ANP e Banco Mundial iniciam campanha para medir e regular emissões de metano em campos de petróleo e gás

Iniciativa prevê medições diretas em instalações offshore e onshore no Brasil e capacitação de auditores da agência para subsidiar futura regulação do setor E&P

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em parceria estratégica com o Banco Mundial, lançou uma campanha técnica voltada à medição, detecção e quantificação direta de emissões de metano em ativos de exploração e produção (E&P) no país. O projeto visa qualificar o corpo regulatório do órgão governamental e mensurar a intensidade de carbono associada à extração de hidrocarbonetos na bacia brasileira.

O plano operacional contempla a realização de campanhas de medição in loco em unidades selecionadas de petróleo e gás natural, combinadas com o treinamento de fiscais da agência no manuseio de tecnologias avançadas de monitoramento térmico e óptico de imagem de gás (OGI). Os relatórios de amostragem servirão como base de dados primários para subsidiar a construção da norma regulatória nacional focada na redução da queima e de vazamentos fugitivos de metano.

Mapeamento de vazamentos e capacitação regulatória

A mensuração direta em ativos de produção de petróleo busca preencher lacunas de inventário para a implementação de metodologias padronizadas de quantificação. O controle rigoroso do metano (CH₄), gás com potencial de aquecimento global até 28 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂) em uma escala de 100 anos, tornou-se um dos pilares centrais das metas climáticas globais assumidas por petroleiras atuantes no mercado doméstico.

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A agenda do programa foi estruturada em fóruns técnicos e treinamentos práticos para auditores da agência reguladora e representantes do segmento upstream. O foco das qualificações abrange o rastreamento de emissões fugitivas em selos de compressores, válvulas de alívio, tanques de armazenamento e unidades de processamento de gás natural.

Ao abrir os trabalhos da cooperação internacional, o diretor-geral da ANP, Artur Watt, ressaltou que a troca de experiências internacionais é fundamental para a elaboração de arcabouços normativos condizentes com a infraestrutura local: “Essa iniciativa ocorre em um momento de avanço da agenda de descarbonização e reconhece a importância da cooperação Internacional que temos com o Banco Mundial para que a ANP possa conhecer as experiências de outros países e avaliar alternativas para desenvolver uma abordagem regulatória adequada à realidade brasileira.”

Descarbonização do upstream e padrões internacionais de emissão

A regulação de emissões de metano pela ANP insere o Brasil na esteira de diretrizes já aplicadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos, que estabelecem requisitos rigorosos de verificação independente por terceiros para os combustíveis importados. O segmento nacional de E&P projeta manter a intensidade de carbono abaixo dos padrões internacionais para preservar a atratividade do petróleo cru e do gás natural brasileiros em mercados regulados.

Avaliando o desempenho operacional dos reservatórios do pré-sal e o alinhamento das companhias com os programas ambientais vigentes, Artur Watt destaca o desempenho competitivo da produção nacional: “Temos uma indústria muito bem posicionada, com emissões abaixo da média mundial, e o Brasil já possui programas e regulamentação que possibilitam uma produção e uma matriz energética cada vez mais sustentável.”

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Os dados colhidos durante a campanha com o Banco Mundial integrarão os estudos técnicos para a elaboração da minuta de resolução sobre redução de emissões no setor de petróleo e gás natural.

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