Energisa registra prejuízo de R$ 40 milhões no 2º trimestre após efeito contábil com venda de ativos de transmissão

Impacto não recorrente de R$ 596 milhões ligado à alienação de ativos para a Taesa reverte resultado da companhia; receita cresce, Ebitda permanece resiliente e conselho aprova R$ 251,5 milhões em dividendos

A Energisa encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões, revertendo o lucro de R$ 490 milhões registrado no mesmo período do ano passado. O desempenho foi fortemente influenciado por um efeito contábil extraordinário de R$ 596 milhões relacionado à venda de parte do portfólio de transmissão para a Taesa, operação anunciada por R$ 2,3 bilhões.

Embora o impacto tenha comprometido o resultado contábil do trimestre, a companhia destaca que o ajuste não teve efeito sobre o caixa nem altera o desempenho regulatório dos ativos de transmissão. Sem esse evento extraordinário, a Energisa manteve geração operacional positiva, sustentada pelo crescimento da receita e pela contribuição dos negócios de transmissão, soluções energéticas e distribuição de gás natural.

Apesar do prejuízo contábil, o Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 251,5 milhões em dividendos intercalares, reforçando a estratégia de remuneração aos acionistas.

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Venda de ativos impacta resultado, mas fortalece estratégia financeira

O principal fator para a reversão do lucro foi a reclassificação contábil dos ativos de transmissão vendidos à Taesa como “mantidos para venda”, procedimento que exigiu atualização de seus valores contábeis e gerou impacto negativo de R$ 596 milhões no resultado do trimestre.

Segundo a Energisa, o efeito é exclusivamente contábil e não representa saída de caixa. A expectativa é que a operação contribua para reduzir o endividamento da companhia após sua conclusão, fortalecendo a estrutura de capital para os próximos ciclos de investimento.

Desconsiderando esse impacto extraordinário e demais eventos não recorrentes, o lucro líquido ajustado recorrente alcançou R$ 88 milhões, queda de 80% em relação aos R$ 440 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.

Aumento das despesas financeiras pressiona desempenho

Outro fator determinante para o resultado foi a elevação das despesas financeiras. O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,8 bilhão, crescimento de 72% frente ao mesmo período do ano anterior. Excluindo os efeitos extraordinários relacionados ao acordo da Energisa Rondônia, a despesa financeira recorrente totalizou R$ 1,242 bilhão, avanço de 46%.

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A companhia atribui essa evolução principalmente ao crescimento do saldo da dívida líquida e ao aumento do custo médio do endividamento em um ambiente de juros ainda elevados.

Receita cresce e Ebitda demonstra resiliência operacional

Mesmo diante da pressão financeira, a operação manteve evolução nas receitas. A receita líquida ajustada atingiu R$ 7,2 bilhões, crescimento de 4% na comparação anual. Considerando a receita consolidada, incluindo construção, o faturamento alcançou R$ 9,2 bilhões, alta de 8%. O EBITDA ajustado recorrente permaneceu praticamente estável em R$ 1,95 bilhão, avanço de 1% sobre o segundo trimestre de 2025.

O desempenho operacional foi impulsionado principalmente pelos segmentos de transmissão, pela plataforma de soluções energéticas (re)energisa e pela distribuição de gás natural. Esses avanços compensaram parcialmente a redução dos resultados da distribuição de energia elétrica e da holding.

Distribuição mantém expansão de mercado, mas rentabilidade recua

Principal negócio da companhia, a distribuição de energia elétrica apresentou crescimento do mercado atendido, mas sofreu impacto do aumento das despesas financeiras.

O mercado total das distribuidoras cresceu 4%, alcançando 10.983 GWh. O consumo do mercado cativo avançou 3%, enquanto o volume referente ao uso da rede por consumidores do Mercado Livre aumentou 9%. Após a dedução da energia compensada pela geração distribuída, entretanto, o mercado cativo faturado registrou retração de 3%.

No segmento, o lucro líquido caiu de R$ 766 milhões para R$ 534 milhões, enquanto o lucro recorrente ajustado recuou 51%, encerrando o trimestre em R$ 319 milhões. Além disso, o resultado financeiro negativo das distribuidoras aumentou 177%, alcançando R$ 1,48 bilhão, refletindo o maior custo do capital e o aumento da dívida.

Transmissão sofre impacto contábil, mas mantém desempenho operacional

Na área de transmissão, o prejuízo societário foi de R$ 436 milhões, frente ao lucro de R$ 102 milhões registrado no segundo trimestre de 2025. Sem o impacto contábil decorrente da venda dos ativos, entretanto, o segmento teria apresentado lucro ajustado de R$ 160 milhões, crescimento de 57% na comparação anual, evidenciando que o desempenho operacional permaneceu sólido.

A alienação parcial do portfólio integra a estratégia da Energisa de reciclagem de ativos, permitindo a liberação de capital para novos investimentos e redução da alavancagem financeira.

Dividendos sinalizam confiança na geração de caixa

Mesmo com o prejuízo contábil registrado no trimestre, a companhia manteve sua política de remuneração aos acionistas. O Conselho de Administração aprovou o pagamento de R$ 251,5 milhões em dividendos intercalares, equivalentes a R$ 0,10 por ação ordinária ou preferencial e R$ 0,50 por unit. O pagamento está programado para o dia 24 de agosto.

A combinação entre crescimento operacional, reorganização do portfólio de transmissão e redução esperada da alavancagem deverá permanecer no centro da estratégia da Energisa ao longo dos próximos trimestres, em um cenário marcado por custos financeiros elevados e expansão dos investimentos em infraestrutura elétrica.

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