Aporte do programa BNDES Mais Inovação viabilizará o Centro de Pesquisa e Processamento da companhia em Poços de Caldas; ativo é etapa decisiva antes da fase industrial do Projeto Colossus
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o financiamento de R$ 77,5 milhões para a Viridis Mineração Ltda. Os recursos, provenientes da linha BNDES Mais Inovação, serão aplicados na implantação do Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR) no município de Poços de Caldas (MG). A unidade produzirá Carbonato Misto de Terras Raras em escala piloto e desenvolverá rotas tecnológicas dedicadas ao beneficiamento de argilas iônicas.
O empreendimento marca a primeira fase do Projeto Colossus, servindo como ambiente de testes operacionais para a futura planta industrial da companhia. O cronograma prevê o início das obras da unidade comercial para o primeiro trimestre de 2027, com previsão de entrada em operação ao final de 2028.
Tecnologia de beneficiamento e minerais estratégicos
O foco científico da planta piloto está na validação das rotas extrativas e na purificação do Carbonato Misto de Terras Raras, insumo intermediário fundamental para a cadeia de Elementos de Terras Raras (ETRs). Os depósitos de argilas iônicas da região de Poços de Caldas destacam-se no cenário global pela elevada concentração de terras raras pesadas, como Disprósio, Térbio, Neodímio e Praseodímio, essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho (NdFeB) utilizados em turbinas eólicas, motores de veículos elétricos e tecnologias de alta precisão.
Ao avaliar a relevância do aporte financeiro para o adensamento da cadeia produtiva nacional e o reposicionamento do país na geopolítica dos materiais críticos, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou: “É um investimento voltado para o fomento da produção nacional de terras raras, que contribui para posicionar o Brasil como fornecedor estratégico global de minerais críticos para a transição energética. O projeto envolve o apoio ao ecossistema de inovação na região de Poços de Caldas e à cadeia nacional de fornecedores, com geração de empregos qualificados.”
Estrutura de capital e chamada pública conjunta
A seleção da Viridis ocorreu no âmbito da chamada pública conjunta promovida pelo BNDES e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), criada com o objetivo de financiar a cadeia de valor de minerais estratégicos para a descarbonização da economia.
Em relação ao perfil das condições financeiras contratadas junto ao banco de fomento e à composição da estrutura de capital para o empreendimento comercial, o diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, observou: “Uma linha de financiamento com prazo de 16 anos e custo indicativo atual de aproximadamente 4,8% representa uma condição de captação extremamente atrativa e demonstra o apoio disponível no Brasil para projetos estratégicos como o Colossus.”
Avançando sobre a integração da verba de fomento com o plano global de investimentos da mineradora, o executivo complementou: “Quando a Viridis foi selecionada na chamada lançada pelo BNDES e pela Finep no ano passado, nosso objetivo era transformar esse apoio em recursos concretos para o desenvolvimento de nossas atividades relacionadas a terras raras no Brasil. A aprovação deste financiamento de R$ 77,5 milhões representa uma importante entrega em relação a esse objetivo e, juntamente com os US$ 154 milhões em recursos de capital próprio já captados, fortalece ainda mais nossa posição financeira à medida que avançamos na obtenção do restante do financiamento sênior necessário para viabilizar o projeto Colossus.”
A Viridis Mineração é uma subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals e detém 100% dos direitos minerários do Projeto Colossus IAC (Ionic Adsorption Clay), considerado um dos depósitos de argilas iônicas com maior potencial de viabilidade técnica e concentração de terras raras pesadas fora do continente asiático.



