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Arauco utiliza drones no lançamento de LT de 91 km para escoar 200 MW ao SIN no MS

Arauco utiliza drones no lançamento de LT de 91 km para escoar 200 MW ao SIN no MS

Aplicação tecnológica no Projeto Sucuriú evitou a supressão de 33,29 hectares de vegetação nativa no traçado entre Inocência e Selvíria; fábrica vai gerar 400 MW com autoconsumo de 50% e injeção do excedente na rede nacional

A implantação de infraestrutura de transmissão voltada ao escoamento de autoprodução de energia no setor de papel e celulose vem incorporando soluções de engenharia de precisão para mitigar passivos socioambientais e otimizar prazos em campo. No Mato Grosso do Sul, a Arauco adotou o uso de drones no lançamento de cabos condutores de alta tensão ao longo da linha de transmissão que conectará o futuro complexo industrial do Projeto Sucuriú, no município de Inocência, à subestação de Selvíria, ponto de acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

A estratégia permitiu a travessia aérea de trechos sensíveis sem a necessidade de abertura de faixas de servidão convencionais ou entrada de maquinário pesado em áreas preservadas. Com 91 quilômetros de extensão e 1.045 quilômetros de cabos instalados, o sistema de transmissão é a artéria essencial para conectar a central de cogeração da planta ao SIN. A fábrica terá capacidade instalada total de 400 megawatts (MW) alimentada por licor negro e resíduos de biomassa. Do volume gerado, 200 MW atenderão ao consumo interno da operação industrial e os outros 200 MW excedentes serão disponibilizados ao mercado livre e ao sistema elétrico, volume equivalente ao consumo de uma cidade do porte de Campo Grande.

Engenharia de precisão e mitigação de carbono

O método convencional de lançamento de condutores em linhas de transmissão exige a abertura prévia de caminhos no solo para a passagem de cordas-piloto (pilot ropes) puxadas por tratores ou equipes de tração manual. Ao substituir essa etapa pela operação de veículos aéreos não tripulados (drones) para a condução das primeiras linhas de guias pelo ar, a companhia evitou a supressão de 33,29 hectares de vegetação nativa contínua nos biomas Cerrado e Mata Atlântica.

Além do ganho logístico e do aumento da segurança do trabalho ao reduzir a exposição de equipes em terrenos de difícil acesso, o lançamento aéreo manteve retidas aproximadamente 4.566 toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) que seriam emitidas em caso de desmatamento da faixa.

Ao analisar o direcionamento técnico que motivou a substituição da metodologia tradicional de engenharia de linhas, a gerente de Meio Ambiente da Arauco Celulose, Camila Paschoal, detalha a premissa da operação: “Esse projeto nasceu de uma decisão técnica e ambiental muito clara: mesmo havendo autorização para a supressão vegetal ao longo do traçado, buscamos uma alternativa que reduzisse ao máximo a necessidade de intervenção em áreas de vegetação nativa. É uma solução que mostra como a inovação pode ser aplicada de forma prática para reduzir impactos e aprimorar a implantação de grandes projetos de infraestrutura.”

Alteamento de torres e proteção da avifauna

A metodologia aérea de cabeamento foi acompanhada por ajustes no projeto executivo das estruturas metálicas. As torres de transmissão da linha tiveram suas alturas dimensionadas em uma variação de 13,5 a 54 metros, mantendo a distância dos cabos em relação ao solo entre 13 e 50 metros. Em trechos de maior sensibilidade ambiental e cruzamentos com Áreas de Preservação Permanente (APPs) e corpos d’água, a engenharia da obra optou pelo alteamento estrutural de torres para que o gabarito de segurança elétrica superasse a copa das árvores sem afetar a conectividade ecológica local.

Para neutralizar riscos operacionais e conter a mortalidade da avifauna em rotas migratórias ao longo da linha, o projeto prevê a fixação de 1.515 sinalizadores anticolisão (bird diverters) nos cabos para-raios e condutores em trechos próximos a fragmentos florestais e áreas úmidas.

Ao projetar os desdobramentos operacionais dessa arquitetura de implantação para a execução de megaempreendimentos industriais no país, o gerente executivo de Projeto e Implantação do Projeto Sucuriú, Leonardo Crociati, ressalta o padrão normativo da iniciativa: “Essa solução reflete a forma como a Arauco conduz o Projeto Sucuriú, equilibrando a dimensão do empreendimento com o cuidado em cada etapa da implantação. O uso de drones mostra que grandes projetos também se constroem a partir de decisões técnicas precisas, capazes de reduzir impactos, preservar áreas sensíveis e inspirar caminhos mais seguros e responsáveis para outras obras de infraestrutura.”

O conjunto de soluções adotado na linha de transmissão rendeu ao projeto o caráter de finalista no IV Prêmio Ipê Amarelo de Meio Ambiente, promovido pela Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS).