Projeto Raia conclui gasoduto submarino mais profundo do mundo e avança para operação em 2028

Empreendimento liderado pela Equinor instala 186 km de dutos na Bacia de Campos, entrega primeiro poço produtor e prevê escoamento de 16 milhões de m³/dia de gás natural a partir da costa fluminense.

O Projeto Raia, um dos maiores empreendimentos de exploração e produção de gás natural em desenvolvimento no Brasil, atingiu marcos decisivos em sua fase de implantação. Operado pela Equinor em consórcio com a Repsol Sinopec Brasil e a Petrobras, o projeto concluiu a instalação do trecho offshore do seu gasoduto de exportação, finalizou a perfuração do primeiro poço produtor e iniciou as obras de interligação terrestre no litoral do Rio de Janeiro.

As etapas concluídas asseguram a manutenção do cronograma original, que projeta o início das operações comerciais para 2028. Com capacidade nominal para escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, o empreendimento possui potencial para suprir cerca de 15% da demanda nacional projetada, reforçando a segurança energética e a oferta do insumo para a indústria e o parque termelétrico.

Marco tecnológico em lâmina d’água ultraprofunda

A campanha de infraestrutura logística concluiu a postura dos 186 quilômetros do gasoduto submarino responsável por conectar os campos de produção no pré-sal da Bacia de Campos até o continente. Na seção de maior profundidade, a tubulação alcança 2.735 metros abaixo do nível do mar, registrando o recorde global de gasoduto instalado na maior lâmina d’água da indústria petrolífera offshore.

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A engenharia do projeto demandou alta densidade de conteúdo local e complexidade logística: 99% do aço utilizado nos tubos fornecidos pela Tenaris foi produzido em território nacional. As operações no mar mobilizaram diariamente mais de 600 profissionais a bordo das embarcações operadas pela Saipem.

Conclusão antecipada do poço produtor PDA-P14

No segmento de poços, o consórcio finalizou antecipadamente as atividades de perfuração do poço PDA-P14, primeiro poço produtor da área. Situado a aproximadamente 200 quilômetros da costa fluminense, o ativo integra o plano de desenvolvimento dos campos de Pão de Açúcar, Gávea e Seat.

As descobertas que integram o Projeto Raia somam reservas recuperáveis estimadas em mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), compostas por frações de gás natural, petróleo leve e condensado. A antecipação da perfuração reduz incertezas operacionais e mitiga riscos ao cronograma de comissionamento da infraestrutura.

Interligação em Macaé utiliza perfuração horizontal direcionada

A infraestrutura entra agora na fase de conexão entre o trecho marítimo e a malha terrestre. Para dar suporte às operações de Perfuração Horizontal Direcionada (Horizontal Directional Drilling – HDD) no litoral de Macaé (RJ), a balsa elevatória (jack-up barge) Saturn foi mobilizada para a costa fluminense.

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O método não destrutivo (HDD) permite executar o furo piloto, o alargamento do túnel e o puxamento (pull-back) da tubulação de aço por baixo da linha de praia, garantindo a chegada do duto ao continente com mínimos impactos à dinâmica costeira.

A petroleira norueguesa reitera que o posicionamento da unidade Saturn viabiliza a execução da travessia com elevados padrões de segurança operacional e aderência às etapas regulatórias do projeto.

Modelo inédito elimina UPGN em terra e conecta gás especificado à malha

Além da escala de produção, o Projeto Raia introduz um modelo conceitual disruptivo para o setor de hidrocarbonetos no Brasil. A especificação do gás natural, processo de remoção de contaminantes como CO₂ e condensado para enquadramento nas normas da ANP, será realizada integralmente a bordo da unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO), ainda em alto-mar.

Ao dispensar a construção de uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) dedicada em terra, o gás especificado em alto-mar fluirá pelo gasoduto diretamente para o terminal de Cabiúnas, em Macaé, conectando-se imediatamente à malha nacional de transporte de gás. A arquitetura de desenvolvimento reduz gargalos de processamento terrestre, otimiza o dispêndio de capital (capex) e acelera a comercialização do molécula de gás ao mercado consumidor brasileiro.

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