de forma sequencial e em um único ciclo de 25 minutos, ensaios de densidade e ponto de congelamento no QAV, além de fluidez e névoa no diesel. Essa integração oferece aos gestores de refinaria uma visão holística e célere da qualidade do combustível.

Com dados mais confiáveis e rápidos, a indústria ganha agilidade para evitar paralisações desnecessárias ou o reprocessamento de lotes por dúvidas analíticas. Piagentini conclui destacando que, para combustíveis de alta criticidade como o de aviação, onde a margem para erro é inexistente, a transição para tecnologias de alta precisão como a série 70Xe representa a mudança de uma mentalidade de excesso de segurança oneroso para uma de precisão eficiente e certificada.

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