Resiliência e transformação digital impulsionam a transição da infraestrutura energética

Por Marcus McCarthy, SVP, Siemens Grid Software, Américas

A transição para uma infraestrutura energética sustentável tem avançado de forma constante nos últimos anos em todo o mundo, ao mesmo tempo em que passa por mudanças contínuas. O progresso efetivo é influenciado por uma ampla variedade de fatores, como os motivos que impulsionam as decisões dos diferentes participantes e as tecnologias que viabilizam a transição, além da situação das cadeias de suprimentos e das relações geopolíticas. Qualquer um desses fatores pode mudar repentinamente e alterar, para melhor ou para pior, a velocidade da transição energética a qualquer momento.

Para ajudar as organizações a compreender melhor o estado atual da transição energética e planejar suas estratégias para os próximos anos, a Siemens lançou o Infrastructure Transition Monitor (ITM) 2025. O relatório destaca prioridades e tendências importantes identificadas a partir de uma pesquisa com aproximadamente 1.400 executivos de alta liderança (C-level) em 19 países.

As conclusões do relatório são promissoras para a infraestrutura energética sustentável. Em comparação com o ITM 2023, houve avanços significativos na transição da infraestrutura rumo a um futuro mais verde, impulsionados principalmente pelo aumento dos investimentos e pelo crescente interesse em resiliência energética. Melhor ainda, essa tendência provavelmente continuará à medida que mais organizações reconhecem o papel que a transformação digital e a inteligência artificial (IA) desempenharão na operação futura da infraestrutura energética.

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O impulso pela resiliência na transição da infraestrutura

Cerca de 50% dos entrevistados relataram que uma ampla variedade de objetivos importantes já se encontra em estágio maduro ou avançado, incluindo a independência energética nacional, a expansão do armazenamento de energia em larga escala, a eliminação gradual da geração de energia a partir de combustíveis fósseis e a expansão das fontes renováveis de energia em larga escala. Esse é um avanço significativo em comparação com os ganhos modestos registrados no ITM 2023, quando a parcela de entrevistados que relatava situações semelhantes variava entre apenas 26% e 41%.

Esse progresso representa um enorme impulso de confiança na transição da infraestrutura energética. Dito isso, ainda há espaço para melhorias, já que alguns objetivos apresentaram apenas um aumento marginal no número de entrevistados, incluindo a descarbonização da indústria pesada (42% em 2025, contra 37% em 2023) e a proteção da biodiversidade e dos ecossistemas (43% tanto em 2025 quanto em 2023). Ainda assim, os avanços obtidos nos demais objetivos listados representam uma grande conquista.

Seria difícil enumerar todos os fatores que contribuíram para essa mudança, mas o ITM 2025 destaca alguns particularmente relevantes. Por exemplo, os investimentos em energia limpa aumentaram a ponto de representar o dobro dos investimentos em combustíveis fósseis. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os investimentos em energia limpa chegaram a US$ 2,2 trilhões em 2025, em comparação com US$ 1,1 trilhão investidos em combustíveis fósseis.

Também é interessante observar como a transição vem sendo impulsionada pela mudança das prioridades das organizações em direção à resiliência energética. Em uma lista das principais prioridades apresentada no relatório, garantir um fornecimento de energia resiliente passou do terceiro lugar, em 2023, para o primeiro lugar, em 2025, enquanto a independência energética nacional e a gestão proativa dos riscos climáticos também ganharam destaque entre as prioridades.

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Essas mudanças fazem sentido. Em um mundo que enfrenta tensões geopolíticas crescentes e crises relacionadas ao clima, os países buscam estabilizar suas redes de energia diante de riscos imprevistos. A energia limpa contribui para isso ao reduzir a exposição a esses riscos, como a forte dependência de combustíveis fósseis.

O potencial da transformação digital

Independentemente das razões por trás da transição da infraestrutura energética, a necessidade de redes de energia estáveis e funcionais continuará sempre em primeiro plano. O avanço contínuo na construção de uma infraestrutura sustentável dependerá, em grande medida, da capacidade dos sistemas de transmissão e distribuição de uma infraestrutura de lidar com o aumento da demanda e com as novas dinâmicas do sistema energético.

Um dos maiores obstáculos a esses objetivos é a falta de visibilidade dos dados. Sem acesso fácil a dados das redes em tempo real, os operadores podem enfrentar dificuldades maiores para monitorar, prever e gerenciar de forma eficaz o fluxo de eletricidade. Isso se torna especialmente desafiador à medida que ativos de energia localizados atrás do medidor (behind-the-meter), como painéis solares e veículos elétricos, se tornam mais comuns, assim como quando múltiplos stakeholders precisam colaborar em uma mesma rede.

É por isso que as organizações estão recorrendo à transformação digital para converter as redes tradicionais em redes inteligentes (smart grids). Segundo o ITM 2025, 74% dos entrevistados acreditam que as redes inteligentes e os softwares para redes elétricas são habilitadores fundamentais da transição energética. Ao integrar software e tecnologias digitais, as organizações esperam otimizar suas redes e, ao mesmo tempo, eliminar lacunas de dados.

Uma dessas tecnologias, capaz de alcançar esses objetivos, é o Digital Twin abrangente. Como representação digital de um ativo físico ou de um processo, um Digital Twin abrangente de uma rede elétrica pode ser simulado em um ambiente virtual, permitindo que os operadores visualizem padrões de fluxo, impactos sobre ativos e riscos emergentes antes de realizar alterações na rede. Esses insights antecipados reduzem as chances de danos ou falhas durante a transição e fornecem uma fonte única de verdade que todos os stakeholders de uma rede podem utilizar para maximizar os resultados.

A ascensão da IA nas redes elétricas

Embora as redes elétricas digitalizadas tenham muito a oferecer, as mais avançadas são apenas a base para inovações ainda mais poderosas. Assim como ocorre em muitos outros setores, a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia digital que deverá transformar fundamentalmente a infraestrutura energética. De fato, a maioria dos entrevistados do ITM 2025 acredita que a IA desempenhará papéis significativos na transição energética: 72% afirmam que ela transformará a forma como suas organizações operam nos próximos três anos, enquanto 74% afirmam que ela tornará a infraestrutura crítica mais resiliente.

No caso das redes elétricas, a IA tem potencial para levá-las além das capacidades das redes inteligentes e possibilitar sistemas autônomos, permitindo que as redes sejam reconfiguradas em tempo real, otimizando a geração, o armazenamento e a transmissão de energia e contribuindo para maior confiabilidade, segurança e crescimento econômico.

Não há dúvida de que a rede elétrica do futuro será mais dinâmica. Isso será impulsionado pela necessidade, à medida que a IA desempenhará um papel fundamental na viabilização dessa rede dinâmica. Um Digital Twin de alta qualidade será a base essencial para a aplicação de IA na transformação digital das Tecnologias Operacionais (OT).

É claro que ainda existem alguns desafios no caminho da implementação da IA nas redes elétricas. A infraestrutura legada pode não oferecer a interoperabilidade necessária para permitir a troca de dados em tempo real, exigindo novos investimentos e atualizações na infraestrutura. Além disso, todos os stakeholders precisam estar alinhados, utilizando protocolos de dados comuns e interfaces de programação de aplicações (APIs) padronizadas para evitar integrações personalizadas em cada ponto de transferência, o que apenas aumenta as dificuldades de implementação.

Ainda assim, a IA, em conjunto com o Digital Twin abrangente, já está produzindo mudanças mensuráveis em diversos locais, contribuindo para equilibrar a distribuição de energia e melhorar a resiliência e a previsão da demanda. As organizações também demonstram uma disposição crescente para adotar IA e sistemas autônomos: 63% dos entrevistados do ITM 2025 afirmam que os benefícios dos sistemas autônomos superam seus custos.

Desafios e obstáculos são esperados em uma tarefa tão monumental quanto a transição energética global. No entanto, com base nos resultados do ITM 2025, avanços significativos estão sendo alcançados, e muitas organizações estão comprometidas com essa missão e reconhecem a transformação digital como um fator crucial para o sucesso. À medida que tecnologias como o Digital Twin abrangente e a IA continuam avançando, elas permitirão que as organizações concretizem a transição energética e viabilizem uma energia mais limpa para todos.

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