Gerdau avança para assumir controle total da UHE Dona Francisca após aval do Cade

Aquisição da participação remanescente da Copel fortalece estratégia de autoprodução de energia renovável da siderúrgica e reflete avanço da verticalização energética na indústria

A Gerdau deu mais um passo para consolidar sua estratégia de autoprodução de energia ao obter a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para adquirir a participação remanescente da Copel na Dona Francisca Energética S.A. (Dfesa), concessionária responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, de 125 MW, no Rio Grande do Sul. A operação, aprovada sem restrições pelo órgão antitruste, depende agora da autorização final da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Com a conclusão da transação, a siderúrgica passará a deter a totalidade do capital votante da geradora, consolidando o controle integral do empreendimento hidrelétrico. Os valores envolvidos no negócio não foram divulgados pelas empresas.

A movimentação reforça uma estratégia que vem ganhando espaço entre grandes consumidores industriais de energia elétrica: ampliar a participação em ativos próprios de geração para reduzir a exposição à volatilidade dos preços no mercado de energia, aumentar a previsibilidade dos custos operacionais e fortalecer compromissos relacionados à descarbonização da produção.

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Autoprodução ganha relevância na indústria eletrointensiva

O aumento da competitividade da indústria brasileira passa, cada vez mais, pela gestão estratégica do custo da energia elétrica. Em setores eletrointensivos, como siderurgia, mineração, papel e celulose e metalurgia, a autoprodução tem se consolidado como instrumento para garantir maior estabilidade econômica diante das oscilações do mercado livre de energia.

Ao controlar integralmente a UHE Dona Francisca, a Gerdau amplia sua autonomia no planejamento energético de suas operações industriais, reduzindo a dependência da aquisição de energia de terceiros e fortalecendo uma matriz baseada em fontes renováveis.

Nos documentos apresentados durante a análise concorrencial, a companhia destaca que o investimento está alinhado ao objetivo de ampliar a disponibilidade de energia destinada ao autoconsumo industrial. Ao explicar a estratégia da operação, a empresa afirmou: “Com o foco em autoconsumo, a compradora busca a energia da Dfesa para ampliar sua competitividade e consolidar sua estratégia de sustentabilidade no longo prazo, reiterando seu compromisso com matrizes renováveis.”

Além da previsibilidade de custos, a verticalização da geração permite otimizar a gestão dos ativos energéticos e reduzir riscos associados às variações do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), especialmente em um ambiente de crescente volatilidade do mercado.

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Venda integra estratégia de otimização da Copel

Para a Copel, a alienação da participação na Dona Francisca Energética faz parte da política de racionalização do portfólio de investimentos adotada pela companhia nos últimos anos.

A distribuidora e geradora vem concentrando recursos em ativos considerados estratégicos e em projetos com maior potencial de retorno econômico, ao mesmo tempo em que simplifica sua estrutura societária.

Em manifestação apresentada durante o processo, a empresa explica que a operação está alinhada ao seu planejamento corporativo. “A venda reforça a estratégia da Copel de otimizar seu portfólio e desinvestir em ativos não prioritários. De acordo com a empresa, o negócio simplifica a estrutura societária, aproveita o momento favorável do mercado e libera capital para investimentos mais rentáveis.”

A estratégia acompanha um movimento observado entre grandes empresas do setor elétrico, que vêm revisando seus portfólios para direcionar investimentos a projetos de maior escala, digitalização das redes, modernização da infraestrutura e expansão de negócios considerados prioritários.

Hidrelétrica fortalece segurança energética da operação industrial

Constituída em 1998, a Dona Francisca Energética S.A. é responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, localizada no Rio Jacuí, entre os municípios de Agudo e Nova Palma, no Rio Grande do Sul. Com capacidade instalada de 125 MW, o empreendimento integra o conjunto de ativos renováveis utilizados para atender consumidores industriais e representa um importante componente da estratégia energética da Gerdau.

A consolidação do controle acionário permitirá à companhia centralizar as decisões sobre investimentos, operação e gestão do empreendimento, ampliando a integração entre a geração de energia e o planejamento de suas unidades industriais. Além dos ganhos operacionais, a operação reforça a tendência de utilização de ativos próprios como instrumento para elevar a competitividade da indústria brasileira em um cenário de transição energética, expansão da eletrificação e crescente demanda por produtos produzidos com menor intensidade de carbono.

Movimento acompanha transformação do mercado de energia

A aquisição ocorre em um momento de fortalecimento da autoprodução no setor elétrico brasileiro. A busca por maior previsibilidade de custos energéticos, associada à expansão do mercado livre de energia e ao crescimento das fontes renováveis, tem levado grandes grupos industriais a ampliar investimentos em usinas hidrelétricas, parques eólicos, complexos solares e sistemas de armazenamento.

Nesse contexto, ativos de geração deixam de representar apenas uma fonte de suprimento energético para se tornarem instrumentos estratégicos de competitividade, gestão de riscos e descarbonização.

A aprovação do Cade elimina uma das principais etapas regulatórias da operação. Com a análise concorrencial concluída sem restrições, a expectativa agora se concentra na autorização da ANEEL para a transferência da participação societária, etapa necessária para que a Gerdau consolide o controle integral da hidrelétrica e avance em sua estratégia de expansão da autoprodução de energia renovável.

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