Levantamento Statistical Review of World Energy 2026 revela avanço concomitante de 10,3% na produção de petróleo regional com tração do pré-sal
O consumo de combustíveis fósseis nas Américas do Sul e Central registrou uma retração de 4%, impulsionado diretamente pela expansão das fontes renováveis em mercados estratégicos da região, com destaque para a liderança do setor elétrico brasileiro. Em contrapartida ao declínio do uso térmico e fóssil para energia, a produção regional de petróleo apresentou um salto de 10,3%, alavancada pelo aumento do fluxo produtivo no Brasil, Argentina, Venezuela e Guiana. Os dados constam na nova edição da Revisão das Estatísticas de Energia Mundial (Statistical Review of World Energy 2026), elaborada pela KPMG em parceria com a consultoria Ember e colaboração da Kearney.
No segmento de derivados de petróleo, a demanda brasileira absorveu 2,61 milhões de barris por dia no último período reportado, o que representa uma elevação de 1,4% em comparação ao ciclo de 2024. Com essa taxa de consumo, o país responde por 2,5% da demanda global do insumo.
Pré-sal impulsiona produção enquanto geração renovável substitui térmica
A convergência entre o fortalecimento das bacias de águas profundas e a expansão contínua de ativos renováveis posiciona o Brasil em uma condição diferenciada na geopolítica energética internacional. A matriz do país combina a robustez da base hídrica ao crescimento acelerado das fontes solar fotovoltaica e eólica no Sistema Interligado Nacional (SIN), além da contribuição dos biocombustíveis na matriz de transportes.
Ao avaliar a posição do país frente aos indicadores consolidados pelo relatório, o sócio-líder do setor de energia e recursos naturais da KPMG no Brasil e na América do Sul, Manuel Fernandes, destaca o duplo vetor de crescimento: “O Brasil permanece em destaque na produção de petróleo entre os grandes produtores globais por conta do pré-sal. Com relação as energias renováveis, o país adota uma abordagem diversificada, expandindo onde for possível e, ao mesmo tempo, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis”.
Liderança em baixa emissão e atratividade para investimentos
A infraestrutura hidrelétrica combinada ao avanço das plantas centralizadas, da geração distribuída e do mercado de etanol e biodiesel consolida o parque elétrico nacional como referência na oferta de energia de baixo teor de carbono.
Ao abordar a consistência do modelo regulatório e operacional brasileiro para a atração de capital, o executivo da KPMG ressalta a relevância da matriz limpa no cenário global: “O país continua sendo referência mundial em geração elétrica de baixo carbono e na produção e utilização de biocombustíveis, especialmente, etanol e biodiesel. A matriz nacional está entre as mais limpas globalmente e as empresas seguem ampliando os investimentos em energias renováveis”.
A retração no consumo de fósseis demonstra que os aportes de capital privado em infraestrutura renovável continuam sendo o principal catalisador para despachar menos térmicas no SIN, assegurando a segurança de suprimento e acelerando a descarbonização regional.



