ABB e Rolls-Royce SMR firmam acordo para tecnologias em reatores nucleares

Parceria prevê aplicação de soluções de automação e eletrificação da ABB nos projetos de pequenos reatores modulares da fabricante britânica, com unidades de 470 MW

A ABB e a britânica Rolls-Royce SMR assinaram acordo para avaliar a aplicação de tecnologias de automação e eletrificação em projetos de geração nuclear baseados em pequenos reatores modulares (SMRs). A parceria busca combinar as soluções de infraestrutura elétrica e controle da ABB com a tecnologia de reatores desenvolvida pela Rolls-Royce SMR.

O acordo também prevê a identificação de novas oportunidades de colaboração à medida que a fabricante britânica amplia sua estratégia de implantação de uma frota de SMRs. Cada reator projetado pela Rolls-Royce SMR tem 470 MW de capacidade elétrica, segundo as empresas.

ABB amplia atuação na cadeia nuclear

A parceria coloca sistemas de eletrificação e automação no centro da estratégia de expansão dos SMRs. As tecnologias podem ser aplicadas à infraestrutura necessária para operação e controle das unidades nucleares, em uma modalidade de geração que vem sendo considerada para projetos de baixo carbono e fornecimento contínuo de eletricidade.

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Para a Rolls-Royce SMR, a cooperação também está relacionada à capacidade de execução de uma carteira de projetos que começa a avançar em diferentes mercados. A chefe de Compras Corporativas da Rolls-Royce SMR, Stacy O’Brien, destacou o potencial da parceria para reforçar a capacidade de entrega da companhia: “Este acordo representa uma oportunidade para avaliarmos como podemos fortalecer ainda mais nossa equipe de entrega. A ABB tem um longo e impressionante histórico de fornecimento de soluções de automação e eletrificação para projetos de infraestrutura de energia”.

Na ABB, a expectativa é que a cooperação contribua para o desenvolvimento de uma frota de reatores capaz de adicionar geração firme ao sistema elétrico. O presidente da Divisão de Indústrias de Energia da ABB, Per Erik Holsten, afirmou: “Estamos satisfeitos em trabalhar com a Rolls-Royce SMR em seus esforços para desenvolver uma frota de SMRs que possa expandir a capacidade de geração de energia de base confiável e acessível para atender à crescente demanda por energia de baixo carbono.”

Rolls-Royce SMR avança em projetos na Europa

A Rolls-Royce SMR informou que já iniciou o projeto técnico para a implantação de três unidades em uma usina nuclear no País de Gales. A companhia também trabalha com o grupo tcheco ČEZ para a instalação de seus reatores na usina de Temelín, no sul da República Tcheca.

Há ainda discussões entre Rolls-Royce SMR e ČEZ para possíveis unidades adicionais nas usinas de Tušimice e Dětmarovice, também na República Tcheca. Na Suécia, a fabricante britânica informou que trabalha em um projeto de energia da geradora Videberg Kraft que prevê a implantação de três SMRs.

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Os movimentos indicam uma tentativa de estruturar uma carteira internacional para a tecnologia, com projetos em diferentes estágios de desenvolvimento.

SMRs podem ampliar participação nuclear

Os pequenos reatores modulares são desenvolvidos com o objetivo de utilizar projetos padronizados e modularizados, buscando reduzir a complexidade de construção em comparação com grandes empreendimentos nucleares convencionais.

A tecnologia também vem sendo avaliada como alternativa para ampliar a geração nuclear em sistemas que precisam adicionar energia de baixo carbono e disponibilidade contínua, embora sua expansão comercial ainda dependa de fatores como custos, licenciamento, financiamento e capacidade industrial.

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a capacidade global de geração elétrica baseada em SMRs possa chegar a 40 GW até 2050 no cenário atual de políticas e regulamentação. Com maior apoio governamental, mudanças nos modelos de negócios e simplificação regulatória, a projeção da entidade sobe para 120 GW no mesmo horizonte.

A escala potencial do mercado reforça a disputa por cadeias industriais capazes de fornecer não apenas os reatores, mas também os sistemas de automação, controle e eletrificação associados às novas unidades.

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