Maior recuperação extrajudicial do país prevê aporte de até R$ 4 bilhões, conversão de créditos em participação acionária e separação dos negócios de distribuição e energia.
A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o Plano de Recuperação Extrajudicial da Raízen, tornando efetiva a reestruturação de aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras da companhia. O processo foi aprovado com adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários e não registrou qualquer pedido de impugnação.
A decisão do Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo torna vinculantes as condições estabelecidas no plano para todos os credores abrangidos pela operação, que envolve dívidas contratadas junto a instituições financeiras e títulos emitidos nos mercados de capitais nacional e internacional.
Protocolado em 5 de junho de 2026, nos termos da Lei nº 11.101/2005, o plano é considerado a maior reestruturação financeira extrajudicial já realizada no país e representa um passo decisivo para o reposicionamento estratégico da companhia nos segmentos de energia renovável, biocombustíveis e distribuição de combustíveis.
Reestruturação prevê conversão de dívida e aporte de capital
A operação estabelece um conjunto de medidas destinadas ao reequilíbrio da estrutura de capital da joint venture formada por Cosan e Shell. Entre elas, estão a conversão de parte dos créditos financeiros em participação acionária da companhia, por meio da emissão de Units, além da emissão de novos títulos de dívida.
O plano também prevê um aumento de capital entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões, que será integralizado em dinheiro no fechamento da operação. O aporte será liderado pela Shell e poderá contar com a participação da Aguassanta Participações S.A., veículo de investimentos controlado pela família do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, acionista controlador da Cosan.
A injeção de recursos é considerada estratégica para fortalecer a posição financeira da empresa e garantir a implementação das próximas etapas da reorganização societária.
Companhia avança para nova estrutura de negócios
Além do reperfilamento das dívidas financeiras, o plano estabelece mudanças estruturais na organização dos negócios da Raízen. A companhia dará continuidade ao processo de segregação operacional das atividades, incluindo a alienação de ativos considerados não essenciais e a separação definitiva entre os segmentos de distribuição de combustíveis e energia.
A iniciativa acompanha a estratégia anunciada pela empresa de simplificar sua estrutura corporativa e direcionar investimentos para operações consideradas prioritárias em sua nova fase de crescimento.
Ao comentar a homologação judicial do plano, o diretor financeiro (CFO) e Chief Restructuring Officer (CRO) da Raízen destacou a relevância da aprovação obtida junto ao mercado financeiro: “A formalização do plano, considerado o maior do País, dentro do prazo e com ampla aprovação, sem qualquer pedido de impugnação, representa um avanço fundamental na reestruturação financeira da Raízen. Esse marco consolida uma base sólida para os próximos passos da Companhia, com uma estrutura de capital mais equilibrada e preparada para assegurar o crescimento sustentável dos dois negócios.”
Reorganização pode redefinir estratégia da companhia
A homologação do plano marca o início da fase de implementação das medidas financeiras e societárias previstas na operação. O processo deverá resultar em uma estrutura de capital mais adequada ao perfil dos negócios da companhia, ao mesmo tempo em que permitirá maior independência operacional entre suas áreas de atuação.
Para o mercado, a conclusão dessa etapa reduz incertezas sobre a situação financeira da Raízen e sinaliza a continuidade de sua estratégia de reorganização corporativa em um momento de transformação dos setores de energia, combustíveis e biocombustíveis.
A expectativa é que a nova estrutura societária proporcione maior eficiência na alocação de capital e aumente a capacidade da empresa de capturar oportunidades nos mercados em que atua, especialmente em segmentos ligados à transição energética e aos combustíveis renováveis.


