Separação entre a distribuição de combustíveis e o braço sucroenergético ganha tração após acordo com credores; rede Shell eleva EBITDA, enquanto clima e cotações pressionam bioenergia.
A Raízen avança na simplificação de sua estrutura após concluir a aprovação judicial do plano de reestruturação que prevê o reperfilamento de R$ 65 bilhões em passivos. A companhia prepara a separação operacional entre os negócios de distribuição de combustíveis e a divisão sucroenergética, com a expectativa de formar duas empresas independentes e concentradas em seus respectivos mercados.
A estratégia foi reforçada durante a apresentação dos resultados do trimestre e ocorre após um período de elevada alavancagem, custo financeiro pressionado e dificuldades operacionais na produção de açúcar e etanol. A reorganização busca permitir que cada negócio tenha uma estrutura de capital e uma estratégia de investimentos mais alinhadas às suas características.
Ao destacar os ganhos de eficiência esperados com a nova arquitetura corporativa, o presidente da Raízen, Nelson Gomes, sinalizou a busca por agilidade operacional e ressaltou que a reorganização resultará em duas companhias ágeis, eficientes e preparadas para competir em seus respectivos mercados.
Distribuição de Combustível Sustenta Resultado
A divisão de distribuição, que opera a rede de postos com a marca Shell, apresentou forte melhora operacional no trimestre. O EBITDA ajustado chegou a R$ 3,54 bilhões, montante equivalente a mais de três vezes o registrado no mesmo período do ano anterior.
O desempenho foi favorecido pela valorização das cotações do petróleo e pelo aumento da fiscalização sobre o mercado de distribuição de combustíveis. A companhia aponta que o reforço das ações contra irregularidades contribuiu para reduzir distorções competitivas que afetavam o setor. O resultado consolida a operação de combustíveis como o principal vetor de geração de caixa da empresa durante o processo de reorganização.
Sucroenergético Enfrenta Pressão Climática e de Preços
O cenário foi diferente na divisão de açúcar e etanol. A unidade enfrentou menor disponibilidade de cana, chuvas acima do esperado e preços menos favoráveis para os principais produtos. A redução do parque industrial, após a venda de cinco usinas como parte da estratégia de redução de dívidas, também afetou a capacidade de moagem.
As vendas de etanol cresceram 24%, mas a estabilidade das cotações limitou o impacto positivo sobre a rentabilidade. No açúcar, as vendas recuaram 11% na comparação anual. A combinação entre menor oferta de matéria-prima, condições climáticas adversas e preços pressionados reduziu a contribuição do segmento para o resultado consolidado.
Dívida e Alocação de Capital Seguem no Centro da Cisão
A definição da estrutura financeira das duas empresas que resultarão da separação permanece como uma das principais questões da reorganização. O mercado acompanha a distribuição dos passivos e ativos entre os negócios, além dos critérios para a definição do custo de capital de cada companhia.
Indagado sobre as premissas para a desalavancagem e a alocação das dívidas remanescentes, o diretor financeiro da Raízen, Lorival Luz, manteve tom reservado sobre os detalhes da modelagem e limitou-se a declarar que a administração buscará entregar a melhor estrutura de capital possível ao final do processo.
A separação deverá resultar em duas companhias independentes com ações listadas. A proposta é dar autonomia a cada negócio para definir investimentos, endividamento e alocação de capital, trazendo maior transparência ao mercado. No curto prazo, a distribuição de combustíveis permanece como a principal sustentação operacional do grupo, enquanto a área sucroenergética trabalha na recuperação de suas margens operacionais.



