Receita regulatória cresce 9,5% no 1S26, enquanto energizações adicionam R$ 506,6 milhões em RAP e aquisição de cinco concessões amplia a capacidade instalada da transmissora
A TAESA encerrou o primeiro semestre de 2026 com EBITDA consolidado de R$ 1,14 bilhão, alta de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pela entrada em operação de novos projetos de transmissão e pela expansão da receita regulatória, em um cenário no qual a companhia manteve elevados níveis de disponibilidade dos ativos e disciplina sobre os custos operacionais.
A Receita Líquida Regulatória avançou 9,5% no 1S26, impulsionada pelas energizações de Pitiguari, Saíra, Ananaí e da parcela já concluída de Tangará, além de reforços realizados em TSN, São Pedro, ATE III e ATE.
O EBITDA alcançou R$ 1.139,3 milhões no acumulado do ano, com margem de 85,4%. O resultado operacional, entretanto, não se refletiu integralmente na última linha do balanço. O Lucro Líquido Regulatório somou R$ 399,4 milhões no semestre, queda de 16,4% na comparação anual, pressionado principalmente pelo resultado financeiro e pelos efeitos macroeconômicos registrados no período.
Disponibilidade dos ativos permanece acima de 99%
A performance operacional da transmissora permaneceu elevada no semestre. O Índice de Disponibilidade dos ativos chegou a 99,91%, indicando manutenção da confiabilidade da rede mesmo diante de ocorrências pontuais.
Outro indicador relevante foi a Parcela Variável (PV), mecanismo que reduz a receita das transmissoras em função da indisponibilidade de instalações. No primeiro semestre, a PV correspondeu a 0,73% da Receita Anual Permitida (RAP).
O nível reduzido de deduções reforça o efeito dos programas de manutenção preventiva e corretiva sobre a disponibilidade dos ativos e a preservação da receita regulatória.
Custos avançam abaixo da inflação
A expansão do portfólio também ocorreu sem crescimento proporcional das despesas operacionais. Os custos de PMSO, pessoal, material, serviços e outros, avançaram abaixo da inflação tanto no trimestre quanto no acumulado do ano.
O controle dos gastos ganha relevância diante da incorporação de novos empreendimentos à estrutura operacional da companhia. Para a TAESA, a capacidade de integrar ativos adicionais sem elevar os custos na mesma proporção é um dos principais vetores para preservar as margens do negócio de transmissão.
Energizações adicionam R$ 506,6 milhões em RAP
A expansão orgânica foi um dos principais fatores para o crescimento da receita no semestre. A companhia concluiu a energização de Ananaí, Tangará, Saíra e de reforços em ATE, empreendimentos que, em conjunto, acrescentam R$ 506,6 milhões em Receita Anual Permitida (RAP) no ciclo tarifário 2026-2027.
A execução dos projetos também foi marcada por antecipações relevantes em relação aos cronogramas regulatórios. De acordo com a companhia, alguns empreendimentos entraram em operação até 25 meses antes dos prazos originalmente estabelecidos. A antecipação permite à transmissora começar a capturar a receita associada aos ativos antes do cronograma previsto, além de ampliar a capacidade de transmissão disponível no Sistema Interligado Nacional (SIN).
CAPEX cai 40,5% após conclusão de projetos
O investimento realizado pela TAESA totalizou R$ 445,3 milhões no primeiro semestre, redução de 40,5% ante o 1S25. A retração está relacionada ao estágio de maturação do atual ciclo de investimentos.
Com a conclusão e energização de empreendimentos que concentravam desembolsos nos períodos anteriores, a companhia passou a operar com menor necessidade de capital para implantação física do portfólio. A redução do CAPEX, nesse contexto, não representa retração da estratégia de crescimento, mas uma mudança na composição dos desembolsos à medida que projetos entram em operação.
Aquisição de cinco concessões amplia portfólio
Na frente de crescimento inorgânico, a TAESA anunciou em maio a assinatura de contrato para aquisição de cinco concessões de transmissão de energia elétrica. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
O conjunto de ativos deverá acrescentar R$ 305,1 milhões em RAP ao portfólio da companhia. A aquisição também deve elevar em aproximadamente 33% a capacidade de transformação instalada da transmissora. Além do aumento da receita regulatória, a operação amplia a escala do portfólio e cria oportunidades de sinergias operacionais. A companhia também prevê impacto positivo sobre o prazo médio de concessão do grupo.
O movimento ocorre em uma estratégia que combina a entrada em operação de novos ativos próprios com a aquisição de concessões já estabelecidas, permitindo à TAESA ampliar sua presença no segmento de transmissão sem depender exclusivamente da implantação de projetos greenfield.
Resultado financeiro limita avanço do lucro
Apesar do crescimento operacional, o lucro regulatório apresentou retração. No 2T26, o resultado foi de R$ 206,8 milhões, queda de 28,5% frente ao mesmo trimestre de 2025. No semestre, o lucro chegou a R$ 399,4 milhões, recuo de 16,4%.
A diferença entre o desempenho operacional e o resultado líquido evidencia o impacto do ambiente macroeconômico sobre a companhia. A elevação das despesas financeiras reduziu parte dos ganhos obtidos com o crescimento da receita e do EBITDA. Ainda assim, a combinação de margem EBITDA de 85,4%, disponibilidade de 99,91%, expansão da RAP e controle de custos mantém a transmissão como principal vetor de previsibilidade operacional da TAESA.
Com a entrada de novos ativos e a incorporação das cinco concessões previstas para o 3T26, a companhia deverá iniciar uma nova etapa de expansão do portfólio. O desafio passa a ser capturar as sinergias dos ativos adquiridos e manter os níveis de eficiência que sustentaram o desempenho operacional no primeiro semestre.



