FIEMG vê bandeira amarela como alívio temporário e alerta para risco do El Niño nas tarifas

Entidade patronal mineira atribui estabilização do PLD e manutenção da taxa às chuvas no Sul, mas cobra previsibilidade e segurança de suprimento para a indústria

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avaliou com cautela a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) de manter a bandeira tarifária amarela no mês de agosto. Embora a medida evite o acionamento imediato do patamar vermelho e traga alívio financeiro momentâneo para o setor produtivo e consumidores finais, a entidade alerta que o Sistema Interligado Nacional (SIN) continua operando sob margem de atenção operacional.

A manutenção da taxa em R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos esteve alinhada às projeções do mercado e foi viabilizada, prioritariamente, pelas precipitações atípicas no subsistema Sul. Nas últimas semanas, as afluências na região Sul atingiram 150% da Média Longo Termo (MLT), atuando como um elemento estabilizador sobre a volatilidade do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Em paralelo, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste manteve vazões próximas a 90% da média histórica, sustentando os níveis de armazenamento dos principais reservatórios do país.

Incerteza climática e pressão sobre o custo de geração

Apesar do alívio pontual na formação do Preço de Liquidação das Diferenças, a FIEMG pondera que a estabilização hídrica do inverno não anula a necessidade de acompanhamento rigoroso sobre a transição do ciclo operacional no segundo semestre. A evolução dos modelos meteorológicos para a primavera e o encerramento do período seco serão determinantes para definir a curva de despacho térmico complementar exigida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

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Analisando a sensibilidade das tarifas frente às oscilações hidrológicas do SIN, o coordenador de Mercado de Energia da FIEMG, Sérgio Pataca, destaca os fatores de risco para a indústria: “A chuva no Sul segurou a alta dos preços e evitou a bandeira vermelha no curto prazo. Por outro lado, a manutenção da cobrança amarela mostra que o sistema ainda opera sob atenção. Precisamos acompanhar com rigor o comportamento do El Niño a partir de setembro, pois alterações mais severas no regime de chuvas podem voltar a pressionar as tarifas até o fim do ano.”

Competitividade industrial e necessidade de previsibilidade tarifária

Para a indústria mineira, a imprevisibilidade sobre os patamares das bandeiras tarifárias compromete o planejamento financeiro e a competitividade das cadeias eletrointensivas. O acionamento continuado de taxas adicionais encarece o custo de produção no mercado regulado, reforçando a urgência da consolidação de políticas públicas voltadas à gestão do risco hidrológico, expansão da transmissão e aprimoramento dos mecanismos de resposta da demanda.

A federação reforça que a conjuntura atual exige maior coordenação institucional dos órgãos reguladores e do Ministério de Minas e Energia (MME) para estruturar medidas permanentes que garantam a modicidade tarifária, ampliem a segurança do suprimento e confiram previsibilidade aos custos energéticos do país.

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