Anuário Estatístico da ANP consolida avanços recordes na extração de hidrocarbonetos, arrecadação bilionária em rodadas de Oferta Permanente e expansão do biodiesel
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou o consolidado de dados sobre a evolução operacional, regulatória e mercadológica do ecossistema de hidrocarbonetos e combustíveis do país. As informações, estruturadas em quadros, tabelas, gráficos, cartogramas e análises textuais, integram a nova edição do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2026. A publicação oficial condensa o desempenho histórico registrado ao longo do ano de 2025.
O balanço anual reflete o amadurecimento dos ativos de exploração e produção (E&P) e a robustez da atratividade regulatória brasileira. O documento é segmentado em cinco grandes eixos analíticos: Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural; Comercialização; Biocombustíveis; Licitação de Blocos; e Resoluções da ANP. O órgão regulador informou que a consolidação dos dados internacionais, que tradicionalmente compõem o capítulo de abertura do anuário, será realizada no final do próximo mês, com divulgação agendada para o dia 31 de julho.
Pré-Sal dita o ritmo da extração e expande exportações líquidas
O principal vetor de crescimento da indústria de upstream continuou sendo o desenvolvimento dos campos marítimos profundos. A produção nacional de petróleo registrou uma expansão de 12% em 2025 na comparação anual, alcançando a marca de 3,8 milhões de barris por dia (bbl/d). Desse montante, a extração oriunda exclusivamente do polígono do pré-sal manteve uma média de 3 milhão de bbl/d, patamar que representa cerca de 80% de toda a produção brasileira de hidrocarbonetos líquidos.
Esse excedente produtivo consolidou a posição do Brasil no comércio exterior de energia. As exportações líquidas do país, calculadas pela diferença entre o volume bruto exportado e as importações de óleo cru, atingiram a média de 1,7 milhão de bbl/d em 2025.
No balanço de ativos subterrâneos, as reservas totais de petróleo anotaram um ligeiro recuo de 1% frente ao ciclo anterior, situando-se em 28,9 bilhões de barris. Em contrapartida, as reservas provadas (1P), que denotam maior segurança comercial e viabilidade técnica de recuperação, apresentaram um incremento de 3,8%, somando 17,5 bilhões de barris.
Gás natural alcança 16 anos de crescimento consecutivo
O mercado de gás natural também renovou sua trajetória de expansão estrutural. Em 2025, a produção nacional do energético avançou 16,7%, assinalando o seu 16º ano consecutivo de elevação contínua ao atingir a média de 179,2 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). A dominância do pré-sal estendeu-se a esse segmento, respondendo por 78,2% da oferta interna do insumo.
O inventário de gás mapeado pela ANP acompanhou o viés de alta da extração líquida. As reservas totais de gás natural expandiram 1,5%, acumulando um montante de 751,6 bilhões de m³. Paralelamente, as reservas provadas do insumo registraram uma valorização de 5% em relação ao ano anterior, totalizando 573,3 bilhões de m³.
Dinâmica de biocombustíveis e os gargalos do refino
No segmento de abastecimento e matriz de transportes, o balanço da autarquia revelou assimetrias entre os biocombustíveis. Beneficiado pelo mandato de mistura compulsória na cadeia de downstream, o biodiesel registrou uma produção 8,7% superior ao volume computado em 2024.
Por outro lado, o volume total de etanol destilado recuou 2,8%, fechando o ano em 35,9 bilhões de litros. Essa retração foi puxada majoritariamente pelo biocombustível hidratado, cujas vendas despencaram 5,9% devido à perda de competitividade econômica nas bombas frente à gasolina C. Em sentido oposto, a produção de etanol anidro expandiu 3,1%, impulsionada pela alteração regulatória promovida pelo governo que elevou o percentual de mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30%, em vigor desde agosto de 2025.
No parque de refino nacional, a produção física de derivados registrou uma contração de 1,4% em 2025, operando com uma média de 2,2 milhões de bbl/d, o equivalente a cerca de 86,4% da capacidade instalada de refino do país. Mesmo com a atividade industrial discretamente menor nas refinarias, a demanda final seguiu aquecida: as vendas de derivados pelas distribuidoras subiram 3,1%, puxadas pela retomada firme do querosene de aviação (QAV), que anotou alta de 6,1%.
Rodadas de licitação e arrecadação de participações governamentais
A consolidação de novas áreas exploratórias via leilões públicos gerou receitas bilionárias imediatas e futuras para a União. Durante o ano passado, a ANP operacionalizou dois ciclos do modelo de Oferta Permanente. O 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão movimentou R$ 989,3 milhões em bônus de assinatura. Já o 3º Ciclo da Oferta Permanente sob o regime de Partilha da Produção adicionou R$ 103,7 milhões aos cofres públicos.
A robustez financeira do setor também se refletiu no financiamento tecnológico e nas receitas fiscais dos estados e municípios produtores. O volume de recursos carimbados para a cláusula compulsória de investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) avançou 2,7%, somando R$ 4,3 bilhões em obrigações contratuais. Por fim, o montante global gerado por participações governamentais (royalties e participações especiais) atingiu R$ 100,4 bilhões em 2025, um avanço de 1,4% frente ao ano anterior.



