Produção total alcança 5,53 milhões de barris equivalentes por dia em março, impulsionada pela expansão do pré-sal e pelo avanço operacional em Búzios e Mero
O Brasil voltou a registrar recorde histórico na produção de petróleo e gás natural em março de 2026, consolidando o avanço estrutural do pré-sal como principal motor energético do país. Dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção nacional atingiu 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), superando a marca recorde registrada no mês anterior.
O desempenho reforça a posição do Brasil entre os principais produtores globais de petróleo offshore e amplia a relevância estratégica do pré-sal na segurança energética, geração de receitas e expansão das exportações brasileiras de energia.
A nova máxima histórica ocorre em meio à aceleração da produção em campos da Bacia de Santos, avanço operacional de plataformas de última geração e maior eficiência na exploração em águas ultraprofundas.
Produção de petróleo cresce mais de 17% em um ano
A produção nacional de petróleo alcançou 4,247 milhões de barris por dia (bbl/d) em março, resultado que representa crescimento de 4,6% frente a fevereiro e avanço expressivo de 17,3% em comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho reflete principalmente o amadurecimento operacional de ativos estratégicos no pré-sal, além da entrada gradual de novos poços produtores em operação.
A expansão da curva produtiva brasileira também evidencia o fortalecimento dos projetos offshore de elevada produtividade e baixo custo de extração, fator que mantém o petróleo brasileiro competitivo mesmo em cenários internacionais de volatilidade nos preços do barril.
No segmento de gás natural, o país também registrou forte crescimento. A produção alcançou 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), alta de 3,3% em relação ao mês anterior e avanço de 23,3% na comparação anual.
O crescimento da oferta doméstica de gás ocorre em um momento de ampliação das discussões sobre segurança energética, abertura do mercado e expansão da infraestrutura de processamento e escoamento do combustível no país.
Pré-sal amplia protagonismo e atinge novo recorde histórico
O pré-sal manteve sua trajetória de expansão acelerada e atingiu novo recorde de produção em março. A produção total de petróleo e gás natural na província alcançou 4,421 milhões de boe/d, equivalente a 79,9% de toda a produção nacional brasileira.
O resultado representa crescimento de 3,6% em relação a fevereiro e avanço de 19% frente ao mesmo mês de 2025. Ao longo do mês, foram produzidos 3,410 milhões de barris diários de petróleo e 160,69 milhões de metros cúbicos de gás natural a partir de 184 poços localizados em águas ultraprofundas.
A consolidação do pré-sal como principal polo energético nacional reforça a importância estratégica das bacias offshore brasileiras para o abastecimento interno, geração de caixa das petroleiras e atração de investimentos em infraestrutura energética.
Além disso, o avanço produtivo amplia o peso do Brasil no mercado global de exportação de petróleo, especialmente diante da elevada produtividade dos reservatórios brasileiros.
Búzios e Mero lideram expansão da produção offshore
Os campos de Búzios e Mero, ambos localizados na Bacia de Santos, seguiram liderando a produção nacional em março.
O campo de Búzios foi novamente o maior produtor de petróleo do país, com média de 886,43 mil barris por dia. Já Campo de Mero registrou a maior produção nacional de gás natural, alcançando 42,06 milhões de metros cúbicos diários.
As plataformas também apresentaram desempenho operacional relevante no período. O FPSO Almirante Tamandaré, instalado em Búzios, liderou a produção de petróleo entre as unidades offshore, com 186.088 barris diários.
No segmento de gás natural, o destaque ficou para o FPSO Guanabara, em Mero, com produção de 12,08 milhões de metros cúbicos por dia. Os resultados reforçam a importância dos FPSOs de nova geração no aumento da capacidade produtiva brasileira e na ampliação da eficiência operacional no offshore.
Aproveitamento de gás natural avança e queima recua
Outro indicador relevante do boletim da ANP foi o elevado índice de aproveitamento do gás natural produzido no país.
Em março, o aproveitamento atingiu 97,3%, refletindo avanços na gestão operacional, reinjeção e destinação comercial do combustível. O volume disponibilizado ao mercado somou 67,39 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto a queima caiu para 5,46 milhões de m³/d. O resultado representa redução de 6,3% frente ao mês anterior e queda de 5,4% na comparação anual.
A diminuição da queima de gás é acompanhada de perto pelo setor energético e por investidores, principalmente em razão das metas de descarbonização e das pressões ambientais associadas às emissões operacionais da indústria de óleo e gás.
Petrobras mantém liderança absoluta na produção nacional
Os dados da ANP também mostram que a Petrobras segue como principal operadora da produção brasileira de petróleo e gás. Os campos operados pela estatal, individualmente ou em consórcio com outras empresas, responderam por 88,23% de toda a produção nacional em março.
A produção brasileira teve origem em 6.086 poços, sendo 590 marítimos e 5.496 terrestres. Os campos offshore permaneceram dominantes no volume produzido, respondendo por 98% da produção de petróleo e 87,8% da produção nacional de gás natural.
O cenário reforça a crescente concentração da produção brasileira em ativos marítimos de alta produtividade, especialmente no pré-sal da Bacia de Santos.
Expansão da produção fortalece papel estratégico do Brasil no mercado global
O avanço contínuo da produção brasileira de petróleo e gás ocorre em um momento de reconfiguração do mercado energético global, marcado por tensões geopolíticas, transição energética e crescimento da demanda internacional por segurança no abastecimento.
Especialistas avaliam que a combinação entre reservas de elevada produtividade, baixo lifting cost e expansão da infraestrutura offshore posiciona o Brasil entre os mercados mais competitivos do setor de óleo e gás na próxima década.
Ao mesmo tempo, o crescimento da produção amplia desafios relacionados à infraestrutura de escoamento, processamento de gás natural, licenciamento ambiental e equilíbrio entre expansão fóssil e metas climáticas.
Com novos FPSOs previstos para entrar em operação nos próximos anos, a tendência é que o país continue ampliando sua relevância geopolítica e energética no cenário internacional.



