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Biometano ganha status de ativo estratégico com metas do Combustível do Futuro

Biometano ganha status de ativo estratégico com metas do Combustível do Futuro

Novo marco regulatório decorrente da Lei nº 14.993/2024 e do Decreto nº 12.614/2025 posiciona o energético como ativo estratégico e baliza debates da 13ª edição do Fórum do Biogás em São Paulo

O biometano alcança o segundo semestre de 2026 consolidado em um novo patamar na agenda de transição e segurança energética do Brasil. O combustível, que historicamente figurava como uma alternativa renovável de alto potencial regional, passou a integrar de forma mandatória a política nacional de descarbonização do setor de gás natural, exercendo forte impacto sobre produtores e importadores de combustíveis fósseis.

Essa reconfiguração do mercado é impulsionada diretamente pelo Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, instituído pela Lei nº 14.993/2024 (Lei do Combustível do Futuro) e regulamentado pelo Decreto nº 12.614/2025. Sob as diretrizes da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o programa visa fomentar a pesquisa, produção, comercialização e inserção do biogás e do biometano na matriz energética nacional.

Com o novo desenho regulatório, os agentes do mercado de gás natural passam a responder pelo cumprimento de metas anuais de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), fixadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O principal mecanismo de conformidade se dará por meio dos Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOBs), emitidos para comprovar a rastreabilidade do energético renovável. À ANP cabe centralizar a regulação dos procedimentos de cumprimento das metas e a certificação dos agentes da cadeia.

Escala de Produção e Atração de Capital

Na prática, a criação de obrigações regulatórias passa a ancorar de forma sólida a demanda de longo prazo, mitigando riscos e destravando investimentos privados em infraestrutura de escoamento, purificação e distribuição. O reflexo operacional desse movimento já é percebido no perfil físico dos projetos em implantação pelo país.

Embora responda por 11% do total de plantas de biogás mapeadas no território nacional, o segmento de biometano já concentra aproximadamente 34% de todo o volume de biogás aproveitado, indicando o avanço na escala comercial das unidades de upgrading. Conforme balanço consolidado da ANP até junho de 2026, o país conta com 69 unidades produtoras cadastradas, das quais 21 operam com autorização comercial e 48 encontram-se em processo de tramitação de outorga. A expectativa do setor é atingir uma capacidade instalada de 3,37 milhões de Nm³/dia até 2028.

Em termos globais da fonte, o Panorama do Biogás 2025, elaborado pelo CIBiogás, contabiliza 1.803 plantas cadastradas (1.727 em operação), apresentando uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 15% nos últimos cinco anos, ritmo cinco vezes superior à média do PIB nacional. Atualmente, a capacidade de produção do biogás atinge cerca de 4,96 bilhões de Nm³/ano.

O horizonte desenhado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que o cumprimento pleno das metas da Lei do Combustível do Futuro projeta a demanda por biometano para a casa dos 7 bilhões de metros cúbicos anuais até o ano de 2035, montante que representa uma expansão de até 15 vezes em comparação aos níveis atuais de consumo.

Articulação Setorial e Infraestrutura

A viabilização dessa curva de crescimento e a implementação prática das novas ferramentas comerciais vão nortear a 13ª edição do Fórum do Biogás, que ocorre nos dias 11 e 12 de agosto de 2026 no São Paulo Expo, na capital paulista. Sob a liderança da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o encontro focará na transição do arcabouço legal para a assinatura de contratos e estruturação de novos projetos.

A Presidente Executiva da ABiogás, Josiani Napolitano, enfatiza as prioridades e janelas de oportunidade que se abrem para o mercado energético brasileiro no atual cenário macroeconômico: “O Brasil reúne todas as condições para liderar a produção de biometano, mas essa liderança depende de transformar potencial em projetos, conectar oferta e demanda, e construir um ambiente regulatório que dê previsibilidade aos investimentos. O biometano já demonstrou sua capacidade de contribuir para a descarbonização, a segurança energética e economia circular. Agora, o desafio é acelerar sua inserção na matriz energética e consolidá-la como um ativo estratégico para a competitividade do país.”

O amadurecimento institucional do vetor também vem ganhando capilaridade regional. Durante a edição anterior do fórum, em 2025, que registrou público superior a 1.500 participantes, foram consolidados avanços práticos como o decreto municipal em São Paulo para frotas de transporte público e ferramentas digitais para controle de dados fiscais e financeiros do segmento.

O Diretor-Executivo da ABiogás, Tiago Santovito, avalia o atual momento de inflexão e a relevância das discussões conjuntas entre agentes públicos e privados: “O biogás e do biometano deixaram de ser um tema técnico de nicho para ocupar a agenda de investimentos do país. O Fórum é o espaço onde essa conversa acontece com a presença de quem decide: do poder público ao investidor.”

Ao longo de dois dias e duas salas de debate simultâneas, o evento abordará tópicos essenciais para o planejamento das empresas de energia, como precificação de tributos ao longo da cadeia, o papel do biometano na abertura do mercado livre de gás, a operacionalização do sistema de CGOBs, além de novas tecnologias para ganhos de eficiência operacional e segurança física das instalações.

Serviço

  • Evento: 13º Fórum do Biogás
  • Data: 11 e 12 de agosto de 2026
  • Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – São Paulo/SP)
  • Inscrições e Programação: www.forumdobiogas.com.br