Preço médio do S10 passou de R$ 6,43 para R$ 6,59 por litro entre 1º e 8 de setembro; corte de cotas da Petrobras e cenário externo interromperam trajetória de acomodação
O preço médio do diesel S10 voltou a subir em setembro após quatro meses consecutivos de retração, interrompendo a trajetória de acomodação registrada no segundo trimestre. Levantamento da TruckPag, com dados de abastecimento de mais de 4.900 postos e cerca de 10 mil bombas em todo o país, aponta avanço de R$ 6,43 para R$ 6,59 por litro entre 1º e 8 de setembro.
Até agosto, o diesel acumulava alta de 11,6% em 2026, passando de R$ 5,78 por litro em janeiro para R$ 6,45 no fechamento do mês. O movimento havia sido precedido por um pico de R$ 7,13 em abril, seguido por quatro meses de queda. A nova escalada, portanto, recoloca pressão sobre os custos do transporte rodoviário de cargas.
Corte de cotas altera trajetória de preços
Na avaliação da TruckPag, a mudança de comportamento em setembro está associada principalmente ao corte de 10% a 20% nas cotas de diesel comercializadas pela Petrobras às grandes distribuidoras, anunciado em 3 de setembro, além dos efeitos do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o mercado internacional.
A companhia passou a acompanhar o combustível a partir de duas referências. Considerando 28 de fevereiro como base, o preço acumula alta de 14,84%. Já na comparação com o valor de R$ 6,46 por litro registrado em 3 de setembro, o aumento atribuído ao período posterior ao anúncio do corte de cotas chega a R$ 0,13 por litro, ou 2,01% em cinco dias.
O levantamento também aponta que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) declarou estado de sobreaviso para o abastecimento nacional, enquanto o custo de importação do diesel teria avançado R$ 3,10 por litro.
Pressão permanece sobre transportadoras
Para o CEO e fundador da TruckPag, Kassio Seefeld, a queda registrada entre abril e agosto não foi suficiente para devolver o combustível aos níveis observados no início do ano. O executivo destaca o impacto da volatilidade sobre empresas de transporte que operam com margens estreitas: “Apesar do recuo observado desde abril, o diesel continua significativamente mais caro do que no início do ano, o que mantém a pressão sobre os custos das transportadoras. Em um setor que opera com margens apertadas, oscilações como essas exigem planejamento financeiro, revisão constante dos custos operacionais e maior eficiência na gestão do abastecimento.”
A diferença de preços também se manifesta regionalmente. A Bahia permanece com a maior alta acumulada, agora em 21,75%, seguida por Pernambuco, com 19,32%. O Piauí aparece na quarta posição, com 17,66%, enquanto Tocantins lidera entre os estados do Norte, com avanço de 16,39%.
No extremo oposto, o Rio Grande do Sul continua com a menor variação nacional, mas também registrou aceleração, passando de 5,85% em agosto para 10,97% em setembro. Nenhum estado apresentou queda no acumulado das referências analisadas pela empresa.
Estabilidade dá lugar a novo cenário
A mudança ocorre depois de um período de relativa previsibilidade. Em agosto, o preço permaneceu próximo de R$ 6,43 por litro durante grande parte do mês, indicando acomodação após a máxima de abril.
Para Seefeld, a estabilidade anterior poderia melhorar a capacidade de planejamento das empresas, mas não representava redução estrutural dos custos. A avaliação reforça que o nível de preços e a exposição a fatores externos continuam relevantes para o setor: “Esse cenário traz um pouco mais de previsibilidade para as empresas, mas ainda está distante de representar um alívio nos custos. O diesel permanece em um nível elevado e continua sendo um dos principais componentes das despesas do transporte rodoviário de cargas. A estabilidade é positiva para o planejamento, porém não elimina a necessidade de gestão eficiente.”
A perspectiva para os próximos meses passou a depender, portanto, da evolução dos preços internacionais do petróleo e de derivados, do câmbio e das condições de oferta no mercado doméstico. A própria empresa havia projetado continuidade da estabilidade antes da mudança observada em setembro.
O executivo avalia que a combinação desses fatores deverá manter a gestão do combustível no centro das decisões das transportadoras: “Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade desse cenário de estabilidade, salvo a ocorrência de fatores externos que possam alterar o comportamento do mercado, como oscilações do petróleo, do câmbio ou mudanças na política de preços. Ainda assim, o segundo semestre deve exigir das transportadoras o mesmo nível de disciplina na gestão dos custos, já que o diesel continua em um patamar estruturalmente superior ao observado no começo do ano.”


