ANEEL reduz reserva técnica e eleva bônus de Itaipu para R$ 872 milhões

Decisão por maioria atende a voto-vista do diretor Fernando Mosna, fixando retenção em 4% e garantindo injeção extra de R$ 104 milhões para aliviar faturas de consumidores em agosto.

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, na tarde desta terça-feira (30), a homologação das diretrizes financeiras da Conta de Comercialização de Energia Elétrica de Itaipu para o ciclo vigente. Por um placar de quatro votos a um, o órgão regulador validou a distribuição de R$ 872,1 milhões aos consumidores elegíveis por meio do Bônus de Itaipu. O volume final representa uma majoração de 13,6%, correspondente a um acréscimo de aproximadamente R$ 104 milhões, em relação ao montante de R$ 767,2 milhões que constava para distribuição no voto da relatora, diretora Agnes Costa, e na recomendação da área técnica.

A alteração no balanço de repasses decorreu de uma divergência aberta no colegiado. O diretor Fernando Mosna, após pedir vista do processo durante a sessão matutina, apresentou uma proposta alternativa que reduziu o provisionamento da reserva técnica de R$ 524,4 milhões para R$ 419,5 milhões. Ao recuar o índice de retenção de 5% para 4% do recolhimento anual previsto pelas distribuidoras, a nova modelagem liberou os recursos excedentes e elevou diretamente o montante final do bônus.

Histórico de sobras subsidia flexibilização de colchão financeiro

O debate centralizado na modicidade tarifária girou em torno do limite prudencial para o fundo de contingência da conta da usina binacional. Ao estruturar os parâmetros de risco regulatório, a área técnica defendia a retenção no teto estabelecido pela legislação, enquanto a vertente condutora do voto-vista defendeu que o histórico de liquidez confere margem para uma atuação mais agressiva em favor do consumidor regulado.

- Advertisement -

Ao justificar o redimensionamento do fundo, o diretor Fernando Mosna ponderou as balizas normativas e o comportamento financeiro verificado no ciclo anterior: “Ele argumentou que o teto regulatório estipulado para a reserva técnica anual é de 5%, ressaltando que o índice adotado em 2025 foi de 3,07%, patamar que, mesmo inferior, mostrou-se suficiente e resultou em saldo remanescente na conta.”

Com a aprovação da alíquota de 4%, os recursos excedentes que seriam retidos no colchão financeiro foram diretamente convertidos em margem para o saldo residual de rateio, ampliando o poder de amortecimento nas tarifas de baixa tensão do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Prazos de crédito e critérios de elegibilidade no mercado cativo

O cronograma de operacionalização financeira dita que os bônus acumulados cheguem de forma célere à ponta final do consumo. Conforme os critérios regulatórios estabelecidos para o rateio do saldo ajustado, os recursos do bônus de Itaipu serão abatidos em agosto nas faturas de energia elétrica dos consumidores residenciais e rurais que tiveram consumo faturado inferior a 350 kWh (quilowatts-hora) em ao menos um mês de 2025.

A medida serve como um mecanismo de alívio tarifário focalizado no ambiente de contratação regulada, alinhando a eficiência alocativa da usina à proteção das classes de consumo de menor porte diante da atual estrutura de encargos do setor.

Destaques da Semana

Ludimila Lima assume diretoria da ANEEL após fim do mandato de Fernando Mosna

Publicada no Diário Oficial da União, convocação da superintendente...

Petrobras confirma presença de hidrocarbonetos no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas

Perfuração no bloco FZA-M-59 atinge intervalo com óleo em...

Alcolumbre envia marco dos minerais críticos às comissões e afasta urgência no Senado

Matéria central para a cadeia de baterias, eólicas e...

Governo publica decretos que abrem baixa tensão no Mercado Livre e regulamentam CCS e SAF

Regras fixam migração de comércios em 2027 e residências...

Artigos

Últimas Notícias