Bahia Entra no Mapa do Hidrogênio Verde com Planta Piloto de R$ 40 Milhões no SENAI CIMATEC

Consórcio formado por Petrogal Brasil e Hytron inaugura centro de referência em Camaçari focado em eletrólise, síntese de amônia e testes práticos de mobilidade pesada e leve para descarbonização industrial.

O estado da Bahia inaugurou sua primeira planta piloto dedicada à produção de hidrogênio verde (H₂V), marcando um passo decisivo na estruturação da cadeia nacional de suprimentos para a transição energética. Instalado no complexo do SENAI CIMATEC Park, no polo industrial de Camaçari, o recém-inaugurado Centro de Referência em Tecnologias de Baixo Carbono e Hidrogênio Verde é resultado de um aporte superior a R$ 40 milhões.

O projeto foi viabilizado por um consórcio estratégico que reúne o próprio SENAI CIMATEC, a Hytron e a Petrogal Brasil (joint venture entre Galp e Sinopec). A modelagem financeira do complexo contou com fomento direto da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), por meio dos recursos da Cláusula de Participação Especial, além de aportes da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII).

Infraestrutura Integrada e Validação de Escala

Diferente de plantas focadas unicamente na eletrólise da água, o novo centro baiano foi desenhado como um ecossistema completo de testes para o vetor energético. A instalação abriga uma microrrede de geração renovável dedicada, laboratórios avançados de combustão e uma unidade piloto de síntese de amônia verde. Esse arranjo permite não apenas a produção do gás, mas a avaliação técnica do uso da amônia como principal alternativa química para o armazenamento e a exportação do hidrogênio em larga escala.

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A estrutura foi projetada para atuar como um laboratório de escala pré-comercial, mitigando os riscos tecnológicos antes que as indústrias realizem investimentos definitivos. Avaliando o impacto dessas instalações na escalabilidade e na modernização do parque fabril, o líder técnico do projeto no SENAI CIMATEC, Ricardo Medrado, ressalta o potencial da iniciativa: “As infraestruturas criadas pelo projeto permitem a validação, em ambiente piloto, de novas soluções tecnológicas capazes de impulsionar a indústria nacional rumo a um cenário de maior competitividade internacional, com uma produção cada vez mais sustentável.”

A estruturação operacional de um complexo com múltiplas frentes de engenharia exigiu um alinhamento rigoroso entre os agentes financiadores, fornecedores e pesquisadores. O Head of Upstream Innovation da Galp, Marco Ferraz, analisa a dinâmica de execução que garantiu a entrega do ativo dentro dos parâmetros exigidos: “A combinação entre experiência, competência e colaboração foi fundamental para viabilizar a entrega deste importante projeto.”

Domínio Tecnológico da Engenharia Nacional

Um dos principais desafios da economia do hidrogênio é a dependência de equipamentos importados. No projeto do SENAI CIMATEC, a participação da Hytron (empresa do Neuman & Esser Group) garantiu a aplicação de inteligência técnica local na etapa mais crítica do processo: a eletrólise e o manuseio do gás sob altíssima pressão.

Avaliando o atual estágio da cadeia de suprimentos interna frente ao mercado global, o diretor comercial da Hytron, Daniel Lopes, destaca o nível de maturidade da engenharia brasileira validada no complexo baiano: “Não estamos mais falando de conceitos teóricos ou de importação de pacotes fechados de tecnologia. A NEUMAN & ESSER forneceu o coração desta planta piloto, provando que detemos a capacidade de projetar, integrar e comissionar sistemas complexos de eletrólise e infraestrutura de alta pressão de forma segura e eficiente. Esse projeto na Bahia demonstra que o Brasil está pronto para liderar a produção de hidrogênio e seus derivados, como a amônia, com tecnologia robusta ‘made in Brazil’ e alto valor agregado.”

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Mobilidade e Parcerias Automotivas no Comissionamento

Além do uso estacionário e industrial, a planta piloto baiana possui uma estação de abastecimento veicular voltada à mobilidade de baixo carbono. Para atestar a segurança e a viabilidade operacional dessa infraestrutura, o projeto atraiu montadoras globais para a fase de comissionamento e validação de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação).

A Toyota disponibilizou uma unidade do Mirai, seu sedã elétrico movido a célula de combustível (FCEV), para realizar os primeiros testes práticos de abastecimento de veículos leves com o gás gerado na unidade. No segmento de veículos comerciais pesados, a GWM HYDROGEN forneceu um caminhão a hidrogênio que será integrado à rotina de demonstrações e ensaios técnicos do Centro, abrindo caminho para a descarbonização logística no país.

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