Distribuidora fluminense avança na execução do plano de recuperação judicial com a subscrição de 197,2 milhões de ações; sobras remanescentes podem elevar injeção de caixa ao teto de R$ 1,5 bilhão.
A Light S.A. deu um passo decisivo para consolidar o reequilíbrio de sua estrutura de capital e pavimentar a saída de seu processo de recuperação judicial. Em comunicado oficial direcionado ao mercado financeiro na noite desta segunda-feira (22), a concessionária de distribuição de energia do Rio de Janeiro informou ter captado R$ 1,24 bilhão na primeira rodada de seu aumento de capital social.
A operação financeira integra o núcleo de compromissos vinculantes homologados junto aos credores, visando recompor a liquidez da companhia e assegurar a sustentabilidade das operações de rede na região metropolitana fluminense.
Detalhes Operacionais e Alocação de Sobras na B3
Durante o período de subscrição prioritária, os investidores converteram direitos e adquiriram um total de 197,2 milhões de novas ações ordinárias, precificadas ao valor fixo de R$ 6,29 por papel. Como o planejamento estratégico e o desenho regulatório do aumento de capital preveem um teto de emissão de até 238,4 milhões de ações, a rodada inicial resultou em uma sobra residual de 41,2 milhões de papéis não subscritos.
Esses ativos remanescentes serão ofertados em rodadas subsequentes para os investidores elegíveis, seguindo os ritos regulamentares previstos no cronograma de mercado. Caso ocorra a subscrição integral dessas sobras, a Light atingirá o teto de seu planejamento de capitalização, cuja estimativa inicial balizava uma injeção de recursos entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão diretamente no caixa corporativo.
Desfazimento do Risco de Crédito e Liquidação de Passivos
O aporte bilionário possui destinação carimbada para dar cumprimento às cláusulas contratuais do plano de recuperação judicial da distribuidora, cuja aprovação em assembleia geral de credores ocorreu em maio de 2024, seguida da respectiva homologação pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em junho do mesmo ano.
A administração da Light detalhou em relatório financeiro a aplicação estratégica do montante captado junto aos acionistas e novos entrantes: “O montante bilionário possui destinação carimbada: liquidar as obrigações financeiras previstas no plano de recuperação judicial da distribuidora. O plano em questão foi aprovado em assembleia geral de credores em maio de 2024 e homologado pela Justiça do Rio de Janeiro no mês seguinte, funcionando como o principal vetor para o encerramento definitivo do processo.”
Com o aporte desses primeiros R$ 1,24 bilhão, a companhia mitiga o risco de execução de suas garantias e reforça sua musculatura financeira para fazer frente aos pesados investimentos em combate a perdas comerciais e modernização de ativos exigidos pela agência reguladora, fatores considerados vitais para a antecipação dos termos de renovação de sua concessão de distribuição.



