Durante evento em Brasília, Mercadante destacou o papel de lítio, cobre e terras raras, revelando R$ 57 bilhões em demanda por crédito em fundo estruturado com a Vale
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu uma maior integração entre a produção mineral brasileira e as cadeias industriais associadas aos minerais estratégicos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (18), em Brasília (DF), durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo.
Para a instituição, o avanço da mineração deve ser acompanhado pela expansão do beneficiamento e processamento local dos recursos. A estratégia busca aumentar a agregação de valor e ampliar a inserção do país em cadeias associadas à transição energética, eletrificação, sistemas de armazenamento de energia e manufatura de baixo carbono.
Minerais críticos na pauta de armazenamento e eletrificação
O crescimento da demanda global por tecnologias de descarbonização tem elevado a relevância econômica e geopolítica dos minerais críticos. Durante o evento, o presidente do banco citou nominalmente cobre, lítio e terras raras como insumos essenciais para a mobilidade elétrica, digitalização e fabricação de equipamentos do setor elétrico.
Ao sintetizar a necessidade de adensamento produtivo em solo nacional, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou o gargalo do modelo extrativista tradicional: “O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos.”
FIP com a Vale registra R$ 57 bilhões em demanda por crédito
No pilar de financiamento, o BNDES detalhou o andamento dos instrumentos voltados à capitalização do setor. O Fundo de Investimento em Participações (FIP) estruturado pelo banco em parceria com a Vale conta com R$ 2 bilhões dedicados a projetos de mineração e novos negócios na cadeia de suprimentos.
A chamada pública promovida pelo fundo atraiu 56 propostas de projetos, que representam uma demanda potencial de aproximadamente R$ 57 bilhões em investimentos e linhas de crédito. Do total mapeado, 12 projetos encontram-se em estágio avançado de negociação, somando R$ 9 bilhões.
Ao recuperar o histórico da instituição financeira no fomento ao segmento de base, o executivo lembrou o tempo de atuação do banco estatal: “O BNDES está na mineração desde os anos 1970.”
Descarbonização siderúrgica e diretrizes socioambientais
A apresentação também destacou o papel do minério de ferro de alto teor extraído no Brasil para a descarbonização da siderurgia global. A qualidade do insumo permite a adoção de rotas tecnológicas de menor intensidade energética, auxiliando na redução de emissões em um dos setores industriais mais poluentes do mundo.
Ao encerrar o painel, a liderança do BNDES reforçou que a exploração dos recursos deve combinar escala produtiva, transparência e rigor ambiental, posicionando a atividade mineral não apenas como pauta de exportação de commodities, mas como base para a segurança de suprimentos e industrialização da transição energética no país.



