ONS e CCEE reestruturam Comitê PMO/PLD para calibrar preços e modelos

Nova fase do Comitê Técnico cria grupos de trabalho dedicados à qualidade dos dados de entrada dos modelos computacionais e amplia transparência com plataforma digital unificada

O setor elétrico brasileiro avança em uma nova etapa de aperfeiçoamento da governança associada ao planejamento da operação e à formação de preços de curto prazo. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) anunciaram a ampliação da estrutura do Comitê Técnico do PMO/PLD, iniciativa que ganha relevância em um momento de crescente complexidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN), marcado pela expansão das fontes renováveis variáveis e pela necessidade de sinais econômicos mais aderentes à realidade do sistema.

A reformulação do colegiado contempla a criação de dois novos grupos de trabalho, o lançamento de uma plataforma digital dedicada ao compartilhamento de informações técnicas e o fortalecimento das atribuições do fórum, que passaram a ter respaldo regulatório mais amplo após a entrada em vigor da Resolução Normativa ANEEL nº 1.144/2025.

O movimento ocorre em alinhamento às diretrizes do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e busca aumentar a consistência entre os modelos computacionais utilizados no planejamento energético e aqueles responsáveis pela formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), principal referência econômica do mercado de curto prazo.

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Complexidade crescente exige evolução dos modelos energéticos

A expansão acelerada da geração solar fotovoltaica, o aumento da participação da geração eólica, a evolução dos recursos energéticos distribuídos e o avanço de novas tecnologias de flexibilidade operacional vêm impondo desafios inéditos aos modelos matemáticos que sustentam as decisões operativas do setor elétrico.

Nesse cenário, a qualidade dos dados de entrada utilizados nos processos de simulação tornou-se um fator estratégico para garantir previsibilidade, eficiência operacional e formação adequada dos sinais de preço. Os novos grupos de trabalho terão justamente a missão de avaliar a aderência dessas informações, identificando possíveis desvios entre as premissas utilizadas nos estudos energéticos e as condições efetivamente observadas na operação em tempo real.

Ao detalhar os objetivos da nova estrutura, o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, destacou a necessidade de atualização contínua dos instrumentos analíticos utilizados pelo setor: “O Comitê está apoiando a evolução dos modelos de estudos energéticos, com novos grupos dedicados ao desenvolvimento de alternativas mais ágeis e aderentes à complexidade da matriz e à operação em tempo real do sistema.”

A iniciativa ganha relevância porque os modelos de otimização energética exercem influência direta sobre decisões relacionadas ao despacho de geração, uso dos reservatórios hidrelétricos, contratação de energia e definição dos preços do mercado de curto prazo.

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Resolução da ANEEL amplia papel estratégico do Comitê

A reestruturação do Comitê PMO/PLD está diretamente associada às mudanças introduzidas pela Resolução Normativa nº 1.144/2025, que atualizou dispositivos da REN nº 1.032/2022 e ampliou o papel institucional do fórum técnico. Com o novo arcabouço regulatório, o colegiado passa a desempenhar função mais abrangente na definição de diretrizes metodológicas e regulatórias relacionadas à coerência entre planejamento energético, programação da operação e formação do PLD.

Na prática, isso significa que o Comitê assume protagonismo crescente na discussão de parâmetros capazes de influenciar a eficiência dos sinais econômicos emitidos pelo mercado elétrico. A expectativa é que uma maior integração entre planejamento e operação reduza assimetrias, aumente a previsibilidade dos agentes e contribua para decisões de investimento mais alinhadas às necessidades futuras do sistema.

Plataforma digital amplia transparência e participação dos agentes

Além da expansão da governança técnica, ONS e CCEE lançaram uma nova plataforma eletrônica destinada a concentrar informações relacionadas às atividades do Comitê.

O portal reúne documentos técnicos, agendas de reuniões, apresentações, workshops, relatórios, memórias de cálculo e materiais utilizados em consultas externas, criando um ambiente centralizado de acompanhamento para geradores, comercializadores, distribuidoras, consumidores livres e demais participantes do mercado.

A medida busca ampliar a transparência dos processos decisórios e fortalecer a participação dos agentes nas discussões que impactam diretamente a formação de preços e o planejamento da operação elétrica. O fortalecimento da governança é visto como um elemento fundamental para reduzir incertezas regulatórias e aprimorar a qualidade dos sinais econômicos emitidos pelo setor.

Durante o lançamento da nova fase do Comitê, o diretor de Gestão de Mercado da CCEE, Ricardo Simabuku, destacou o alcance das mudanças: “O novo Comitê PMO/PLD representa uma transformação relevante, que moderniza as estruturas do setor elétrico. Estamos fortalecendo a governança, ampliando a transparência e evoluindo a capacidade de gerar sinais de preço mais eficientes e alinhados à operação do sistema, tudo isso com ampla participação dos agentes e da sociedade.”

Sinais de preço mais robustos ganham importância para o mercado

A evolução do Comitê PMO/PLD ocorre em um contexto de transformação estrutural do setor elétrico brasileiro. O crescimento do mercado livre, a expansão da geração renovável, a digitalização das operações e a discussão sobre novos mecanismos de capacidade exigem instrumentos cada vez mais sofisticados para traduzir as condições físicas do sistema em sinais econômicos eficientes.

Para investidores, comercializadores, consumidores livres e geradores, a qualidade desses sinais influencia diretamente estratégias de contratação, avaliação de riscos, planejamento financeiro e decisões de expansão.

Nesse contexto, a iniciativa de ONS e CCEE representa mais do que um ajuste institucional. Trata-se de um movimento voltado ao fortalecimento da governança do mercado elétrico, com potencial para aumentar a aderência dos modelos computacionais, elevar a transparência regulatória e aprimorar a formação dos preços que orientam uma parcela crescente dos investimentos no setor de energia brasileiro.

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