ONS alerta para saturação na rede e sinaliza corte de até 100% para nova geração solar diurna

No XV Fórum Instituto Acende Brasil, diretor Alexandre Zucarato defende sanções e responsabilização de investidores que aportam capital em projetos sem capacidade de escoamento

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sinalizou que novos empreendimentos de geração solar conectados ao Sistema Interligado Nacional (SIN) poderão enfrentar corte integral (curtailment) da produção durante o período diurno, diante da saturação da capacidade de escoamento da rede de transmissão.

A avaliação foi apresentada pelo diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, nesta quarta-feira (19), durante o XV Fórum Instituto Acende Brasil, em São Paulo. De acordo com o executivo, o sistema elétrico já não dispõe de capacidade física e operacional para absorver novos volumes de geração fotovoltaica nas horas de maior insolação, o que implica que cada megawatt adicional injetado nesse horário passará por restrições operacionais imediatas.

Capacidade de escoamento chega ao limite diurno

A restrição apontada pelo operador concentra-se nas horas de pico de produção solar, período em que a oferta massiva da fonte coincide com limites físicos na infraestrutura de transporte e com a necessidade de manter atributos de estabilidade na rede.

- Advertisement -

Nesse cenário, a mera expansão da capacidade instalada não se traduz em aumento da energia efetivamente entregue e comercializada no SIN. A sinalização de corte de 100% para novos volumes impõe uma mudança profunda na modelagem financeira de projetos fotovoltaicos em desenvolvimento, exigindo que o risco de restrição severa seja incorporado às projeções de receita e retorno dos empreendimentos.

ONS defende sanções e responsabilidade de investidores

A continuidade dos aportes em regiões com gargalos de transmissão acendeu o alerta do operador sob a perspectiva da governança e da alocação de capital. O diretor do ONS defendeu que os agentes privados precisam assimilar a responsabilidade sobre suas decisões de investimento de longo prazo.

Para a liderança técnica do ONS, caso o modelo de expansão do setor elétrico siga guiado prioritariamente por escolhas descentralizadas de agentes privados, em detrimento de um planejamento centralizado, as empresas devem arcar com os riscos sistêmicos de suas decisões. O operador defende, inclusive, a adoção de punições mais rigorosas e mecanismos regulatórios para desestimular a implantação de usinas em áreas onde a energia não possa ser entregue ao consumidor.

Sinais econômicos e desafios para a matriz renovável

A posição do ONS intensifica o debate sobre os instrumentos de sinalização locacional e tarifária no Brasil. Com a expansão acelerada de fontes variáveis, o valor da energia passa a estar condicionado não apenas à capacidade de produção, mas à localização do ativo, ao perfil horário da geração e à disponibilidade de transmissão.

- Advertisement -

Diante do avanço do curtailment, caminhos como o fortalecimento dos sinais de preço locacionais, a implantação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e a flexibilização da demanda tornam-se urgentes para evitar o desperdício de recursos e garantir a sustentabilidade econômica da transição energética.

Destaques da Semana

ONS lança solução de inteligência artificial para otimizar consulta a dados do SIN

Disponível no Portal de Dados Abertos, ferramenta TIAGO traz...

Ludimila Lima assume diretoria da ANEEL após fim do mandato de Fernando Mosna

Publicada no Diário Oficial da União, convocação da superintendente...

Justiça do Paraná determina liberação de créditos da Tradener na CCEE

Decisão estabelece o deferimento da RJ como marco temporal...

Alcolumbre envia marco dos minerais críticos às comissões e afasta urgência no Senado

Matéria central para a cadeia de baterias, eólicas e...

Artigos

Últimas Notícias