Com turbina Classe H e modelo Reservoir-to-Wire, projeto conclui 1ª fase do complexo em Silves (AM) e adota solução inédita contra ressonância no corredor elétrico de 1.850 km
A Eneva iniciou a operação comercial da termelétrica Azulão I, em Silves (AM), com compromisso de fornecimento de até 295 MW de capacidade firme e despachável ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O empreendimento representa a conclusão da primeira etapa do Complexo Azulão e foi desenvolvido para operar em uma região marcada por desafios de infraestrutura e transmissão.
A usina utiliza uma turbina a gás 7HA.02, da GE Vernova, acoplada a um gerador H65. A tecnologia foi projetada para oferecer elevada eficiência e capacidade de resposta às variações de demanda, característica que ganha importância diante da expansão das fontes eólica e solar na matriz elétrica brasileira.
Azulão combina geração e infraestrutura de transmissão
O empreendimento está localizado a cerca de 330 quilômetros de Manaus e integra o modelo Reservoir-to-Wire (R2W) desenvolvido pela Eneva. A estratégia consiste em gerar eletricidade próxima à região de produção do gás natural, reduzindo a necessidade de transportar o combustível por longas distâncias antes da geração.
A conexão ao SIN exigiu soluções específicas para a integração da termelétrica ao corredor de transmissão Tucuruí–Macapá–Manaus, que possui aproximadamente 1.850 quilômetros de extensão.
Entre os recursos empregados estão um filtro para bloqueio de Ressonância Subsíncrona (SSR) e um relé de estresse torsional. Os equipamentos foram incorporados ao projeto para mitigar efeitos associados à interação entre a unidade geradora e o sistema de transmissão e permitir a operação da usina dentro das condições requeridas pela rede.
A solução é particularmente relevante em um sistema de transmissão extenso, no qual fenômenos elétricos e eletromecânicos podem afetar a estabilidade e a disponibilidade dos equipamentos conectados.
Termelétrica terá papel na flexibilidade do sistema
A entrada de Azulão I ocorre em um cenário de crescimento acelerado da geração renovável variável. A expansão de parques solares e eólicos aumenta a necessidade de recursos capazes de responder às oscilações da oferta e da demanda. De acordo com as projeções do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as fontes renováveis deverão representar mais de 85% da geração elétrica brasileira até 2035.
Nesse contexto, a geração a gás natural pode exercer função complementar ao permitir despacho conforme as necessidades do sistema. A capacidade de modulação das termelétricas pode contribuir para o atendimento da carga em períodos de menor disponibilidade de fontes não despacháveis.
A conclusão da primeira fase do complexo também amplia a disponibilidade de geração firme em uma área cuja integração ao SIN depende de uma infraestrutura de transmissão de grande extensão.
Eneva destaca complexidade do projeto
Ao avaliar a entrada em operação comercial do empreendimento Azulão I, o diretor de Engenharia, Construção e Montagem da Eneva, Rafael Coitinho, destacou a relevância do projeto para a companhia, ressaltando a capacidade do grupo em estruturar e executar investimentos de grande porte em regiões com elevada complexidade logística e operacional. O executivo apontou que a consolidação do complexo reforça o modelo de negócios integrado e a solidez financeira da empresa, reafirmando o compromisso estratégico com o fortalecimento da segurança energética e o desenvolvimento econômico do país.
O projeto combina produção de gás natural e geração elétrica em um mesmo complexo, característica que permite à Eneva utilizar sua atuação integrada na cadeia do combustível para estruturar o suprimento da termelétrica.
GE Vernova fornece tecnologia e serviços
Além da turbina 7HA.02 e do gerador H65, a GE Vernova participa do projeto com um contrato de serviços de 15 anos. O acordo tem como objetivo dar suporte à disponibilidade e à confiabilidade operacional dos equipamentos ao longo da operação da usina. Para a GE Vernova, a implantação de Azulão também demonstra a necessidade de soluções específicas para projetos térmicos conectados a sistemas de transmissão com características particulares.
Ao analisar os diferenciais do empreendimento, o vice-presidente de New Units para o negócio de Gas Power da GE Vernova na América Latina, Marco Vera, ressaltou que o projeto Azulão evidencia a abrangência do portfólio da companhia ao associar tecnologia avançada de geração a gás, soluções para estabilização de rede e contratos de manutenção de longo prazo. O executivo enfatizou a capacidade da empresa em implantar energia de alta eficiência em sistemas de transmissão complexos por meio de soluções integradas de ponta a ponta, reafirmando o compromisso estratégico com o atendimento a demandas energéticas exigentes, a segurança do suprimento e o desenvolvimento econômico do país.
Complexo Azulão chegará a 950 MW
Azulão I constitui a primeira etapa do complexo termelétrico instalado no Amazonas. Quando concluídas as duas unidades, a capacidade combinada poderá alcançar 950 MW. A segunda etapa será formada pela UTE Azulão II, cuja entrada em operação comercial está prevista para julho de 2027. O complexo utiliza a tecnologia de turbinas a gás Classe H da GE Vernova.
A capacidade total projetada equivale, segundo as empresas, ao consumo de aproximadamente quatro milhões de residências brasileiras. A expansão amplia o papel do empreendimento como fonte despachável para o sistema elétrico.
A operação de Azulão I acrescenta, portanto, não apenas capacidade de geração, mas também flexibilidade operacional em um cenário no qual a participação de fontes renováveis variáveis tende a crescer. A combinação entre geração térmica, disponibilidade de gás natural e infraestrutura de transmissão passa a integrar uma estratégia mais ampla de segurança e adequação do suprimento do SIN.


