ABC propõe 2% do PIB para ciência e plano nacional para transmissão, armazenamento e hidrogênio

Documento entregue a candidatos defende expansão da rede elétrica, marco regulatório para armazenamento de longa duração, política para hidrogênio verde e estratégia para minerais críticos

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) apresentou um conjunto de propostas para ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento nacional que inclui medidas diretamente relacionadas à expansão e à modernização do setor energético. O documento O Futuro Não Pode Esperar: Ciência, Educação, Inovação e Soberania para um Projeto Nacional de Desenvolvimento defende maior previsibilidade para investimentos em infraestrutura, políticas de Estado para a transição energética e aumento do financiamento à pesquisa.

Entre as principais recomendações estão a criação de um Programa Nacional Emergencial de Expansão da Rede de Transmissão, a regulamentação do armazenamento de energia de longa duração, a instituição de uma política nacional para o hidrogênio verde e o aumento progressivo dos investimentos em ciência e tecnologia até alcançar 2% do PIB.

Transmissão entra no centro da estratégia

Na avaliação apresentada pela ABC, a expansão das fontes renováveis precisa ser acompanhada pelo reforço da infraestrutura de transmissão. O objetivo é reduzir gargalos de escoamento e evitar que restrições na rede limitem a utilização da capacidade de geração disponível. Para isso, a entidade propõe um programa nacional com metas anuais e previsibilidade orçamentária, direcionado à expansão da rede e à ampliação da capacidade de atendimento às áreas de carga.

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A recomendação ocorre em um contexto de crescimento da geração eólica e solar e de maior complexidade na operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). A expansão da infraestrutura passa a ser necessária não apenas para incorporar novos empreendimentos, mas também para reduzir restrições operacionais e aumentar a flexibilidade do sistema.

Armazenamento e hidrogênio verde

Outro eixo do documento é a criação de um marco regulatório específico para o armazenamento de energia de longa duração. A ABC defende um programa de aceleração para a incorporação de baterias e sistemas reversíveis ao SIN.

A proposta busca ampliar a capacidade de gerenciamento da variabilidade das fontes renováveis e criar condições regulatórias para o desenvolvimento de novas tecnologias de armazenamento. No hidrogênio, a entidade recomenda a criação de uma Política de Estado para o Hidrogênio Verde, associada à recomposição dos recursos destinados à ciência, tecnologia e inovação aplicadas à transição energética.

A estratégia amplia o foco para além da expansão da geração renovável, incluindo tecnologias capazes de integrar diferentes segmentos da matriz energética e industrial.

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Minerais críticos ganham papel estratégico

A eletrificação da economia também é tratada pela ABC como uma questão de soberania tecnológica. O documento propõe uma Política Nacional para Minerais Críticos e Estratégicos, com foco em recursos como lítio, terras raras, níquel e cobre.

A recomendação é combinar o aproveitamento das reservas brasileiras com o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais. A intenção é aumentar a agregação de valor tecnológico antes da exportação dos minerais, reduzindo a dependência de produtos de maior complexidade tecnológica fabricados no exterior.

A agenda está diretamente relacionada à expansão de tecnologias de eletrificação, armazenamento e geração de baixo carbono, que demandam volumes crescentes de minerais estratégicos.

ABC quer elevar investimento em CT&I a 2% do PIB

No eixo de financiamento, a Academia propõe elevar gradualmente os investimentos brasileiros em pesquisa e desenvolvimento até 2% do Produto Interno Bruto. A medida busca dar maior estabilidade aos recursos destinados a universidades, institutos de ciência e tecnologia e empresas.

O documento aponta ainda a necessidade de formar profissionais para áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento tecnológico. Entre os setores citados estão inteligência artificial, materiais avançados, agricultura de precisão, saúde digital e transição energética.

A proposta inclui a criação de Centros de Formação em Áreas Estratégicas e a ampliação do ensino técnico-profissionalizante para alcançar 50% dos estudantes do ensino médio até 2035, por meio do fortalecimento de redes estaduais de educação profissional e tecnológica.

Transição energética vinculada à política climática

A ABC também propõe a redução gradual da utilização de combustíveis fósseis, acompanhada da expansão de fontes renováveis e de baixo carbono. A estratégia é apresentada em conjunto com medidas de proteção ambiental, incluindo metas para eliminação do desmatamento e da degradação florestal e um programa de restauração de biomas.

O conjunto de recomendações coloca energia, ciência, infraestrutura, minerais estratégicos e formação profissional dentro de uma mesma agenda de desenvolvimento. Para o setor elétrico, as propostas concentram-se principalmente na expansão da transmissão, regulamentação do armazenamento, desenvolvimento do hidrogênio verde e fortalecimento da base tecnológica necessária à transição energética.

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