Companhia registra alta de 99,4% no resultado trimestral, com Ebitda de R$ 546,4 milhões; investimentos acumulados no primeiro semestre alcançam R$ 742,2 milhões
A Celesc encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido consolidado de R$ 296,1 milhões, alta de 99,4% em relação aos R$ 148,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado veio acompanhado do avanço do Ebitda e da receita operacional, enquanto a distribuidora manteve indicadores de qualidade abaixo dos limites regulatórios estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O Ebitda consolidado alcançou R$ 546,4 milhões no 2T26, crescimento de 23,3% na comparação anual. A receita operacional líquida avançou 3,5%, para R$ 3 bilhões. No acumulado de janeiro a junho, o lucro chegou a R$ 546,8 milhões, alta de 36,3%, e o Ebitda somou R$ 1,08 bilhão, crescimento de 8,8%.
O desempenho ocorre em paralelo à expansão dos investimentos da companhia. No primeiro semestre, os aportes consolidados em geração e distribuição totalizaram R$ 742,2 milhões, aumento de 12% ante os R$ 662,1 milhões registrados nos seis primeiros meses de 2025.
Mercado livre ganha participação na distribuição
A Celesc Distribuição permaneceu como principal componente do resultado operacional do grupo. A subsidiária registrou lucro líquido de R$ 270,2 milhões no trimestre, mais que o dobro dos R$ 122,4 milhões apurados no 2T25. A receita operacional líquida da distribuidora atingiu R$ 2,94 bilhões, alta de 3,1%, enquanto o Ebitda cresceu 25,1%, para R$ 505,7 milhões.
A energia faturada pela distribuidora somou 7.646 GWh no trimestre, avanço de 2,4%. O mercado cativo respondeu por 3.834 GWh, alta de 1,7%, enquanto o Ambiente de Contratação Livre (ACL) alcançou 3.812 GWh, crescimento de 3,1%. Com isso, os consumidores livres representaram 49,9% da energia faturada pela Celesc Distribuição no segundo trimestre, evidenciando o avanço da migração de consumidores para o mercado livre de energia.
No acumulado do semestre, entretanto, a energia faturada recuou 0,5%, para 15.592 GWh. O mercado cativo caiu 2,7%, para 8.256 GWh, enquanto o ACL cresceu 2,2%, atingindo 7.336 GWh. A participação do ambiente livre chegou a 47,1% no período.
A companhia atribui o desempenho do mercado cativo, entre outros fatores, às temperaturas mais amenas no início do ano, à base elevada de comparação do primeiro trimestre de 2025, à migração de consumidores para o ACL e à menor atividade industrial voltada à exportação.
Investimentos avançam 12% no semestre
Apesar da redução dos aportes no segundo trimestre, os investimentos da Celesc mantiveram trajetória de crescimento no acumulado do ano.
Entre abril e junho, foram investidos R$ 306,4 milhões, queda de 16,3% ante os R$ 366 milhões do 2T25. A distribuição concentrou praticamente todo o volume, com R$ 305,2 milhões, enquanto a geração recebeu R$ 1,3 milhão. No primeiro semestre, porém, os investimentos cresceram 12%, alcançando R$ 742,2 milhões. Desse total, R$ 739,4 milhões foram destinados à distribuição, aumento de 13,5%. Os aportes em geração somaram R$ 2,7 milhões, retração de 73,5% na comparação anual.
A concentração dos recursos na distribuição reforça a prioridade da companhia na expansão e modernização da infraestrutura responsável pelo atendimento aos consumidores, em um cenário de transformação do perfil de carga e avanço da abertura do mercado de energia.
Indicadores de qualidade permanecem abaixo dos limites da Aneel
A Celesc também apresentou desempenho dentro dos parâmetros regulatórios de continuidade do fornecimento. O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) ficou em 4,12 horas, menos da metade do limite regulatório de 8,68 horas estabelecido para 2026. Já o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) registrou 2,65 interrupções, ante o teto de 6,55.
Os indicadores mostram uma margem relevante em relação aos limites definidos pela Aneel, embora a manutenção desse desempenho dependa da continuidade dos investimentos em redes, equipamentos e sistemas de operação e manutenção.
As perdas totais de energia, por sua vez, ficaram em 6,71% no segundo trimestre, ante 6,59% no mesmo período de 2025. O indicador representa uma elevação de 0,12 ponto percentual na comparação anual.
Receita cresce 10,6% no semestre
No consolidado dos seis primeiros meses de 2026, a receita operacional líquida da Celesc alcançou R$ 6,5 bilhões, avanço de 10,6% frente aos R$ 5,88 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
O Ebitda IFRS passou de R$ 993,4 milhões para R$ 1,08 bilhão. Considerando o Ebitda ajustado para itens não recorrentes, o resultado chegou a R$ 1,16 bilhão, alta de 16,4%. A margem Ebitda IFRS, contudo, recuou marginalmente no acumulado, de 16,9% para 16,6%. No segundo trimestre, o indicador evoluiu de 15,3% para 18,2%.
O conjunto dos números mostra uma Celesc com crescimento de rentabilidade no primeiro semestre, sustentado principalmente pela distribuição, ao mesmo tempo em que a empresa amplia os aportes na rede elétrica e acompanha a mudança na composição da demanda com o avanço do mercado livre.
Principais indicadores da Celesc
| Indicador | 2T25 | 2T26 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 148,5 mi | R$ 296,1 mi | +99,4% |
| Ebitda IFRS | R$ 443,2 mi | R$ 546,4 mi | +23,3% |
| Receita operacional líquida | R$ 2,9 bi | R$ 3,0 bi | +3,5% |
| Energia faturada | 7.468 GWh | 7.646 GWh | +2,4% |
| Investimentos | R$ 366,0 mi | R$ 306,4 mi | -16,3% |


