Nova operação comercial da Graphcoa no Vale do Jequitinhonha visa produzir mais de 50 mil toneladas anuais focadas na cadeia global de baterias para veículos elétricos e transição energética
A corrida global pelo suprimento de minerais críticos para a transição energética ganhou um novo capítulo no mercado brasileiro. A Appian Capital Brazil, fundo de investimento privado especializado em mineração, anunciou o avanço da segunda fase do projeto Graphcoa com o desenvolvimento do Projeto Grafite Jordânia, localizado no município de Jordânia, no Vale do Jequitinhonha (MG). O empreendimento prevê um aporte estimado em R$ 700 milhões para a implantação de uma planta de escala comercial voltada à extração e ao beneficiamento do mineral.
O ativo obteve um avanço regulatório fundamental ao realizar sua audiência pública no município mineiro, etapa em que foram apresentados à comunidade local os resultados do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Enquadrado como projeto prioritário pelo Governo do Estado de Minas Gerais por meio da coordenação da Invest Minas, o complexo é considerado estratégico para o desenvolvimento socioeconômico regional e para o posicionamento do país na cadeia de suprimentos de eletromobilidade.
Escala Comercial e Conexão com a Cadeia de Baterias
O cronograma do Projeto Grafite Jordânia prevê o início das obras da nova mina para o segundo semestre de 2027, condicionado à obtenção das licenças ambientais necessárias e à decisão final de investimento. A entrada em operação está programada para o segundo semestre de 2029. No pico da fase de construção, estima-se a geração de 600 empregos diretos, enquanto a fase operacional projeta a criação de 600 postos diretos e 800 indiretos na região Nordeste de Minas Gerais.
A planta projeta uma capacidade de produção anual superior a 50 mil toneladas de concentrado de grafite, alcançando teores de aproximadamente 95% de carbono grafítico. Este ativo representa o segundo passo da Appian Capital Brazil no segmento de grafita. O primeiro projeto da empresa, a Mina Boa Sorte em Itagimirim (BA), operou como planta de demonstração para a validação das rotas tecnológicas de beneficiamento e qualificação do produto junto a fabricantes globais de baterias para veículos elétricos. A unidade em Minas Gerais marca a transição da Graphcoa para o atendimento em escala comercial.
Ao avaliar o progresso institucional e o relacionamento regional para o estabelecimento do novo polo extrativo, o Diretor Executivo da Graphcoa, Ricardo Alves, ponderou: “Dar esses primeiros passos no Projeto Grafite Jordânia, com o reconhecimento do estado e o diálogo transparente com a comunidade anfitriã, é um marco para a Appian Capital Brazil e a Graphcoa. Contamos com uma equipe com vasta experiência na indústria, além de uma sólida assistência técnica e controle de qualidade para assegurar a consistência de nossos processos. Este projeto reflete nosso compromisso em fornecer soluções de alta performance que atendam aos mais rigorosos padrões do setor, ao mesmo tempo em que impulsionamos o desenvolvimento socioeconômico do Vale do Jequitinhonha.”
Sustentabilidade: Operação sem Barragem e Recirculação de Água
A engenharia do processo produtivo foi desenhada para se alinhar aos critérios ESG (Environmental, Social, and Governance) exigidos pelos financiadores internacionais e montadoras de veículos elétricos. A nova planta da Graphcoa adotará uma rota tecnológica que elimina por completo a necessidade de construção de barragens de rejeitos.
O projeto utilizará o método de disposição de rejeitos a seco (dry stacking), que emprega filtros prensa para desidratar o material residual. Essa configuração técnica permite recuperar e recircular mais de 80% da água utilizada no circuito de processamento, reduzindo a demanda por captação de água nova nos mananciais locais. Adicionalmente, o escopo do licenciamento prevê a revegetação de áreas impactadas com espécies nativas e a manutenção de corredores ecológicos para a fauna local.
Ao detalhar as diretrizes de sustentabilidade que orientam a engenharia e a inserção social do empreendimento, o executivo da Graphcoa reforçou: “Nossa jornada é guiada pelo compromisso com a sustentabilidade, buscando minimizar impactos e contribuir para o desenvolvimento da comunidade que nos acolhe. Estamos confiantes de que podemos gerar novas oportunidades de emprego, fortalecer a economia local e construir uma base sólida para um futuro próspero.”
O Papel Estratégico da Grafita na Transição Energética
O interesse de fundos de investimento privados como a Appian Capital Brazil pela grafita decorre de sua versatilidade e essencialidade na fabricação de anodos para baterias de íon-lítio. Apesar de o mercado automobilístico e o de armazenamento de energia em larga escala absorverem fatias crescentes da produção global, a commodity mantém relevância em setores tradicionais de alta performance, incluindo refratários, ligas metálicas, lubrificantes industriais, polímeros e insumos agrícolas. A diversificação de mercados garante resiliência comercial ao projeto face às flutuações de demanda do segmento de veículos elétricos.



