Parceria estratégica com horizonte de 20 anos prevê a recuperação inicial de 500 hectares no Pará e a geração de quase 88 mil créditos de remoção de alta integridade (ARR)
O mercado voluntário de carbono e a agenda de soluções baseadas na natureza (Nature-based Solutions – NbS) ganharam um novo e robusto arranjo corporativo. A re.green, companhia brasileira especializada em restauração ecológica de florestas tropicais em larga escala e laureada com o prêmio internacional Earthshot Prize 2025, oficializou nesta terça-feira (23 de junho) um acordo de cooperação de longo prazo com a farmacêutica global Novo Nordisk.
O contrato, estruturado com vigência de 20 anos, prevê o desenvolvimento de um projeto de restauração florestal em uma área inicial de 500 hectares de pastagens degradadas no município de Paragominas, polo agropecuário situado no sudeste do estado do Pará. O principal ativo regulatório e comercial gerado pelo empreendimento será a originação estimada de 87.895 créditos de remoção de carbono por reflorestamento (ARR – Afforestation, Reforestation and Revegetation) ao longo do ciclo contratual.
Modelagem Operacional e Manejo Sustentável de Madeira Nativa
A implementação das atividades em campo seguirá um modelo de governança fundiária baseado em contratos de arrendamento de longo prazo firmados em parceria com proprietários rurais locais. Sob a ótica técnica e silvicultural, a metodologia da re.green preconiza a reconstituição da funcionalidade ecológica da paisagem por meio do uso exclusivo de espécies nativas da Floresta Amazônica.
A engenharia florestal do projeto combinará técnicas de indução da regeneração natural assistida com o plantio ativo de mudas de alta diversidade biológica. A modelagem financeira e de negócios do projeto engloba ainda a exploração econômica de até 30% da área sob o regime de manejo sustentável de madeira nativa. Essa estratégia visa conferir liquidez adicional à cadeia produtiva regional antes mesmo da maturação plena dos créditos de carbono.
Para aferir a evolução da cobertura vegetal e mensurar a biomassa acumulada, o projeto contará com um protocolo contínuo de monitoramento ambiental. O sistema integrará coletas de inventário florestal de campo com tecnologias avançadas de sensoriamento remoto e imagens de satélite, garantindo a rastreabilidade dos impactos climáticos e ecológicos do ativo.
Certificação Científica e Alinhamento com os Core Carbon Principles
A monetização dos ativos ambientais gerados em Paragominas obedecerá aos mais rígidos critérios de integridade vigentes no mercado internacional. Os volumes de remoção calculados pela re.green serão submetidos à validação por metodologias internacionais independentes que possuem o selo de conformidade com os Core Carbon Principles (CCP), balizadores científicos globais geridos pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM, na sigla em inglês).
De acordo com o cronograma de certificação delineado pelas companhias, a primeira emissão e entrega dos créditos de carbono está projetada para novembro de 2031. Após o lote inicial, o projeto passará por auditorias e verificações periódicas de monitoramento em ciclos trienais contínuos, estendendo-se até o ano de 2045.
Ao analisar o papel da cooperação multisetorial para o avanço dos investimentos em biodiversidade e a consolidação de projetos regenerativos de impacto socioeconômico, o CEO da re.green, Thiago Picolo, ressaltou: “A restauração em larga escala das nossas florestas tropicais depende da colaboração entre players comprometidos com a agenda climática e iniciativas capazes de transformar áreas degradadas em ecossistemas funcionais. A parceria com a Novo Nordisk reforça esse movimento e mostra como o setor privado pode contribuir de forma concreta para recuperar paisagens não só na Amazônia, como também na Mata Atlântica, dois dos biomas mais importantes e ameaçados do mundo. Isso não só traz benefícios para a biodiversidade e para o mundo, como apoia o desenvolvimento das comunidades do entorno.”
Impacto na Hidrologia e Desenvolvimento das Cadeias Locais
Além do vetor de mitigação de gases de efeito estufa (GEE), a engenharia ecológica do projeto visa resguardar a segurança hídrica regional por meio da reconstituição de microbacias e zonas de recarga no bioma. Do ponto de vista socioeconômico, a parceria projeta induzir externalidades positivas na economia local do Pará através do fomento a redes de coletores de sementes nativas, ampliação de viveiros de mudas de alta performance e atração de novos elos de serviços especializados para o interior do estado.



