Offshore: FIEMG alerta para impacto de R$ 550 bilhões caso Congresso derrube veto

Entidade projeta alta de até 9% na conta de luz e aponta retrocesso na transição energética devido a “jabutis” que prorrogam subsídios a fontes fósseis e térmicas inflexíveis

O mercado regulado e o ambiente livre de contratação de energia monitoram com forte apreensão a pauta do Congresso Nacional. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) emitiu um alerta contundente sobre os riscos fiscais e tarifários associados à eventual derrubada do Veto nº 3/2025, que incide sobre o marco legal das eólicas offshore. O tema está pautado para deliberação em sessão conjunta de deputados e senadores nesta quinta-feira (18).

A mobilização da indústria foca nos chamados “jabutis”, emendas sem relação direta com a proposta original, inseridos durante a tramitação do projeto de lei no Legislativo. Os dispositivos vetados pela Presidência da República reintroduzem subsídios setoriais, estendendo contratos de usinas termelétricas a carvão e gás natural, além de fixar cotas compulsórias de compra de energia de fontes específicas, onerando de forma perene a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Prejuízo competitivo e pressão inflacionária até 2050

A manutenção dos vetos é defendida pelo setor produtivo como uma medida de salvaguarda para a modicidade tarifária. Pelos cálculos técnicos elaborados pela gerência de energia da federação mineira, o impacto acumulado dos subsídios embutidos no texto original pode distorcer os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) e elevar de forma artificial os custos de transmissão e distribuição em todo o território nacional pelas próximas décadas.

- Advertisement -

Ao mensurar os efeitos macroeconômicos e o peso dessa fatura sobre o orçamento das cadeias industriais e dos consumidores, o consultor de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, detalhou a extensão do passivo financeiro projetado: “A derrubada desses vetos pode custar R$ 550 bilhões até 2050, elevando a conta de luz dos brasileiros em até 9%. Estamos falando de custos que serão suportados por famílias e pelo setor produtivo, reduzindo a competitividade da indústria nacional e pressionando ainda mais a inflação.”

O cenário de reajuste estimado em quase 10% colide com as estratégias de atração de indústrias eletrointensivas, minando o diferencial competitivo da energia limpa e barata que historicamente posiciona o Brasil em vantagem no processo de nearshoring global.

Contradição regulatória e retrocesso ambiental

Além do impacto direto no caixa de empresas e consumidores, a engenharia setorial aponta que a aprovação forçada das emendas parlamentares desfigura as premissas básicas de otimização do Sistema Interligado Nacional (SIN). O planejamento energético nacional, conduzido por órgãos como a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), preconiza a inserção de fontes renováveis intermitentes amparadas por uma base de potência flexível e competitiva.

O modelo proposto pelas emendas vetadas caminha na direção oposta, forçando o acionamento compulsório e inflexível de plantas térmicas com custos variáveis unitários (CVU) elevados. A FIEMG argumenta que a medida representa uma contradição regulatória em relação aos compromissos de descarbonização do país, visto que o incentivo financeiro perpetua a operação de matrizes fósseis e poluentes, retardando os investimentos em novas tecnologias de armazenamento, hidrogênio verde e, paradoxalmente, o próprio desenvolvimento da geração eólica em alto-mar.

- Advertisement -

Diante dos desdobramentos operacionais e comerciais descritos no relatório, a federação defende de forma institucional que o parlamento mantenha integralmente o Veto nº 3/2025. O posicionamento é chancelado por diversas associações de consumidores de energia e comercializadores, que enxergam na votação um teste decisivo para a governança regulatória, para a previsibilidade jurídica de contratos e para a consolidação de um mercado elétrico moderno, transparente e eficiente.

Destaques da Semana

EPE estima potencial de até 13,1 GW para Resposta da Demanda no Brasil

Estudo aponta capacidade de referência de 8,8 GW e...

ONS propõe sandbox com cinco distribuidoras para testar modelo DSO no SIN

Projeto prevê despacho em tempo real de recursos energéticos...

CCEE aprova Elisa Bastos para nova Diretoria de Tecnologia

Ex-diretora do ONS foi indicada pelo MME e ainda...

Thymos projeta PLD médio de R$ 170/MWh na primavera

Consultoria atribui perspectiva de preços moderados aos níveis dos...

Artigos

Últimas Notícias