Conduzido pelo EQT Lab em parceria com a Innoscience, o programa Órbita vai selecionar tecnologias para testagem em campo focado em segurança, eficiência na distribuição e ESG
O Grupo Equatorial abriu inscrições para a primeira edição do Órbita, programa de inovação aberta voltado a conectar startups em estágio de validação e tração a gargalos operacionais da holding. Conduzida pelo EQT Lab, braço de inovação da companhia, em parceria com a consultoria Innoscience, a iniciativa financiará provas de conceito (POCs) remuneradas em ativos reais do grupo, abarcando operações nos segmentos de energia elétrica e saneamento.
As inscrições seguem abertas até 24 de agosto de 2026 por meio da plataforma do EQT Lab. O cronograma do programa prevê duração de cinco meses, estruturado em seis etapas, inscrições, triagem com Pitch Day em setembro, imersão, contratação, execução dos pilotos e avaliação final no Demoday, agendado para dezembro deste ano. As soluções que demonstrarem maior viabilidade técnica e escala operacional poderão ser integradas permanentemente ao portfólio de fornecedores ou parceiros estratégicos do grupo.
Foco em cinco desafios de operação em campo e ESG
A chamada pública delimitou cinco frentes prioritárias para testes em ambiente operacional real. No pilar de segurança do trabalho, o grupo busca ferramentas digitais para validação do uso de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva (EPIs/EPCs) antes da execução de serviços em campo, além de sensores para mitigação de intervenções irregulares de terceiros em redes energizadas.
No âmbito da distribuição e eficiência, o programa selecionará tecnologias de inteligência de dados voltadas à análise de níveis de tensão da rede elétrica, com foco em otimização de CAPEX para a qualidade do fornecimento em regiões rurais, e sistemas de automação para detecção ágil de perdas de pressão em redes de água. A pauta ESG é contemplada por um desafio dedicado à gestão circular e rastreável de resíduos operacionais, cobrindo o ciclo de descarte de postes, concreto, metais e insumos têxteis.
Ao detalhar a tese de investimento e aproximação com o ecossistema de tecnologia, o executivo do Instituto de Ciência e Tecnologia/EQT Lab do Grupo Equatorial, Lucas Pinheiro, destaca o direcionamento pragmático da iniciativa: “O Órbita reforça nosso compromisso com a inovação aberta como caminho para resolver desafios de negócio. Queremos aproximar a companhia de startups capazes de trazer novas tecnologias e novos olhares para segurança, eficiência, experiência dos clientes e transição energética.”
Modelo de POC remunerada reduz fricção para entrada de fornecedores
Diferente de modelos de aceleração focados no desenvolvimento conceitual (ideação), o Órbita exige maturidade operacional mínima para testes imediatos. As startups selecionadas terão acesso direto às infraestruturas do grupo e às equipes técnicas responsáveis por cada gargalo, recebendo remuneração para a execução dos projetos-piloto.
A metodologia aplicada busca alinhar a agilidade de early stages às exigências regulatórias e de escala típicas do setor de infraestrutura. Ao analisar a estrutura do programa, o sócio-diretor da Innoscience, Dagoberto Trento, ressalta a relevância da integração estruturada entre grandes corporações e empresas de tecnologia: “Aproximar-se do ecossistema de startups deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica para empresas que querem se manter competitivas e resolver problemas complexos de operação. O Órbita foi desenhado para que essa conexão aconteça de forma estruturada e objetiva, unindo o conhecimento que o Grupo Equatorial tem sobre seus próprios desafios à agilidade e à tecnologia que as startups trazem.”



