Unicamp e Repsol estudam emulsão com água para reduzir custo no transporte de óleo extrapesado

Projeto de 30 meses avalia substituição de solventes por água para reduzir a viscosidade do petróleo e facilitar seu escoamento por dutos

Pesquisadores da Unicamp e da Repsol Sinopec Brasil estão desenvolvendo uma tecnologia para facilitar o transporte de óleos extrapesados, cuja elevada viscosidade aumenta a complexidade e os custos de produção e escoamento. O projeto Heavy Oil Emulsions, com duração prevista de 30 meses, avalia o uso de emulsões de óleo em água como alternativa à aplicação de solventes utilizados para reduzir a resistência ao fluxo.

A pesquisa é coordenada pelo professor Marcelo Souza de Castro, da Unicamp, e pela pesquisadora Glória Lucas, da Repsol Sinopec, e conduzida pelo grupo Artificial Lift & Flow Assurance (ALFA), do Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO). O financiamento ocorre por meio da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Água pode substituir parte dos solventes

A tecnologia estudada consiste na produção de uma emulsão do tipo óleo-em-água, na qual pequenas partículas de óleo ficam dispersas em uma corrente predominantemente aquosa. Como a viscosidade da mistura pode ser significativamente inferior à do óleo extrapesado, a solução tende a reduzir a resistência ao escoamento e, consequentemente, a demanda operacional para o bombeamento.

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Atualmente, uma das estratégias empregadas para reduzir a viscosidade desses óleos é a utilização de solventes, como a nafta. O projeto pretende avaliar em quais condições a água poderia substituir esse insumo durante determinadas etapas do transporte, reduzindo a dependência de um derivado de maior valor agregado.

O principal desafio tecnológico está em equilibrar propriedades que, à primeira vista, são opostas. O pesquisador Marcelo Souza de Castro explica que a emulsão precisa manter características adequadas durante o deslocamento, mas permitir a separação das fases ao final do processo: “O desafio é produzir uma dispersão que apresente características de escoamento próximas às da água e permaneça estável durante todo o transporte. Depois, precisamos garantir que a água possa ser separada e que o óleo preserve as propriedades necessárias para seu aproveitamento.”

Estabilidade define viabilidade da tecnologia

A estabilidade da emulsão será avaliada em diferentes condições de transporte, armazenamento e movimentação marítima. Uma separação antecipada entre água e óleo poderia elevar novamente a viscosidade do petróleo e comprometer o bombeamento ao longo da cadeia.

Em contrapartida, a mistura precisa ser desfeita ao término do transporte, já que a água deverá ser removida antes do processamento e da comercialização do petróleo. A pesquisa investigará a quantidade mínima de água necessária, o período de estabilidade da emulsão e as condições mais eficientes para separar as fases.

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Os testes serão conduzidos em um circuito de escoamento multifásico, infraestrutura que permitirá reproduzir de forma controlada diferentes condições de emulsificação, bombeamento e transporte e testar componentes do sistema desenvolvido.

Tecnologia pode ampliar aproveitamento de reservas

Os óleos extrapesados apresentam maior dificuldade de extração, processamento e transporte em razão da alta viscosidade. A complexidade operacional pode postergar sua exploração em relação a recursos de menor viscosidade, embora esse tipo de petróleo tenha aplicações relevantes na produção de asfaltos, lubrificantes e combustíveis marítimos.

Nesse cenário, uma tecnologia capaz de reduzir a resistência ao escoamento e diminuir o uso de solventes pode melhorar a viabilidade econômica de operações envolvendo esses recursos. O Heavy Oil Emulsions busca justamente validar se a água pode cumprir parte dessa função sem comprometer as propriedades do petróleo e as etapas posteriores de processamento.

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