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Axia Energia refuta tese de crise estrutural de liquidez e defende estabilidade regulatória de preços

Axia Energia refuta tese de crise estrutural de liquidez e defende estabilidade regulatória de preços

Em teleconferência de resultados, vice-presidente da companhia minimiza impactos no mercado de comercialização e descarta necessidade de alteração nos parâmetros de precificação do setor.

O mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil tem sido palco de debates intensos sobre a solidez das transações bilaterais, mas, para a Axia Energia, o cenário atual não configura uma ruptura sistêmica. Durante a teleconferência de resultados trimestrais realizada nesta quinta-feira (7), a companhia buscou tranquilizar investidores e agentes ao descartar a existência de uma crise de liquidez de natureza estrutural no ambiente de contratação.

Embora o setor monitore com atenção os movimentos de volatilidade, a percepção da empresa é de que os fundamentos do mercado permanecem íntegros. No entanto, a gestão da Axia reconhece que gargalos específicos podem surgir em função do comportamento dos agentes. O vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da Axia Energia, Rodrigo Limp, pontua que eventuais dificuldades possuem natureza transitória, motivada pelo aumento do risco de contraparte nas negociações bilaterais de compra e venda de energia.

Defesa do modelo de precificação

A discussão sobre a liquidez costuma vir acompanhada de pressões por ajustes nos modelos computacionais ou nas regras de formação de preços. Contudo, a Axia posicionou-se de forma conservadora quanto a intervenções regulatórias motivadas por janelas de curto prazo. A liderança da empresa sustenta que o arcabouço atual é robusto o suficiente para absorver flutuações de mercado.

Ao abordar a possibilidade de revisão das normas vigentes, Rodrigo Limp enfatizou que a companhia elétrica não vê sustentação técnica ou jurídica que justifique eventuais mudanças nos parâmetros do modelo de precificação de energia no Brasil em função da piora de liquidez no mercado.

Performance financeira e visão de mercado

No campo dos resultados, a Axia reportou um Ebitda ajustado de R$ 8,6 bilhões. Apesar da robustez do número, o balanço gerou uma reação imediata na B3, com os papéis da companhia recuando cerca de 5% no pregão desta quinta-feira. O movimento foi lido por analistas como uma correção às expectativas do mercado, que projetava um patamar de lucro e dividendos superior ao entregue, influenciado por uma contribuição mais tímida dos segmentos de transmissão e geração.

A despeito da volatilidade das ações, o mercado financeiro mantém uma perspectiva resiliente para a empresa. Um relatório divulgado pela XP Expert indica que o Ebitda ficou entre 2% e 5% abaixo das estimativas iniciais, enquanto o lucro da geração foi 7% menor que o esperado. Todavia, a corretora avalia que esse “pequeno” desvio nos resultados não é “algo muito preocupante” e não deveria levar a revisões estruturais, mantendo a recomendação de compra com foco em estratégias de longo prazo.

Risco de contraparte e governança

O foco da Axia em classificar a crise como “conjuntural” direciona o olhar do setor para a importância da gestão de risco e do crédito nas operações de balcão. Para a companhia, a solução para os desafios de liquidez passa mais pelo fortalecimento das garantias e da governança entre os agentes do que por alterações profundas na sinalização de preços do sistema.

Essa postura reforça a confiança na maturidade do Mercado Livre de Energia, mesmo em um período onde a seletividade dos players e o custo de capital impõem uma dinâmica mais restritiva às negociações de longo prazo.