Auren reduz prejuízo em 32,7% no 2T26 e amplia ganhos com modulação em meio ao avanço do curtailment

Companhia registra prejuízo de R$ 379,1 milhões, aumenta receita para R$ 3,05 bilhões e eleva em 75% os ganhos com modulação do portfólio para mitigar impactos das restrições de geração e da volatilidade do mercado.

A Auren Energia encerrou o segundo trimestre de 2026 com redução de 32,7% no prejuízo líquido, que passou de R$ 562,9 milhões no mesmo período do ano passado para R$ 379,1 milhões. O resultado foi acompanhado por crescimento de 5,9% na receita líquida, que atingiu R$ 3,05 bilhões, impulsionada pela gestão do portfólio de energia e por estratégias de comercialização no mercado livre.

O desempenho operacional, no entanto, continuou pressionado pelo aumento do curtailment sobre usinas renováveis, pela menor disponibilidade de recurso eólico e pela redução da margem da comercializadora. Nesse cenário, o EBITDA ajustado totalizou R$ 858,9 milhões entre abril e junho, recuo de 12,4% na comparação anual.

Modulação reduz impactos das restrições de geração

A estratégia de modulação do portfólio tornou-se um dos principais fatores de compensação dos efeitos provocados pelas restrições operativas impostas ao sistema elétrico.

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No segundo trimestre, a Auren registrou R$ 70,5 milhões em ganhos com modulação, resultado 75% superior aos R$ 40,4 milhões obtidos um ano antes. Segundo a companhia, esse desempenho compensou parte das perdas decorrentes do curtailment, cujo impacto financeiro foi estimado em R$ 97,8 milhões no período.

A estratégia consiste em otimizar a entrega de energia nos horários de maior valor de mercado, aproveitando a complementaridade entre os ativos hidrelétricos e eólicos. Com isso, a companhia consegue direcionar maior volume de geração para períodos de preços mais elevados, especialmente no fim da tarde e à noite, quando a produção solar diminui e o custo marginal de operação tende a aumentar.

Ao comentar os resultados, a administração da companhia destacou a relevância desse modelo para a gestão do portfólio renovável: “A empresa registrou o menor prejuízo no segundo trimestre, impulsionada pela modulação eficiente de seu portfólio hidrelétrico e eólico, que gerou ganhos financeiros expressivos. A expectativa é que essa estratégia ganhe ainda mais relevância frente ao cenário de alta volatilidade no preço da energia no Brasil.”

Receita cresce, mas EBITDA é pressionado

Embora a receita líquida tenha avançado no trimestre, a rentabilidade operacional foi impactada por fatores conjunturais que afetaram a geração renovável.

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Além do aumento das restrições de geração determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a companhia enfrentou menor disponibilidade de recurso eólico e desempenho mais fraco da atividade de comercialização, fatores que reduziram o EBITDA ajustado em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado evidencia os desafios enfrentados pelas geradoras renováveis em um ambiente de maior penetração de fontes intermitentes e restrições de escoamento da energia produzida.

Companhia mantém estratégia de redução do endividamento

Na frente financeira, a Auren reduziu sua dívida líquida em R$ 194,2 milhões durante o trimestre. Mesmo assim, o índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses, passou para 5,3 vezes. Segundo a companhia, a variação decorre principalmente da redução do EBITDA acumulado e não do aumento do endividamento.

Ao apresentar as perspectivas para a estrutura de capital, a empresa reiterou que o plano de desalavancagem permanece inalterado: “O processo evolui em conformidade com o cronograma previsto, com a estabilização dos indicadores em 2026 e estimativa de trajetória descendente a partir de 2027.”

Gestão de portfólio ganha importância em cenário de maior volatilidade

Os resultados do trimestre reforçam a crescente importância das estratégias de gestão de portfólio para as geradoras renováveis diante das mudanças no perfil de operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Com o aumento da participação da geração solar e a intensificação dos episódios de curtailment, mecanismos como modulação da produção, arbitragem temporal e otimização da comercialização passam a exercer papel cada vez mais relevante na preservação da receita e da rentabilidade das empresas do setor.

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