Com compra da Serra Verde por US$ 300 mi, EUA assumem produtora de terras raras no Brasil
A companhia norte-americana USA Rare Earth formalizou a conclusão da aquisição da mineradora brasileira Serra Verde, responsável pela exploração de terras raras no município de Minaçu (GO). A operação envolveu o montante de US$ 300 milhões, além da emissão e entrega de 126,8 milhões de ações da compradora aos antigos controladores do ativo. O negócio consolida a transferência de controle da única operação de minerais críticos de alta escala em atividade fora do continente asiático.
A aquisição coloca o ativo goiano no centro de uma disputa geopolítica e tecnológica global. As terras raras são insumos indispensáveis para a fabricação de ímãs permanentes de alta eficiência, componentes cruciais para a cadeia de transição energética, incluindo geradores eólicos, motores de veículos elétricos e equipamentos de tecnologia avançada.
Aprovação do Marco Legal dos Minerais Críticos e soberania nacional
A finalização da transação ocorreu em paralelo a avanços regulatórios no Congresso Nacional, que aprovou o texto-base do Marco Legal dos Minerais Críticos (PL 2.780/2024). A matéria, que aguarda sanção presidencial, institui diretrizes para a governança e salvaguarda dos recursos minerais considerados essenciais para a transição energética e a segurança nacional.
Entre os dispositivos do texto aprovado está a criação de um conselho deliberativo vinculado à Presidência da República. O órgão terá prerrogativa legal para analisar, condicionar ou vetar a transferência de controle acionário de mineradoras detentoras de direitos de lavra de terras raras no Brasil, sob a justificativa de preservação da soberania nacional e da segurança das cadeias de suprimento locais.
Consolidação de ativos e o papel do Brasil na transição energética
A incorporação da Serra Verde pela USA Rare Earth reforça o movimento de verticalização da empresa norte-americana na América do Norte e Ocidente, integrando a extração do mineral bruto em solo brasileiro à capacidade de processamento e fabricação de ímãs de alto desempenho. O projeto Minaçu destaca-se mundialmente por albergar uma jazida de argila iônica de fácil extração, com alta concentração de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Com a iminente regulamentação da nova legislação, a operação da fábrica em Goiás passa a ser observada de perto por analistas do setor mineral e de energia, uma vez que a política industrial do país busca balancear a atração de capital estrangeiro direto para o financiamento de projetos intensivos em capital com a retenção de valor agregado no mercado interno.



