Brasol Invest capta R$ 550 mi com FIIs em GD e mira R$ 1 bi até 2027

Gestora consolida tese em ativos de energia solar com portfólio de 114 MWp, dividend yield acima de 13% e receitas descorrelacionadas do PLD

A convergência entre a infraestrutura do setor elétrico e o mercado de capitais brasileiro ganha novos contornos com o avanço dos fundos focados em ativos reais de energia. A Brasol Invest, gestora especializada em ativos de transição energética, encerrou seu primeiro ano de atuação no mercado com uma captação acumulada de R$ 550 milhões distribuída em dois fundos imobiliários (FIIs). O desempenho valida a tese de transformação de projetos operacionais de geração distribuída (GD) solar em veículos financeiros de renda previsível e baixa volatilidade.

A estrutura de negócios da gestora apoia-se em carteiras operacionais que somam 114 MWp em capacidade instalada, com presença geográfica pulverizada em dez estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Piauí, Pernambuco, Mato Grosso, Maranhão, Paraíba e Mato Grosso do Sul). Após o ciclo inicial de estruturação, a casa prepara a emissão de dois novos fundos, mirando uma captação adicional de até R$ 1 bilhão até o encerramento de 2027 para financiar a expansão de sua tese no segmento solar.

Estruturação contratual e mitigações de risco operacional

A modelagem financeira adotada pela gestora consiste em empacotar contratos de locação de longo prazo atrelados a usinas fotovoltaicas performadas. O formato busca isolar os riscos típicos do desenvolvimento de projetos energéticos, como o risco de engenharia (greenfield), atrasos no comissionamento ou pendências de conexão junto às distribuidoras de energia elétrica.

- Advertisement -

Ao analisar a governança e a seleção dos projetos que compõem o portfólio da gestora, o diretor de investimentos da Brasol Invest, Carlos Eduardo Bacha, detalha a dinâmica de mitigação de riscos oferecida ao mercado de capitais: “Estruturamos contratos de locação de longo prazo associados à ativos de geração distribuída e adquirimos projetos performados, sem risco de obra, permitindo ao investidor acessar ativos atraentes, com previsibilidade de receita e baixa volatilidade. Nosso foco é transformar essas características em produtos de investimento com geração de renda mensal consistente para o investidor.”

A estratégia de distribuição envolveu diferentes canais de mercado. O primeiro fundo da casa, distribuído pela EQI Investimentos, ultrapassou 12 meses de histórico com dividend yield anualizado superior a 13% e distribuição mensal de proventos. Um segundo veículo, direcionado ao segmento de wealth management e distribuído pela XP Investimentos por meio da FAMI Capital, encontra-se em estágio de maturação.

Geração distribuída como classe de ativos de renda fixa alternativa

A migração de ativos de infraestrutura hídrica, eólica e solar para estruturas securitizadas tem atraído investidores institucionais e de alta renda que buscam proteção patrimonial e imunidade às flutuações de curto prazo do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) do mercado livre. Como a geração distribuída opera sob contratos de locação e compensação de créditos com contrapartes comerciais e industriais, a receita permanece descorrelacionada da volatilidade do mercado atacadista de eletricidade.

Em relação à atratividade do modelo frente a cenários macroeconômicos desafiadores e ao rigor no controle de crédito dos locatários, Carlos Eduardo Bacha enfatiza o enquadramento do produto no portfólio dos investidores: “É um produto para alocação robusta para investidores institucionais e individuais que priorizam ativos reais, rendimento consistente e proteção patrimonial.”

- Advertisement -

Com o planejamento para captar até R$ 1 bilhão nos próximos ciclos, a gestora reforça a tendência de financeirização da infraestrutura de energia renovável no Brasil, consolidando a geração distribuída como um importante vetor de renda passiva no mercado de fundos listados e fechados.

Destaques da Semana

CPFL sinaliza interesse na Enel SP e defende redes mais resilientes no setor elétrico

CEO Gustavo Estrella afirma que companhia está preparada para...

Electra vai à ANEEL contra cassação e alerta para contágio tarifário no ACR

Comercializadora em recuperação judicial argumenta que perda de outorga...

Setor elétrico se une em defesa da neutralidade tecnológica e apoia projeto para destravar leilão de baterias

Associações afirmam que regra atual cria insegurança jurídica, encarece...

Artigos

Últimas Notícias