Enel SP amplia operação para enfrentar eventos climáticos no verão 2026/2027

Concessionária prevê mobilizar mais de 3 mil profissionais em emergências, instalar 2,6 mil equipamentos de automação e levar conectividade via satélite a cerca de 700 equipes na Grande São Paulo

A Enel São Paulo reforçou a estrutura operacional e os recursos tecnológicos que serão utilizados para enfrentar tempestades e ventos fortes durante o Verão 2026/2027. O plano apresentado pela concessionária nesta terça-feira (8) prevê expansão das equipes de campo, aumento da capacidade de automação da rede, conectividade por satélite e ações preventivas de manejo da arborização.

A estratégia abrange a capital paulista e outros 23 municípios atendidos pela distribuidora e tem como principais objetivos reduzir o tempo médio de recomposição do fornecimento e acelerar a resposta a ocorrências provocadas por eventos climáticos severos.

O planejamento ocorre em meio à perspectiva de maior atenção aos efeitos meteorológicos associados ao El Niño na Região Metropolitana de São Paulo. Para a distribuidora, a preparação antecipada é necessária diante da possibilidade de danos simultâneos à infraestrutura, especialmente em redes de média e baixa tensão.

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Estrutura de campo terá mais de 3 mil profissionais

A Enel ampliou de 17 para 23 o número de bases operacionais próprias e incorporou 1.600 profissionais técnicos à estrutura de atendimento. A frota também recebeu 318 novos veículos, incluindo caminhões equipados com cestos aéreos de maior capacidade.

Outro reforço está na utilização de 100 motoeletricistas, voltados principalmente para deslocamentos em áreas urbanas com tráfego comprometido após tempestades. A estratégia busca reduzir o tempo necessário para que as equipes cheguem aos pontos afetados e iniciem os reparos.

Em situações de emergência climática, a companhia prevê colocar mais de 3 mil profissionais simultaneamente em campo, podendo elevar em até três vezes a capacidade operacional habitual. A mobilização será direcionada principalmente à recomposição de trechos atingidos por queda de árvores, galhos e estruturas sobre a rede elétrica.

A capacidade de resposta ganha importância em ocorrências de grande escala, nas quais múltiplos desligamentos podem ocorrer ao mesmo tempo e limitar a eficiência de uma operação baseada exclusivamente no deslocamento convencional de equipes.

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Automação avança para 14 mil equipamentos

A automação é outro eixo do plano de resiliência. A Enel prevê instalar mais 2,6 mil dispositivos de telecontrole até o fim de 2026, elevando para aproximadamente 14 mil o número de equipamentos disponíveis para operações remotas na rede de distribuição.

Esses dispositivos permitem realizar manobras à distância para isolar trechos afetados por falhas e restabelecer o fornecimento em segmentos que permanecem operacionais. Em eventos com múltiplas ocorrências, o recurso pode reduzir a necessidade de deslocamento das equipes para operações que podem ser executadas pelo Centro de Operações da Distribuição (COD).

A expansão da automação também permite segmentar a rede diante de uma ocorrência, limitando a área impactada por uma falha e contribuindo para acelerar a recomposição de consumidores que não foram diretamente afetados pelo problema.

Satélite reforça comunicação durante emergências

A infraestrutura de telecomunicações recebeu uma frente específica no plano de contingência. Cerca de 700 equipes de emergência foram equipadas com antenas de internet via satélite Starlink para manter a comunicação com o COD em situações nas quais as redes móveis convencionais estejam comprometidas.

A conectividade é particularmente relevante durante tempestades de maior intensidade, quando quedas de energia e danos à infraestrutura de telecomunicações podem ocorrer simultaneamente. Com um canal alternativo de comunicação, as equipes mantêm o envio de informações de campo e o recebimento de orientações operacionais mesmo em áreas com interrupção dos serviços móveis.

A medida busca reduzir um dos gargalos das operações emergenciais: a perda de comunicação entre equipes e centros de controle justamente durante os períodos de maior demanda por coordenação.

Podas e redes compactas buscam reduzir ocorrências

O plano também incorpora medidas de prevenção destinadas a diminuir a exposição da rede à vegetação. A concessionária projeta realizar 700 mil podas de árvores ao longo de 2026 em áreas consideradas críticas pela proximidade com a infraestrutura elétrica.

A intervenção ocorre em um dos principais pontos de vulnerabilidade das redes de distribuição durante temporais. A queda de árvores e o contato de galhos com a fiação podem provocar interrupções, danos a equipamentos e dificuldades adicionais para o trabalho das equipes de manutenção.

Paralelamente, a Enel pretende substituir mais de 100 quilômetros de redes convencionais por cabos cobertos e compactos, conhecidos como redes space. A tecnologia reduz a exposição dos condutores e permite maior proximidade entre os cabos, contribuindo para diminuir ocorrências relacionadas ao contato com galhos e outros elementos da arborização urbana.

Resiliência passa a combinar infraestrutura e resposta operacional

O plano para o Verão 2026/2027 reúne medidas de naturezas distintas: aumento da força de trabalho, reforço logístico, automação, redundância de comunicação e intervenções físicas na rede.

A combinação é relevante porque eventos climáticos extremos podem produzir simultaneamente danos à infraestrutura e dificuldades de acesso e comunicação. Nesse cenário, a redução do tempo de interrupção depende não apenas da capacidade de reparar os ativos danificados, mas também de identificar rapidamente as ocorrências, isolar os trechos afetados e manter a coordenação das equipes.

Para a distribuição de energia elétrica, a preparação para eventos severos vem ganhando peso à medida que tempestades mais intensas ampliam o risco de ocorrências de grande abrangência nas áreas urbanas. A estratégia adotada pela Enel SP para o próximo verão coloca a resiliência da rede, a automação e a capacidade de resposta emergencial no centro da operação da concessão.

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