Operação elimina cerca de US$ 5,7 bilhões em dívidas e separa termelétricas e terminais de GNL no país em uma estrutura independente
A New Fortress Energy (NFE) concluiu nesta sexta-feira (11/9) a reestruturação financeira global que resultou na separação de seus ativos no Brasil e na transferência de 100% do controle da nova estrutura brasileira aos credores. A operação, iniciada em março, reorganiza o portfólio de termelétricas e infraestrutura de gás natural da companhia no país.
O acordo extinguiu aproximadamente US$ 5,7 bilhões em dívidas detidas pelos credores participantes do plano e reduziu a dívida corporativa remanescente da NFE para cerca de US$ 700 milhões. A companhia reestruturada, denominada New NFE, passa a ter 65% de suas ações ordinárias nas mãos dos credores, enquanto os acionistas originários da matriz americana mantêm os 35% restantes.
Nova estrutura societária
Além da participação acionária, o plano prevê a emissão de ações preferenciais com preferência de liquidação de US$ 2,45 bilhões, empréstimos a prazo de US$ 571,3 milhões e uma captação adicional de US$ 136,5 milhões em novos recursos no fechamento da operação.
No Brasil, os negócios foram segregados na estrutura denominada BrazilCo, que passa a operar como empresa privada independente sob controle dos credores. A conclusão ocorreu após o cumprimento das condições previstas no plano e das aprovações judiciais e regulatórias necessárias.
A reestruturação havia sido aprovada em 18 de junho por uma jurisdição britânica e recebeu, em 26 de junho, o reconhecimento definitivo do Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, nos Estados Unidos.
Termelétricas e terminais de GNL
A BrazilCo concentra ativos de infraestrutura de gás natural e geração termelétrica. O principal núcleo do portfólio está no Cluster Barcarena, no Pará, que reúne o terminal de GNL da região e duas usinas termelétricas. Entre elas está a Celba 2, com capacidade instalada de 624 MW, e a Portocém, projetada para 1,6 GW. A carteira brasileira também inclui o Terminal de Gás Sul (TGS), em Santa Catarina.
A reorganização mantém, portanto, sob uma mesma estrutura ativos de geração e infraestrutura de gás, combinação que permite à nova companhia atuar tanto no suprimento de combustível quanto no atendimento à demanda do setor elétrico.
Suprimento de gás entra no foco
Com a conclusão da cisão, a estratégia definida para a BrazilCo passa pela ampliação das fontes de suprimento de gás natural e pelo suporte logístico às embarcações que atendem aos terminais existentes no país.
A mudança ocorre em um momento de expansão da demanda por gás para geração termelétrica e de maior necessidade de flexibilidade do sistema elétrico. Nesse cenário, a disponibilidade de infraestrutura de GNL e de capacidade termelétrica coloca o portfólio brasileiro como um ativo relevante dentro da nova estrutura independente.
A conclusão da operação encerra a vinculação societária direta desses negócios com os acionistas originais da NFE e inaugura uma nova etapa para os ativos brasileiros, agora sob controle dos credores e com estrutura financeira própria.



