Petrobras inicia operações de centro tecnológico de R$ 300 milhões para testar o HISEP em Minas Gerais

Desenvolvida em parceria com a Unifei e o Consórcio de Libra, infraestrutura semi-industrial em Itajubá é única no mundo capaz de reproduzir as condições extremas de pressão e CO₂ do pré-sal

A Petrobras oficializou nesta sexta-feira o início das atividades operacionais do Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), complexo de pesquisa e desenvolvimento (P&D) instalado no campus da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais. O empreendimento demandou um aporte de R$ 300 milhões e contou com o financiamento conjunto dos parceiros do Consórcio de Libra, composto por Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC e CNOOC, em cumprimento às obrigações de aplicação de recursos de P&D estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A estrutura opera como uma planta piloto em escala semi-industrial de alta complexidade. Trata-se da única instalação laboratorial global projetada especificamente para simular, em ambiente controlado, as variáveis fluidodinâmicas e termodinâmicas encontradas nos reservatórios profundos da costa brasileira, caracterizadas por elevados patamares de pressão, temperatura e severa presença de dióxido de carbono (CO₂).

A cerimônia de inauguração reuniu lideranças corporativas da estatal, executivos das petroleiras associadas, fornecedores da cadeia de bens e serviços, além de técnicos da agência reguladora e representantes do governo federal.

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Validação do HISEP e descarbonização do upstream

O escopo principal do CTPB está atrelado à ancoragem tecnológica do projeto HISEP (High Pressure Separation), patente desenvolvida pela Petrobras para realizar a separação primária de fluidos diretamente no leito marinho. Ao promover a dissociação do gás rico em CO₂ ainda na fase submarina e viabilizar sua reinjeção imediata no reservatório geológico, a tecnologia mitiga o processamento na planta de superfície das Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência (FPSOs). Na prática, o arranjo eleva a eficiência termodinâmica e reduz a intensidade de emissões de gases de efeito estufa por barril equivalente produzido.

O cronograma do centro prevê para o segundo semestre de 2026 a execução dos testes definitivos de qualificação das bombas de fase densa com arquitetura submarina. Esse maquinário, cuja primeira versão nacional foi testada em 2023 e rendeu ao consórcio o Prêmio de Inovação Tecnológica da ANP, passará por ensaios de estanqueidade, fadiga e performance operacional sob fluxo contínuo de fluidos supercríticos.

A relevância da infraestrutura para a autonomia científica do país foi destacada pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, que apontou os reflexos de longo prazo do investimento em inovação: “Ter uma instalação como essa em solo brasileiro, capaz de simular as condições reais dos nossos campos do pré-sal do nosso reservatório, é resultado direto do compromisso da Petrobras com a inovação e com o desenvolvimento tecnológico nacional. É com orgulho que vemos esse investimento se transformar em capacidade real de geração de conhecimento e de valor para o país.”

Integração entre academia e indústria petrolífera

A instalação do laboratório de grande porte no sul de Minas Gerais reforça o modelo de ecossistemas regionais de inovação financiados pelas cláusulas de P&D do setor de óleo e gás. Para o corpo técnico da universidade, o projeto funciona como um indutor de qualificação de mão de obra especializada em engenharia de petróleo, automação de processos e simulação computacional de fluxos multifásicos.

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Ao avaliar o impacto da infraestrutura no ambiente acadêmico, o reitor da UNIFEI, Marcel Parentoni, ressaltou o papel da cooperação institucional para a superação de barreiras de engenharia: “Para a nossa universidade, é uma honra contribuir com a Petrobras e com o Consórcio de Libra nessa jornada. Este centro fortalece nossa vocação para a pesquisa aplicada e abre novas fronteiras para a formação de pesquisadores e engenheiros de altíssimo nível.”

A viabilização do CTPB encerra o ciclo de testes em escala reduzida e posiciona o ecossistema nacional pronto para a fase de escalonamento comercial das tecnologias submarinas de processamento. A consolidação dessa estratégia foi resumida pela diretora de Exploração e Produção da Petrobras, a geóloga Sylvia Anjos, que vinculou o feito técnico ao posicionamento mercadológico das operadoras: “Este é mais do que um marco tecnológico: é a materialização de uma escolha estratégica da Petrobras e de seus parceiros em Libra de investir em inovação, desenvolver conhecimento de ponta no Brasil e transformar desafios extremos em soluções tecnológicas transformadoras”.

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