Petrobras confirma óleo leve no poço Morpho, mas diretoria condiciona volume total a novas licenças do Ibama

Avaliações preliminares na Foz do Amazonas indicam hidrocarboneto de alta qualidade na Margem Equatorial; ampliação da campanha exploratória prevê mais três poços no bloco FZA-M-59

A Petrobras identificou a presença de petróleo leve e de elevada fluidez nas análises iniciais do poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A constatação ocorre em águas profundas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a 2,9 mil metros de profundidade, marcando um avanço operacional na abertura da Margem Equatorial brasileira.

Durante agenda oficial no Oiapoque (AP), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou entusiasmo com a densidade do hidrocarboneto. O chefe do Executivo ressaltou a elevada qualidade do ativo ao comparar a amostra extraída às cotações internacionais do pré-sal, sinalizando o potencial do recurso para a balança comercial do país. O mandatário complementou seu diagnóstico destacando a fluidez do material coletado nas primeiras amostras operacionais.

Diretoria da estatal adota tom técnico e aguarda exames laboratoriais

A despeito da sinalização política favorável, a alta gestão da estatal mantém uma postura de cautela analítica sobre a economicidade e a dimensão volumétrica da jazida. A previsão é que os trabalhos de perfuração no poço Morpho sejam concluídos em um prazo de 15 a 20 dias, etapa que permitirá consolidar os dados geológicos para delimitar a extensão exata da acumulação.

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A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, ponderou que os procedimentos de caracterização do fluido permanecem em estágio estritamente laboratorial e que o volume demandará exames aprofundados nos centros de pesquisa da companhia. A executiva observou que as conclusões obtidas até o momento decorrem exclusivamente de uma análise preliminar de fluxo, a qual forneceu indicativos positivos sobre a permeabilidade e a pressão do reservatório.

Dependência de novas licenças e plano de negócios para a Margem Equatorial

A plena confirmação das reservas e da viabilidade comercial no bloco FZA-M-59 está vinculada à continuação da campanha de delimitação. O planejamento da petroleira projeta a perfuração de outros três poços no mesmo contrato de concessão, além da avaliação de cinco blocos adjacentes na Bacia da Foz do Amazonas, iniciativas que dependem da emissão de novas licenças ambientais pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao todo, o plano de negócios da empresa prevê a abertura de 32 poços exploratórios ao longo de toda a Margem Equatorial, trecho que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, pontuou que o encadeamento dos investimentos e a comprovação do modelo geológico dependerão da continuidade desse esforço operacional conjunto na costa amapaense. A executiva reforçou o otimismo corporativo com os indícios apurados, reiterando que a definição precisa dos volumes recuperáveis só será estabelecida mediante a sequência dos aportes em exploração.

Soberania energética e articulação política em Brasília

A autorização concedida pelo Ibama em outubro de 2025 para a perfuração no bloco FZA-M-59 destravou um processo regulatório complexo. O avanço das atividades na região fomentou manifestações de convergência institucional em defesa do abastecimento nacional e do desenvolvimento econômico regional.

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O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, expressou o reconhecimento da bancada amapaense pela postura do Governo Federal na condução do processo, sustentando que a exploração da nova fronteira petrolífera fortalece a soberania energética e o avanço socioeconômico do estado.

No âmbito setorial, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou o alinhamento estratégico entre a pasta e o Congresso Nacional. O titular do MME reforçou a relevância de monetizar os recursos naturais do subsolo como alavanca para o combate às desigualdades e o financiamento do crescimento do país.

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