Renova reduz exposição ao curtailment com data center de 80 MW no Alto Sertão III

Projeto Satoshi absorveu cerca de 80 MW no segundo trimestre, mas cortes de geração da companhia subiram 35,4% e chegaram a 110,7 GWh; EBITDA avançou 56% no período

A Renova Energia avançou na implantação do Projeto Satoshi, data center instalado junto ao complexo eólico Alto Sertão III, na Bahia, mas continuou pressionada pelo aumento das restrições de geração no segundo trimestre de 2026. A infraestrutura atingiu consumo médio de aproximadamente 80 MW, próximo da capacidade nominal de 90 MW, enquanto o curtailment dos ativos da companhia chegou a 110,7 GWh, alta de 35,4% em relação aos 81,8 GWh registrados no mesmo período de 2025.

O volume de energia não gerada por restrições representou 26,7% da geração bruta da Renova no trimestre. O resultado já considera o efeito da carga do Satoshi na absorção local de energia, uma vez que parte da produção do complexo passa a ser consumida diretamente pela infraestrutura de dados.

Satoshi deve atingir 90 MW no 3T26

A Renova espera levar o data center à capacidade nominal ainda no terceiro trimestre. O cronograma sofreu atraso em relação à previsão inicial em razão de gargalos logísticos e dificuldades aduaneiras para desembaraço de equipamentos, em um cenário de maior complexidade no comércio internacional.

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A conclusão da implantação do Satoshi é estratégica para a companhia porque cria uma carga eletrointensiva próxima à geração renovável do Alto Sertão III. A estrutura permite consumir parte da energia localmente em momentos nos quais restrições de transmissão limitariam a entrega ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Restrições energéticas respondem pela maior parcela

Do total de 110,7 GWh de energia restringida no trimestre, 59,5 GWh decorreram de restrições classificadas como energéticas. Outros 51,1 GWh foram associados a indisponibilidades externas na rede de transmissão, enquanto as restrições relacionadas à confiabilidade elétrica somaram 100 MWh.

A geração bruta da Renova alcançou 415 GWh, crescimento de 3% sobre o segundo trimestre de 2025, mesmo com condições menos favoráveis de vento na Bahia. O aumento, porém, não se refletiu na energia efetivamente entregue ao SIN: a geração líquida caiu 5,1%, para 304,3 GWh.

Diante da recorrência dos cortes, a companhia confirmou a adesão aos mecanismos de ressarcimento relacionados ao curtailment, buscando reduzir o impacto econômico das restrições sobre os ativos de geração.

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EBITDA cresce 56% com contribuição do Satoshi

O avanço do data center começa a aparecer nos resultados financeiros da Renova. A receita operacional líquida acumulada no primeiro semestre chegou a R$ 241,3 milhões, alta de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025.

No segundo trimestre, contudo, a receita líquida recuou 15%, para R$ 127,5 milhões, devido principalmente à base de comparação elevada do ano anterior, quando a comercialização de energia no mercado livre apresentou volumes atípicos.

O EBITDA foi na direção oposta e cresceu 56%, passando de R$ 47,2 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 73,6 milhões no 2T26. O fluxo de caixa operacional acumulado no semestre somou R$ 119 milhões, enquanto o caixa final alcançou R$ 83,4 milhões, alta de 15,2% frente a dezembro de 2025. O resultado líquido do trimestre, porém, permaneceu negativo em R$ 3 milhões.

A administração atribui parte da evolução financeira à monetização recorrente do Satoshi e mantém como prioridade concluir a operação integral do projeto, com 100% da capacidade de consumo contratada e disponível.

Renova amplia estratégia para além da geração

Os investimentos consolidados no período somaram R$ 59,1 milhões. Desse total, R$ 24,4 milhões corresponderam ao capex residual da Renova na infraestrutura do data center, enquanto R$ 34,7 milhões foram despesas aduaneiras assumidas pelo cliente final.

A implantação do Satoshi altera a posição estratégica da companhia ao combinar geração renovável com infraestrutura para consumidores eletrointensivos. O modelo reduz a dependência exclusiva da venda da energia produzida e cria uma alternativa de consumo associado à própria geração.

A Renova avalia ainda novas oportunidades para atração de carga direta ao Alto Sertão III, mas não possui, neste momento, novos projetos com cronograma ou investimentos formalmente aprovados. O desempenho do Satoshi, portanto, passa a ser um dos principais testes da estratégia de aproximar geração renovável e grandes cargas em uma região submetida a restrições de escoamento.

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