Relatório da IRENA aponta queda de 74% no custo de implantação de usinas fotovoltaicas no País em dez anos; setor destaca que armazenamento, transmissão e digitalização serão decisivos para sustentar o crescimento das renováveis.
O Brasil foi o país que mais reduziu o custo de implantação de usinas solares fotovoltaicas entre os principais mercados globais na última década, consolidando sua posição entre os mercados mais competitivos para geração renovável. Dados do relatório Renewable Power Generation Costs in 2025, da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), mostram que o custo total instalado da tecnologia caiu 74% entre 2015 e 2025, passando de US$ 2.558 por quilowatt (kW) para US$ 672/kW.
O desempenho brasileiro supera o observado em outros grandes mercados de energia solar, como China (68%), Índia (66%) e Estados Unidos (62%), refletindo a combinação entre elevada irradiação solar, ganhos de escala, evolução tecnológica e maior eficiência na implantação dos projetos.
O levantamento também posiciona o Brasil entre os países com menor custo nivelado de geração (LCOE) para empreendimentos solares centralizados, estimado em aproximadamente US$ 37/MWh, indicador que reforça a competitividade da fonte no mercado de energia.
Competitividade desloca debate para infraestrutura do sistema elétrico
Com a redução dos custos já consolidada, especialistas avaliam que o principal desafio da expansão da energia solar deixou de ser a viabilidade econômica da tecnologia e passou a concentrar-se na capacidade do sistema elétrico de absorver uma participação crescente das fontes renováveis.
Ao analisar os resultados do estudo da IRENA, o CEO da Athon Energia, Daniel Maia, afirma que a energia solar atingiu um novo estágio de maturidade no Brasil: “A queda de 74% no custo de implantação demonstra que a energia solar deixou de ser uma alternativa para se consolidar como uma das principais fontes de geração elétrica do País. O desafio agora não é mais provar sua competitividade, mas garantir que a infraestrutura elétrica acompanhe essa evolução e permita integrar cada vez mais energia renovável despachável ao sistema.”
Na avaliação do executivo, o avanço da geração renovável exige investimentos estruturantes capazes de ampliar a flexibilidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente diante do crescimento da participação da geração variável na matriz elétrica.
Armazenamento e redes ganham protagonismo
Embora o levantamento da IRENA tenha como foco os empreendimentos de geração centralizada, a Athon Energia destaca que os diferentes modelos de geração desempenham funções complementares no sistema elétrico.
Enquanto as grandes usinas se beneficiam da escala para reduzir custos, a geração distribuída contribui para aproximar a produção dos centros de consumo, reduzir a necessidade de investimentos adicionais em transmissão e aumentar a eficiência da operação quando integrada a sistemas de armazenamento.
Na avaliação de Daniel Maia, o fortalecimento da infraestrutura elétrica será determinante para garantir o avanço sustentável da transição energética: “À medida que aumenta a participação das fontes renováveis, torna-se cada vez mais importante modernizar as redes de transmissão e distribuição e ampliar o uso de sistemas de armazenamento por baterias. Essa combinação permite agregar despachabilidade à geração renovável, reduz restrições operacionais, amplia a segurança do abastecimento e torna o sistema elétrico mais flexível.”
O tema ganha relevância em um momento em que o setor elétrico brasileiro amplia as discussões sobre expansão da transmissão, digitalização das redes e inserção de sistemas de armazenamento para reduzir cortes de geração renovável e aumentar a confiabilidade operacional.
IRENA aponta nova etapa da transição energética
O diagnóstico apresentado pela Athon converge com as conclusões da IRENA. O relatório destaca que a próxima fase da transição energética dependerá não apenas da expansão da capacidade instalada de fontes renováveis, mas também da modernização da infraestrutura elétrica, do avanço dos sistemas de armazenamento e da digitalização das redes.
Na visão do executivo, o Brasil reúne condições para assumir protagonismo nessa nova etapa, impulsionado pela disponibilidade de recursos naturais e pela competitividade alcançada pela geração solar: “O País possui um dos melhores recursos solares do mundo e já demonstrou que consegue produzir energia renovável a custos altamente competitivos. O próximo passo é transformar essa vantagem em uma infraestrutura capaz de sustentar o crescimento da geração limpa nas próximas décadas.”
O relatório da IRENA também mostra que, em 2025, aproximadamente 91% de toda a nova capacidade renovável instalada no mundo apresentou custo inferior ao das alternativas baseadas em combustíveis fósseis. Para o setor, o dado evidencia que a competitividade econômica das fontes limpas deixou de ser uma expectativa e passou a representar um dos principais vetores de expansão do mercado global de energia.
Com custos cada vez menores e ampla disponibilidade de recursos solares, o Brasil entra em uma nova fase da transição energética. O foco do setor passa agora pela ampliação da infraestrutura de transmissão, pela adoção de sistemas de armazenamento em larga escala e pela modernização das redes, fatores considerados essenciais para sustentar o crescimento da geração renovável e ampliar a segurança operativa do sistema elétrico.



